Subi no galho, me torcendo como alguma cobra perversa. Segurei firme, apoiei um pé do lado do outro. Encaixei as pernas no pedaço de madeira, suspensos por uma longa corda. Olhei para baixo. Tinha uma depressão uns 5 metros na frente, que dava para um rio. Cheio de pedras. A probabilidade de eu me espatifar, quebrar o crânio e morrer não era grande, de qualquer jeito. Uma pontinha de medo me cutucou, mas ignorei. Saltei. Meu peito inflou, preenchido como um balão, e eu o estourei com um grito; um palavrão bem alto e claro. Comecei a rir, a adrenalina correndo nas minhas veias, dançando comigo, fazendo cócegas. Me senti um pássaro quando voa pela primeira vez. Toda uma brisa beijou o meu rosto e eu a abracei. Tudo pareceu mais distante, mais irreal. Era bom. Eu queria fazer de novo e de novo e de novo. E fiz.
Junte-se à mim. Olhe a Lua risonha, cortada, misteriosa. Admire-a, colega. Ela é uma das prova que vivemos em um planeta que poderá todos morrer e sofrer que ela continuará lá, brilhando. Eu até diria sobre o Sol, outra prova, mas não quero machucar os seus olhos. Você já está doída demais. Deixe-me te cuidar, sim? Mostre os ferimentos, é, sim, estão ruins mesmo, mas nada que não vá sará com o tempo. Você precisa ser forte, colega. Resista à tentação de arrancar o esparadrapo. Eu estarei aqui com você, secando as suas lágrimas, prometo. Você irá ficar bem, mesmo que aja alguma infecção, não será fatal. Te darei meu sangue, se for preciso. Você é uma boa pessoa, colega, Ele irá te ajudar, ouvir suas preces. Acredite. Mantenha a fé, mesmo que pareça que os seus braços vão cair, seu coração explodir, seu cérebro despedaçar. Não, eu não disse que seria fácil. Apesar disso, te ofereço meu conforto. Todo ele. Todas as horas do dia. Dê-me sua mão. Estamos ligadas, acredite, você é a outra parte de mim. Nossas veias se conectam, eu preciso de você, sim, juro, você é a minha vitalidade. Esperança, tenha esperança pois eu estou aqui e nunca, nunca, nunca partirei. Sinto muito, você está fadada a viver isso, e comigo. Aceite. Siga em frente. Eu te guiarei.
A caminhada deixou meus pés doloridos. Meu ouvido zunia por causa de uma abelha, mas não estapeei o ar como todos fazem, apenas continuei andando calmamente. Estava frio, a noite caindo, quase totalmente escuro. Levanto a cabeça. Tem um cachorro sentado no meio fio. Ando até ele, dizendo palavras com aquela voz estúpidas que todos usamos quando falamos com alguma coisa fofa. Acaricio o seu pelo, uma mescla de caramelo e branco e preto, bem sedoso. "O que está fazendo aqui sozinho, amigão?". Ele me encara. É o animal com o olhar mais triste que eu já vi em toda a minha vida. Isso me desaba. Sento junto à ele. Tenho certeza que pertence à alguém, pois possui uma coleira de couro e parece bem alimentado. Sorrio para ele, tentando trazer alguma paz, o fito com toda intensidade possível, transmitindo alguma segurança. Ele passa o focinho gelado na minha mão, e eu beijo o topo de sua cabeça. Ele não parece muito melhor, mas então abana o rabo e corre para longe. E foi como se nunca estivesse ali.
"Quando pensava na morte dele, o que, diga-se de passagem, não aconteceu tantas vezes
assim, eu sempre pensava da forma como você tinha descrito, como se os fios dentro dele
tivessem se arrebentado. Mas existem milhares de maneiras de se pensar a situação: talvez os
fios se arrebentem, talvez o navio naufrague ou talvez nós sejamos relva, nossas raízes tão
interdependentes que ninguém estará morto enquanto houver alguém vivo. O que quero dizer
é que as metáforas não são poucas. Mas você precisa ser cuidadoso ao escolher sua metáfora,
porque ela faz diferença. Se escolher os fios, significa que está imaginando um mundo no qual
você pode se arrebentar de forma irreparável. Se escolher a relva, então quer dizer que todos
nós somos interligados e que usamos esse sistema radicular não apenas para compreendermos
uns aos outros, mas também para nos tornarmos o outro. As metáforas têm consequências.
Está entendendo o que quero dizer?
Ela faz que sim com a cabeça.
