Não basta você se sentir mal. Você tem que se sentir pior por outras pessoas também. É por isso que eu não queria ser amigos de pessoas assim - pessoas que acima de tudo, só vêem a própria dor. Eu escuto e aconselho e me preocupo, mas creio que deveria ser mútuo também. Quantas vezes já mostrei escarecidamente que queria ajuda e nada? Estou cansada disso. Elas perguntam mais por curiosidade do que por interesse em ajudar. É melhor guardar para mim mesma, assim, pelo o menos, não acontece mais uma decepção.
It's never okay.
Ela estava cercada por estranhas criaturas, que uma a uma fechou os lábios e a encarou. Mais delas surgiam a cada segundo, disparando sentenças corridas e em seguida caindo em um profundo silêncio. O coração dela bateu tão forte e rápido que teve que se forçar a respirar profundamente três vezes, chacoalhando os ombros involuntariamente, com arrepios descendo as pernas e escorrendo os dedos. Lágrimas de medo rolaram o seu rosto e ela percebeu que estava totalmente congelada. Os olhos nem se quer piscavam. Seu cérebro estava soltando faíscas e ela pensava: "meu Deus o que é isso eles vão me matar e vão jogar o meu corpo no espaço e ele vai se perder e acabar num buraco negro e eu nunca vou ver mamãe ou papai ou Nina ou ninguém de novo por favor por favor por favor não me machuque." Pensou alto, na verdade. As criaturas ficaram assustadas, ela percebeu, pois eles todos passaram para o seu lado oposto, fazendo-a os encarar.
É difícil explicar como eles são. Mundanos poderiam chamá-los de fantasmas, mas não é nada disso. Eles são reais. Suas aparências lembravam um ser humanos, mas só se viam os contornos e eles cintilavam em prateado. Os cabelos das criaturas eram em um tom metálico mais brilhante que alumínio, com os das "coisas" femininas caindo em ondas, parecendo flutuar em suas costas. Na verdade, não era só o cabelo delas que flutuavam. Eles em si o faziam, parecendo serem feitos de fumaça, irradiando um vapor sutil - dando a impressão que alguém esfregou o dedo em suas bordas, borrando-os, como fazemos com cascas de lápis em desenhos. Ninguém se moveu pelo o que pareceu ser uma eternidade, até que um deles moveu-se graciosamente para perto da menina. Tão perto que foi possível ver verdadeiros traços: olhos muito azuis, nariz fino, boca pequena, um abdômen liso, braços e pernas longas. Uma longa cascata cor de mercúrio desciam até a sua cintura. Encantada, a garota esticou os dedos , bem lentamente, para alcança-la e o ser fez o mesmo. Não tinha consciência em que tipo de consequência aquilo poderia causar - não, nem se quer pensou. Só fez. Sentiu que era certo. O encontro entre elas foi acompanhado por milhares e milhares de olhos curiosos e tensionados.
E então aconteceu. Um choque tão grande explodiu entre todas as moléculas de seus corpos. Literalmente explodiu cada molécula delas. Uma luz mais brilhante que o próprio Sol estourou naquele pedaço de mundo, espalhando sua energia não comunal em cada um que estivesse ali presente. Cada um ganhou um pouco da alma da garota, qual se infiltrou em suas partes mais profundas, recheando-os de sabedoria, fé e esperança. Não sabiam quem eram, quem queriam ser, quem deveriam ser. Mas, de repente, só.. Eram.
É difícil explicar como eles são. Mundanos poderiam chamá-los de fantasmas, mas não é nada disso. Eles são reais. Suas aparências lembravam um ser humanos, mas só se viam os contornos e eles cintilavam em prateado. Os cabelos das criaturas eram em um tom metálico mais brilhante que alumínio, com os das "coisas" femininas caindo em ondas, parecendo flutuar em suas costas. Na verdade, não era só o cabelo delas que flutuavam. Eles em si o faziam, parecendo serem feitos de fumaça, irradiando um vapor sutil - dando a impressão que alguém esfregou o dedo em suas bordas, borrando-os, como fazemos com cascas de lápis em desenhos. Ninguém se moveu pelo o que pareceu ser uma eternidade, até que um deles moveu-se graciosamente para perto da menina. Tão perto que foi possível ver verdadeiros traços: olhos muito azuis, nariz fino, boca pequena, um abdômen liso, braços e pernas longas. Uma longa cascata cor de mercúrio desciam até a sua cintura. Encantada, a garota esticou os dedos , bem lentamente, para alcança-la e o ser fez o mesmo. Não tinha consciência em que tipo de consequência aquilo poderia causar - não, nem se quer pensou. Só fez. Sentiu que era certo. O encontro entre elas foi acompanhado por milhares e milhares de olhos curiosos e tensionados.
