Menino bonito, corte no queixo, brecha entre dentes. Topete preto, veias saltadas, braços sarados. Fones de ouvidos e bola laranja, brilho na alma e fogo nas bochechas, pingado em leite. Beijo voraz e toque íntimo, entre camisas pretas e pele em vergões. Risada cínica, bom humor, cama grande e vazia, coração grande engrarrafado em saudade e sonhos, dor e negligência, memórias mais cigarros. Pernas que vão longe mas mente cansada e limpa, limpa demais. A peça, a cura, a paz. Amor, amor, vem cá: escuta o farfalhar das borboletas nas costelas, vê a cintilância na sua presença e sente a âncora na sua absência. Demasiado longe até mesmo deitado em mim, peito em peito, pé em pé. Pode fazer o que quiser, talentoso em quase tudo - menos em reconhecê-lo. Sem imperfeições mesmo em milhares, melhores assim, sublinhadas pelo cansaço e boca grande. Alto em tamanho, mas principalmente em espírito e vontade. Mais meu do que deles, desejo. Seja e ele é, é segurança e felicidade pura. É paixão, mas meu, meu amor.
Tu me pega entre essas assimilações
Clichê;
Previsível;
Sinistro.
Entrelinhas e na página interina leu-me sua
Tens me... Tens me.
Os teus beijos me pegam entre fogo e gelo
Medo e desejo
Será que desaparecerei, transparente e nua à tua frente?
Os teus olhos me pegam entre brilho celestial e galáxias
Viajo nas janelas de tua alma
À velocidade da luz.
Tu me pega
E me joga como bola de cristal
E me esmaga como espectro de pedra
E me atravessa como uma adaga de seda.
Tu me pega desse jeito desprevenida e sozinha
Vestida
À fumaça
Das tuas linhas.