Tornado em nuvens fazem sua mente
Pequena, teu sol me encanta
Seus espirros de quatro-em-quatro
Amor por rodas
Pinta no umbigo
Sorriso de explosāo caótica
Paz no teu bronzeado
Violāo da perdiçāo
Memória curta pra coraçāo tāo grande
Deixa pra lá
Nāo esquece que a vida é curta demais
Pra se preocupar.
Noite longas e frias sem o calor dos teus olhos, escuta a voz doce, sotaque brasiliense em pausas incorretas e gírias neoinglesas. Sem tua batida é puro silêncio, completo, absoluto para meus nervos que só te ouvem. Pinga em salgado, sorri, menino do queixo cortado vem e volta e fica pra ficar, fogo em paixāo, corre pro topo da montanha sem parar. Pele em vermelho aos beijos e fenda no sorriso, charme que conduz para o paraíso. Aos teus cabelos negros ideias desenrolam, lisas, finas. Sua graça é única e própria, longe das raízes. Eu pediria para tu ser meu, viver nas minhas linhas, morar no meu peito mas tu és dos cosmos e nāo posso roubá-lo. Pertence à paz e eu sou caos, sou distúrbio. Mas ah, menino, és o arranha-céu mais alto e o mais bonito de toda a minha cidade de papel..
Brilho opaco, em frio e narinas ardendo, a Lua pareceu horrizada: como se tivesse visto o pior dos monstros. Nuvens te faziam companhia, tentando comfortá-la, mas era em vāo: a pobre dama estava miserável.
Alguns minutos antes, mais abaixo, entre carros, mesas e bandejas, ele sorriu feliz e deu um oi à ela. "Bonita como sempre, Lua." Ela leu os lábios, bem deliniados, finos como guardanapos. Quase corou, mas se segurou. Ele parecia tāo arrumado só pra ela: geralmente se encontrava em pantufas e manchas de café. Agradeceu silenciosamente o esforço, "nāo precisava". Mas entāo alguém apareceu atrás das costas do seu amante, tampando os seus olhos verdes.
"Senti tanto a sua falta." E o beijou. Barbas raspando, uma jaqueta de couro e cheiro de colônia atingiu-a, quase a tirando de sua órbita por causa do tāo inesperado carinho.
Foi entāo que o coraçāo dela foi quebrado, e ela realmente viu o pior dos monstros: o Amor.