E então aconteceu. Um choque tão grande explodiu entre todas as moléculas de seus corpos. Literalmente explodiu cada molécula delas. Uma luz mais brilhante que o próprio Sol estourou naquele pedaço de mundo, espalhando sua energia não comunal em cada um que estivesse ali presente. Cada um ganhou um pouco da alma da garota, qual se infiltrou em suas partes mais profundas, recheando-os de sabedoria, fé e esperança. Não sabiam quem eram, quem queriam ser, quem deveriam ser. Mas, de repente, só.. Eram.
because
im so so so so tired that i keep running even from myself because i cant tolerate feeling like this. this seems right but its all so wrong and is impossible to fix it. i cant fit in, i cant be a good friend, a good person, i cant be pretty enough, i cant be smart enough, i cant do the things i want to, i cant not care about people say, i cant move on, i cant keep my mouth shut, i cant do people listen to me, i cant write good enough, i cant not be a mess, i cant be normal, i cant not be selfish, i cant read that books ,i cant disappear, i cant speak neither portuguese nor english very well, i cant stop myself of feeling, i cant not want to kill everybody and then myself because its all my fault and its their fault as well and i cant tolerate anymore the voices, the noises, the war, the irregular family and that i have, i cant be who i wanna be, i cant and i cant and i cant. i cant leave my home and my mom and my cat, i cant not want attention, i cant stop to talk with him, i cant stop want to smoke and then smoke, i cant not want to call my idiot dad at the middle of the night saying please just get me a ticket to far far far far away from here
because
i just keep thinking that im losing so many people and im losing myself and i cant do anything about it, i just keep thinking that people will miss me if im gone but then they will just get over it except for my parents and even beside all this i cant do this with them
why people does not listen to me, why my parents gets mad with me about nothing, why is he too far away from me, why do i have to keep talking with her, why doesnt the things work out, why i am scream into the void, why cant i just stay in one place for good, why i dont belong to this anywhere
because
i i i i i i i i i i
im so so so so tired that i keep running even from myself because i cant tolerate feeling like this. this seems right but its all so wrong and is impossible to fix it. i cant fit in, i cant be a good friend, a good person, i cant be pretty enough, i cant be smart enough, i cant do the things i want to, i cant not care about people say, i cant move on, i cant keep my mouth shut, i cant do people listen to me, i cant write good enough, i cant not be a mess, i cant be normal, i cant not be selfish, i cant read that books ,i cant disappear, i cant speak neither portuguese nor english very well, i cant stop myself of feeling, i cant not want to kill everybody and then myself because its all my fault and its their fault as well and i cant tolerate anymore the voices, the noises, the war, the irregular family and that i have, i cant be who i wanna be, i cant and i cant and i cant. i cant leave my home and my mom and my cat, i cant not want attention, i cant stop to talk with him, i cant stop want to smoke and then smoke, i cant not want to call my idiot dad at the middle of the night saying please just get me a ticket to far far far far away from here
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i just keep thinking that im losing so many people and im losing myself and i cant do anything about it, i just keep thinking that people will miss me if im gone but then they will just get over it except for my parents and even beside all this i cant do this with them
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Encontrou-se respirando um ar gélido e áspero, que deixava cócegas nas suas vias aéras e refrescava o pulmão a cada golfada. Ela não tinha fechado os olhos por aquele minuto inteiro depois de ter chegado ali, com medo de tudo aquilo desaparecer, escapar como um sonho o faz algumas horas depois de acordamos. Mas então seus olhos não aguentavam mais, e instintivamente, ela piscou. E piscou. E piscou. E as coisas continuaram daquele jeito.
Que coisas, exatamente?
Se você a perguntasse, ela não iria saber te dizer - isso porque a menina é a mais tagarela de todo o bairro, do tipo que, quando a família senta à mesa, ela fala tanto que deixa a comida esfriar e sua mãe tem que aquecer de novo. Grandioso, talvez, conseguisse pronunciar, mesmo que não seja o suficiente. Olhou ao seu redor, atordoada, com sinapses correndo e correndo em seu corpo, lutando para entender aquilo.