— Gosto dos fios. Sempre gostei. Porque é exatamente assim que eu me sinto. No entanto,
acho que eles fazem a dor parecer mais fatal do que realmente é. Não somos tão frágeis quanto
os fios nos fariam acreditar. E gosto da relva também. Foi ela que me trouxe até você, que me
ajudou a imaginá-lo como uma pessoa de verdade. Mas não somos brotos diferentes da mesma
planta. Eu não consigo ser você. Você não consegue ser eu. Por mais que você imagine o outro,
nunca o imaginará com perfeição, não é? Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo…as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em
determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. Quando começa a
chover dentro do Osprey, ele nunca vai voltar a ser o que era. Mas ainda há um tempo entre o
momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos
por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos
além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das
rachaduras deles. Quando foi que nos olhamos cara a cara? Não até que você tivesse visto
através das minhas rachaduras, e eu, das suas. Antes disso, estávamos apenas observando a ideia
que fazíamos um do outro, tipo olhando para sua persiana sem nunca enxergar o quarto lá
dentro. Mas, uma vez que o navio se racha, a luz consegue entrar. E a luz consegue sair. "
- Cidades de Papel, John Green.
assim, eu sempre pensava da forma como você tinha descrito, como se os fios dentro dele
tivessem se arrebentado. Mas existem milhares de maneiras de se pensar a situação: talvez os
fios se arrebentem, talvez o navio naufrague ou talvez nós sejamos relva, nossas raízes tão
interdependentes que ninguém estará morto enquanto houver alguém vivo. O que quero dizer
é que as metáforas não são poucas. Mas você precisa ser cuidadoso ao escolher sua metáfora,
porque ela faz diferença. Se escolher os fios, significa que está imaginando um mundo no qual
você pode se arrebentar de forma irreparável. Se escolher a relva, então quer dizer que todos
nós somos interligados e que usamos esse sistema radicular não apenas para compreendermos
uns aos outros, mas também para nos tornarmos o outro. As metáforas têm consequências.
Está entendendo o que quero dizer?
Ela faz que sim com a cabeça.
— Gosto dos fios. Sempre gostei. Porque é exatamente assim que eu me sinto. No entanto,
acho que eles fazem a dor parecer mais fatal do que realmente é. Não somos tão frágeis quanto
os fios nos fariam acreditar. E gosto da relva também. Foi ela que me trouxe até você, que me
ajudou a imaginá-lo como uma pessoa de verdade. Mas não somos brotos diferentes da mesma
planta. Eu não consigo ser você. Você não consegue ser eu. Por mais que você imagine o outro,
nunca o imaginará com perfeição, não é? Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo…as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em
determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. Quando começa a
chover dentro do Osprey, ele nunca vai voltar a ser o que era. Mas ainda há um tempo entre o
momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos
por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos
além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das
rachaduras deles. Quando foi que nos olhamos cara a cara? Não até que você tivesse visto
através das minhas rachaduras, e eu, das suas. Antes disso, estávamos apenas observando a ideia
que fazíamos um do outro, tipo olhando para sua persiana sem nunca enxergar o quarto lá
dentro. Mas, uma vez que o navio se racha, a luz consegue entrar. E a luz consegue sair. "
- Cidades de Papel, John Green.
De algum jeito me encaixei em sua turbulência. Talvez até tenha amenizado um pouco o caos; mas sei que o fiz mais suportável. Odiando-me por não conseguir pará-lo, chorei novamente. Como eu queria que soubesse que eu enfrentaria vinte buracos negros por você se fosse preciso. Mais ódio. Não consigo nem se quer provar. Eu penetrei muito além da sua carne forte e resistente, mesmo tendo a minha própria pele arrancada no processo. Cheguei em sua alma - aquela que você achava que não tinha - e vi. Vi toda a sua parte desgastada e suicida e letal ao mesmo tempo, mas enxerguei a parte bela e pacífica e vívida. Achei também, nas entranhas de toda essa partição tão exata, dúvidas. Pontas de velhas histórias, cigarros apagados de vento, músicas cantadas de melodias estranhas. Memórias perdidas. Inferno em olhos. Livros escritos e jogados foras. Me coloquei bem ali, entre tudo, no centro de nada, tornando-me um artífice encabulado nesse mundo tão igual dentro de um ser tão diferente. Abraço-lhe os lábios, finos e macios, tendo camélias presas entre os dedos e sorrisos rasgados. Explodo junto em prazer e em felicidade e em amor, apesar de tudo. Em paz. Porque em meio de toda a bagunça, sendo a bagunça, iremos conseguir desembaralhas e tirar os nós de tudo isso. Os cosmos estão se ajeitando, só é preciso paciência e força de vontade. Fundirei-me à ti, meu amor, só.. me aguarde.