Era óbvio que não era o mesmo planeta: ela sabia disso pelos livros. Não escutou nem um ruído além das vozes dentro de sua mente, viu bilhares de estrelas grudadas ao céu e cada ponto que olhava havia um círculo bem grande, como se fosse uma lua. O chão era macio de pisar, mas ao mesmo tempo, escorregadio. Então o desespero finalmente baixou-se, demorando um pouco mais do esperado. Primeiramente, ela não tinha ideia de onde estava - mas sabia que estava muito longe de casa. Segundo, não sabia o que tinha acontecido. Terceiro, ela não tinha água nem comida nem mesmo um casaco (note que a menina está de pijamas azuis). Quarto, ela estava sozinha.
Não demorou muito para os soluços virem e todas as possibilidades loucas voarem para a sua cabeça em um segundo. Será que sua família irá a procurar por anos e anos e então assumir que ela morreu de algum jeito misterioso, como todos fazem? O que acontecerá a Sra. Plum? E os seus livros, quem irá limpá-los toda semana e arrumá-los por título e tamanho e cor? Qual será o final de O Pequeno Príncipe (ela havia começado a lê-lo um dia antes e estava quase terminando-o)? As pessoas irão chorar por sua causa? Nina, sua cocker spaniel gorda, irá sentir sua falta? Sua irmã ficará com o seu quarto e tirará todo o papel de parede florido porque sempre odiara, enquanto a menina demorou horas para colocá-lo? Mamãe a matará se ela morrer. Ou desaparecer. E agora? Ela irá morrer de frio ou de fome? Qual seria o mais doloroso? O que há depois da morte? Oh. Meu. Deus. Ela nunca vai dizer adeus para mamãe. Nem para Carolina ou Thomas. Eles nunca saberão o quanto ela os ama. Pensando em tudo isso e mais um pouco e mais ao mesmo tempo, seu cérebro gritou por uma pausa. Não aguentava mais pensar: era demais ter de lidar com tanta informação.
Sentindo-se impotente - uma das sensações que mais odiava -, jogou-se no chão, que acolheu-a como um manto quente e chorou até cair no sono. Teve pesadelos confusos sobre prédios altos e morangos, acordando toda hora esperando estar em casa. Levantou-se sabe se lá quanto tempo depois, com os ciclios grudados e pela primeira vez na vida, com fome - mas fome de verdade, ao ponto de parecer que tem um buraco no seu estômago e você, gradualmente, sentir seu corpo tentando absorver toda a gordura possível que há (e no caso da menina, não era muita, considerando sua magreza de garça). Ela nunca havia sentido tanta assim, se sentiu fraca e a sua visão começou a ficar turva e preta. Agachou-se, mas tentou manter a cabeça levantada. Não tinha certeza se funcionava, mas sua avó dizia para o fazer se sentisse qualquer tipo de sensação ruim - não apenas fraqueza assim, mas como espíritos e coisa e tal. Calafrios percorreram sua espinha e uma de suas sobrancelhas automaticamente levantou-se ao ouvir um ruído. Tentou se concentrar nele e não no fato de tudo estar um verdadeiro caos, percebendo mais o ruído tão tão tão baixo que só naquele profundo silêncio poderia ser ouvido. Não tinha ideia do que poderia ser, mas agarrou-se à aquilo como sua última esperança. Se pôs em pé lentamente, caminhando em pés cuidadosos atrás do barulho, que lembrava o sopro de uma brisa e sussurros. Estava apenas seguidos seus instintos, apurados e desesperados por qualquer chance de sobrêvivencia.
O som ficava mais e mais alto, multiplicando-se duas vezes a cada passo seu. E, mais uma vez, não conseguia acreditar no que estava vendo.
Que coisas, exatamente?
Se você a perguntasse, ela não iria saber te dizer - isso porque a menina é a mais tagarela de todo o bairro, do tipo que, quando a família senta à mesa, ela fala tanto que deixa a comida esfriar e sua mãe tem que aquecer de novo. Grandioso, talvez, conseguisse pronunciar, mesmo que não seja o suficiente. Olhou ao seu redor, atordoada, com sinapses correndo e correndo em seu corpo, lutando para entender aquilo.