Eu tremia compulsivamente, meus dentes batiam e rangiam. Respirei fundo 7 vezes, mas não adiantava: meus dedos chacoalhavam sem trégua e uma dor apossava todo o meu coração. Ouvi dizer que ele é um músculo que não dói assim, mas eu tenho certeza que naquela hora doeu. A aflição mais profunda que eu já senti, como se alguém o apertasse e o contorcesse. Quis chorar um rio. Uma angústia me abrangeu, minha garganta travou. Tum-tum-tum, tum-tum-tum, ele batia - e de um jeito anormal, igual à mim. "Será que isso terá um fim?", pensei. Me faltou coragem para enfiar alguma lâmina no meu corpo, mas estava tão desesperada que eu o faria. Arfei. Eu estava pensando longe, "que roupa irão escolher para o meu funeral? Todos os meus sapatos altos estão na casa de Helena e eles não vão à Portugal para buscá-los!" "será que irão vender os meus livros?" "como irão avisar à Débora que morri? Que me matei?" "como ele irá se sentir? Será que irá chorar?". Rio ao lembrar disso, mas a morte parecia tão assustadoramente perto, pronta para me beijar. Eu até vi suas asas de corvo, escutei sua voz áspera. Senti o sangue se espalhar por dentro de mim, entupindo cada linha de corrida minha. E a dor, ah, a dor. Mil pregos me perfurando. Meteoros me detonando. Minha alma lutava para sair do meu corpo, mas eu usava as poucas forças que tinha para acalmá-la. Estava ruim, cada vez pior, caindo em um poço sem fundo. E eu não tinha nenhuma corda. (...)
and then, i realised it. we are all fated to live and love and hate and to dead. there's no way out.
20:32
Fogo no peito à uma da manhã
E
Cabelo acalentado.
Unhas
Quebradas
Cara Iluminada
Nariz
A
r
d
e
n
d
o
O vento uuUuUuiva e
Carros.....ressoam
Gargantaaperta
Vida corrrrrrrrrrrrreeeeeeee
Morte
Parte.
E
Cabelo acalentado.
Unhas
Quebradas
Cara Iluminada
Nariz
A
r
d
e
n
d
o
O vento uuUuUuiva e
Carros.....ressoam
Gargantaaperta
Vida corrrrrrrrrrrrreeeeeeee
Morte
Parte.
Deixamos um pedaço nosso em cada esquina que estivemos, em cada azulejo que pisamos, em cada pessoas que tivemos contato. Seja uma esquina que você só esteve única e rápida vez, um azulejo irrelevante ou um estranho qual você lançou um olhar de soslaio. Um fragmento se encontra nas mínimas coisas. Às vezes, você entrega uma parte sua à alguém ou algo de propósito, também. Um sonho; um amor. E outras vezes, essa parte é devolvida. Quase toda ela, pelo o menos. Também, pode ser destruída. Ou divida em vários outros pedaços. Em qualquer caso dói, mas também te proporciona prazer. Estar colado secretamente em um lugar para sempre me parece incrível; ou na alma de outra pessoa até a sua morte; ou mesmo gravado no asfalto. Sua memória, sua sensação, seu momento. Tudo ali, com Fulano ou com Rua de Tal. É como ser grande no mundo, mesmo sendo mais pequeno que um grão de areia. Então, digo: se cada grão de areia fosse tão insignificante assim, não teríamos uma praia.
Estou fora de alcance, mas me dê amor. Me dê aquele amor que você nunca se permitiu sentir antes, venha e então me pegue. Não se importe com as minhas palavras tropeçadas, com a minha falta de sabedoria, com a guerra, só me dê amor. Me entregue o seu coração, prometo que o terei com cuidado, que irei enchê-lo até cair mas cuidá-lo. E então, fique. Esteja comigo, seja meu, me deixe provar os seus lábios, chorar na sua pele. Se quiser, se esconda entre as páginas da nossa história conturbada, mas eu irei contar até dez e então te procurar. Não é possível lutar sem se ferir, querido, mas nós iremos sobreviver e então sarar, prometo, beijarei suas cicatrizes e sei que estará mais lindo do que nunca. Pinte nossos sonhos com alguma realidade, mas esqueça a certeza, por favor, eu sei, é difícil, mas se jogue. Eu estarei esperando o tempo que for necessário e sempre com a mesma força. Farpas entraram nos nossos corações, suas asas despenaram, estamos a ponto de se destruir, mas então, ande, me dê amor e tudo ficará bem. Dê-me algum tempo, mas isso é um juramento de sangue. Te entrego um pedaço da minha alma, você é a minha escolha, aceite isso. Bem-vindo ao meu corpo, a minha mente, se junte à mim, se transforme comigo. Te ligarei às quatro da manhã e te falarei besteiras todos os dias, florescerei na sua presença, arrepios irão correr-me ao receber seu olhar. Alto, estou alto e longe e sem toques e também desconcertada e mesmo assim te peço.. Me dê amor.
Cada um deles tinha um infinito dentro de si. Estrelas, amores, milhares de vidas. Corações saltitantes e enormes. Risadas borbulhantes. Uma porção de compreensão e lealdade. Infinitos sentimentos, razões, pensamentos. Todos eram lindos de um jeito singular, à sua maneira. Transbordavam almas e amor e também borboletas. Olhos vívidos. Carregavam com eles lembranças ardidas e experiências transtornadas, desenhos de traços fortes, nomes excêntricos, manias estranhas mas engraçadas. Eles caminhavam e se jogavam entre os anéis de Saturno, enfiavam-se em livros, discutiam sobre monstros. Alguns tão perto, outros tão longe, mas unidos e entrelaçados e juntos por algo bem maior que qualquer distância. Seus dedos trambolhavam durante a madrugada, a visão embaçava, uma distração sempre os apossava. Mas eles continuavam firme. Se gostando. Juntos. Às vezes um ou outro citava alguma tortura póstuma, um ou outro diziam coisas inapropriadas. Não são perfeitos e isso acabou por ser perfeito, pois as personalidades se encaixavam, as palavras combinavam e os opostos se atraiam. Nos infinitos de cada um, havia infinitos universos. Mas, com certeza, aquele que eles se encontravam era o melhor.
Achamos que as razões pertencem aos céus. E sim, em parte, pertencem mesmo. Mas a outra parte é nossa. Nós temos um peso nisso. Se uma escolha te levará a um universo diferente ou no fim te enviar ao mesmo destino, não posso dizer. Eu sou uma mera mortal, e, como isso, acredito que não somos palitinhos a serem mexidos de acordo com os conformes. Talvez eu esteja terrivelmente errada, mas prefiro ignorar isso, pois afinal, toda a vida - e até a morte - é uma grande e bela suposição. Não podemos se quer afirmar com toda a certeza que amanhã existirá oxigênio, que veremos o sol, que a Terra não despencará e nos chutará para a eternidade. O humano gosta de ser grande, porém apenas alguns realmente são. E menos ainda são grandes de um jeito bom. Sempre queremos ser mais do que temos capacidade para ser. Vontade não falta, mas geralmente, garra, persistência e fé não existem. Esperamos que isso caia ao nossos pés, Não adianta ser a maior vontade de nossas vidas se não estivermos dispostos a sangrar, sofrer, sacrificar. Coisas ficarão para trás. Nós prosseguiremos com o objetivo. Não posso dizer que sou uma grande pessoa, mas tenho um grande coração. Percorro paredes atrás de métodos de crescer, leio, sorrio e.. Sejo. Não culpando os astros, o meu Deus e nem a mim mesma. Não me ponho como objeto, não me ponho como o controlador, não me ponho como regra e tão pouco, quanto exceção. Eu aceito. Estou aqui e quero isso. Os porquês são os detalhes - sim, malditos detalhes, eu sei -, e não importa quem seja o culpado.. Fatos não se alteram, pelo o menos não o que eu conheço por fatos, não os meus fatos. Não acredito que nada seja em vão, também, pois não me rebaixo ao papel de instrumentos. Isso tudo só.. é. Há de ser, então é. Fim. Ponto. Mas reticências.
Every little thing seems possible. I can see a intire world of possiblities, of hope, of love. A different world, but, at the same time, this world. Yeah, Earth. But there is no chaos, death, hate. I can see people growing up happy, kindness being the new black, faith belonging us together. How it suppose to be. Human's eyes shows peace, not grediness. And you can see their souls. Looks like perfection, and, probably it really is. Me, you, our lovers. It's enough. We don't need diamonds, because we already shine. Really, we do. We perspire confidence, have a taste for help and we truly feel - everthing, you know that I mean. I know, you disagree with me, but this doesn't change the facts: that's all because of us. We are real and this is the reason the things will work, and will be perfect, and will be fine. I promise, you can count on me. Trut me, and then, every little thing will be possible.