Era óbvio que não era o mesmo planeta: ela sabia disso pelos livros. Não escutou nem um ruído além das vozes dentro de sua mente, viu bilhares de estrelas grudadas ao céu e cada ponto que olhava havia um círculo bem grande, como se fosse uma lua. O chão era macio de pisar, mas ao mesmo tempo, escorregadio. Então o desespero finalmente baixou-se, demorando um pouco mais do esperado. Primeiramente, ela não tinha ideia de onde estava - mas sabia que estava muito longe de casa. Segundo, não sabia o que tinha acontecido. Terceiro, ela não tinha água nem comida nem mesmo um casaco (note que a menina está de pijamas azuis). Quarto, ela estava sozinha.
Não demorou muito para os soluços virem e todas as possibilidades loucas voarem para a sua cabeça em um segundo. Será que sua família irá a procurar por anos e anos e então assumir que ela morreu de algum jeito misterioso, como todos fazem? O que acontecerá a Sra. Plum? E os seus livros, quem irá limpá-los toda semana e arrumá-los por título e tamanho e cor? Qual será o final de O Pequeno Príncipe (ela havia começado a lê-lo um dia antes e estava quase terminando-o)? As pessoas irão chorar por sua causa? Nina, sua cocker spaniel gorda, irá sentir sua falta? Sua irmã ficará com o seu quarto e tirará todo o papel de parede florido porque sempre odiara, enquanto a menina demorou horas para colocá-lo? Mamãe a matará se ela morrer. Ou desaparecer. E agora? Ela irá morrer de frio ou de fome? Qual seria o mais doloroso? O que há depois da morte? Oh. Meu. Deus. Ela nunca vai dizer adeus para mamãe. Nem para Carolina ou Thomas. Eles nunca saberão o quanto ela os ama. Pensando em tudo isso e mais um pouco e mais ao mesmo tempo, seu cérebro gritou por uma pausa. Não aguentava mais pensar: era demais ter de lidar com tanta informação.
Sentindo-se impotente - uma das sensações que mais odiava -, jogou-se no chão, que acolheu-a como um manto quente e chorou até cair no sono. Teve pesadelos confusos sobre prédios altos e morangos, acordando toda hora esperando estar em casa. Levantou-se sabe se lá quanto tempo depois, com os ciclios grudados e pela primeira vez na vida, com fome - mas fome de verdade, ao ponto de parecer que tem um buraco no seu estômago e você, gradualmente, sentir seu corpo tentando absorver toda a gordura possível que há (e no caso da menina, não era muita, considerando sua magreza de garça). Ela nunca havia sentido tanta assim, se sentiu fraca e a sua visão começou a ficar turva e preta. Agachou-se, mas tentou manter a cabeça levantada. Não tinha certeza se funcionava, mas sua avó dizia para o fazer se sentisse qualquer tipo de sensação ruim - não apenas fraqueza assim, mas como espíritos e coisa e tal. Calafrios percorreram sua espinha e uma de suas sobrancelhas automaticamente levantou-se ao ouvir um ruído. Tentou se concentrar nele e não no fato de tudo estar um verdadeiro caos, percebendo mais o ruído tão tão tão baixo que só naquele profundo silêncio poderia ser ouvido. Não tinha ideia do que poderia ser, mas agarrou-se à aquilo como sua última esperança. Se pôs em pé lentamente, caminhando em pés cuidadosos atrás do barulho, que lembrava o sopro de uma brisa e sussurros. Estava apenas seguidos seus instintos, apurados e desesperados por qualquer chance de sobrêvivencia.
O som ficava mais e mais alto, multiplicando-se duas vezes a cada passo seu. E, mais uma vez, não conseguia acreditar no que estava vendo.