Talvez a coisa mais engraçada e ao mesmo tempos trágica sobre mim, seja eu conseguir ser tudo e depois nada. Aproximo-me sorrateiramente por palavras, ganho sua confiança e te divido sorrisos. Escuto seus problemas, ajudo a não cair em escadas, te faço dançar loucamente. Eu te amo, sim, eu também te amo. Mensagens de madrugada, fotos, partição de tudo, desde roupas a comida. É assim, durante tempos, até perdemos contato durante uma semana - semana que geralmente se transforma em meses, e então anos. Depois, você se esquece do quanto eu era boa. Gentil. Amiga. Você se esquece de tudo isso e não sente mais a minha falta, abrandada por algo parecido com a culpa de não saber onde estou, como estou, sendo que metade de um verão atrás, você sabia a minha rotina de cor. Sua mente apaga os abraços, as piadas internas, as caminhadas. Soa como um passado distante, uma amizade não importante, coisa de um mês. Tudo. E de repente, eu sou nada para você. Sou empurrada à um precipício de mil milhas de profundidade, caio, caio, caio em esquecimento até ser esmagada por ele, ter meus ossos partidos, minhas esperanças arrancadas e estupradas. Viro pó e as partículas se espalham e então eu semeio e cresço e floreio em outro lugar. Então, me aproximo sorrateiramente por palavras..
Nós somos cúmplices dessa loucura toda. O clima está pesado, realmente, como se a pressão atmosférica estivesse baixa demais. Talvez esteja. Os seus gritos tinham transbordado todo o nosso lar ontem, deixou alguns de nós surdos e matou Fulano com o poder daquelas palavras. Horrível. Senti o seu ódio me atravessar mesmo estando escadas acima. Meus olhos vacilam e eu quase me quebro. Droga, por que fazer isso? O choros do pupilo quebram, lentamente, o meu coração. Quero agarrá-lo, e então niná-lo, mesmo não tendo nenhum instinto maternal. A Coisa (ela não merece nem ser chamada de pessoa) joga e estilhaça qualquer objeto repetida vezes, provocando um baque enorme na minha fina parede de gesso. Enfio a cara na minha almofada. Soa como se o mundo estivesse desabando, como se toda a porra do universo caísse sobre nós e então nos esmagasse, quebrando cada osso, apagando todas as células, sugando cada resquício de sanidade. Ela é louca, instável. Está partida, irrecuperável, doída. Profere raiva ao invés da compaixão. Mostra o dedo do meio para o mundo, diz o quanto odeia putas e o som de "inveja" e cerveja quente. Foda-se, foda-se, foda-se, lixo, vocês são um lixos, não encoste em mim, vou quebrar sua mão, idiota, babaca, estúpido, vai se foder. A mulher, garota, coisa é um peso, algo que somos obrigados a amar e aceitar e tentar sufocar com um travesseiro à noite. Sua bipolaridade atinge o auge e nós não podemos colocar um limite. Na teoria, não podemos fazer nada além de esperar a sua boa vontade, além de aturar. A culpa é nossa por não ter dado um fim nisso antes, anos e anos atrás, quando tudo ficou pior e caímos nesse poço sem fundo. Poderíamos ter desviado do caminho, ignorado as moedas. Mas não o fizemos. Agora escalo, perdendo os dedos, a parede do poço. Durante tempos esperei por isso, e finalmente, eu vejo um brilho escasso nos seus "olhos suaves". É a hora, então. O fim.
Estralo os punhos, girando-os lentamente até ouvir o crack. Linhas me ligam ao pescoço, dedos, costas. Me fazem espreguiçar como um gato, bocejar alto e sorrir para o sol. Brinco com as pontas do meu cabelo, encosto no travesseiro de novo e repentinamente, pular para o chuveiro morno. Minhas unhas estão quebradas, esmalte descascado, calos envolvem a minha pele. Cordas me puxam para uma canção qualquer usando um ritmo animado, quase me fazem escorregar ao eu dançar de um jeito atrapalhado. Mas rio, transbordo felicidade. O caminho para o trabalho parece encantador, como se eu estivesse na ilha mais paradísica do mundo. Loucura. Estou cega, mas ao mesmo tempo, vendo tudo. A beleza em um pássaro no fio elétrico, no som das botas batendo no chão, os delicados respingos da chuva de ontem. Vejo a beleza em cada coisa impossível. Meu coração compassa rapidamente, acompanhando cada pensamento. Os Estranhos me acham estranha. Finas ligações fazem que o fulano do lado suspender a sobrancelha um milésimo de segundo depois de eu tomar conhecimento disso. E é engraçado, pois eles não me conhecem, e nem eu; ele, mas mesmo assim temos o mesmo ar, o mesmo chão, o mesmo mundo. Não parece fazer sentido, mas faz. O mundo é cheio de conexões, mesmo que seja banais como essa. E eu sinto todas.