Na manhã de seu aniversário de treze anos, uma caixinha de cetim púrpura apareceu debaixo de seu travesseiro. A menina tinha passado a noite em claro, revirando-se em lençóis, suando sonhos sem sentidos e com o cérebro ligado à mil ideias. Ela queria chorar de frustração: queria ter uma boa noite de sono para aproveitar o dia inteiro amanhã e estava acontecendo totalmente o contrário. Não entendia o que tinha de errado, afinal, como todo dia antes de completar mais um ano de vida, ela tomava o Chá de Cobertor que sua vó Amélia lhe preparava especialmente nessa época, para calmar-lhe os nervos e esquentar-lhe dando jus ao nome, e então tirava o Plum (uma cabrita de pelúcia) de dentro do grande baú de carvalho branco. Tudo isso era feito pois a menina, desde as fraldas, tinha problemas com ansiedade. Qualquer situação que exigisse um pouco mais de pressão, por exemplo, a deixava trêmula e pálida como a luz da Lua. E de algum jeito, mesmo não tido fechado os olhos por um segundo, aquela caixa apareceu ali. Como se tivesse brotado. Ela a descobriu ao mudar seu travesseiro para a parede, arrumando-se para ler algo alguns minutos depois do Sol adentrar sua janela, acabar com qualquer chance de ela dormir e privando-lhe luz. Não ficou brava com o Sol, de qualquer jeito, pois sabia que o mundo não gira ao seu redor e que ele tinha um dever à cumprir. Na verdade agradeceu-o, porque seus raios deram-la a oportunidade de fazer uma coisa útil. Não sentiu raiva, também, de sua irmã ter pegado as suas cortinas meses atrás e tê-la transformado-a em um vestido. O vestido caiu muito bem nela. Agarrou o curioso objeto e o abriu, ficando deslumbrada pelo o que ali dentro guardava. Um anel prateado com uma pedra em cima, rodeado pelas metades de uma forma côncava pintadas com três pontos e círculos bem pequeno. A pedra era a mais maravilhosa que já tinha visto: num tom de verde-água, algumas leves linhas azuis marinho a traçavam, lembrando veias e ela era perfeitamente polida e brilhante. Colocou no dedo anelar direito - esse que a vó dizia ser ligado ao coração - antes mesmo de ler o bilhete grudado, em letras tão miúdas que ela teve que procurar sua lupa.
"O Sétimo é seu
Como o sono pertence à Orfeu;
O cuide e o acolhe
Mesmo que sua alma molhe.
Os reinos deverá comandar
E em sua posse ele irá levantar.
O tempo se tornará difícil,
Então use o seu apito.
AVISO: não colocar o anel até o Solstício de Inverno."
Um segundo depois, ela entendeu o porquê.
"O Sétimo é seu
Como o sono pertence à Orfeu;
O cuide e o acolhe
Mesmo que sua alma molhe.
Os reinos deverá comandar
E em sua posse ele irá levantar.
O tempo se tornará difícil,
Então use o seu apito.
AVISO: não colocar o anel até o Solstício de Inverno."
Um segundo depois, ela entendeu o porquê.
Against the flowered wall he pressed her hips. The night was freezing cold, but they were burning and burning, bodies almost glued, just a fucking short distance separating them. They wanted more, they were craving for less space between them, they were begging to become just one person, almost proving that the law of two bodies can't occupy the same space at the same time is totally a lie. Their lips were dancing and playing with each other like who-is-the-best and on that fight, there was no loser. They sweating in joy and danger, everything mixed and confused, so grateful of being there that at that moment the sky could fell and the world could end and everything that they had been through worth it. He wanted to.. Well. She didn't really know. But she, God, she wanted to run away with him and live all the fights, the kisses, the movie-nights, the make-up, the midnight talks, the arguments about who would wash the dishes, live everything that was being waited to be lived. The things that they never had a chance to do. That they will do. Somehow, she thought, she would be with him.
Folham rolavam pelo chão fazendo um chiado áspero. A paisagem estava deteriorada: as árvores nuas, as nuvens nada tímidas, buracos fundos no chão preenchidos com água, corvos alimentando-se de si mesmos. Luzes redondas bordavam a cidade e crianças eram afogadas em casacos exagerados e os penteados de suas mães foram estragados pela chuva persistente. Era por isso que ninguém a encarava. Seu rímel borrado poderia ser por isso, as roupas poderiam estar naquele estado deplorável por causa da lama que rodeava todo o lugar, os cortes no rosto pelo vento de oitenta quilômetros por hora. Era loucura sair de casa naquele dia. Você poderia ficar preso na neve de um metro de altura, morrer de hipotermia ou ser atingido por um carro por causa da pista escorregadia. Mas ainda há pessoas que precisavam o fazer - como ela. Olhou revoltada para as mães em Calvin Klein, Gucci e Chanel, ali pelo luxo, enquanto ela sofria como uma borralheira escrava. Como Cinderela, mas sem a beleza e a fada madrinha - pensou. A dor a atingia em pontos altos e baixos, numa montanha russa masoquista, como se os carrinhos fossem feitos de prego e os trilhos banhados em lava, mas que ainda tivesse cinto de segurança e as voltas mais rápidas do mundo. Ela cansou. Cansou. Can-sou. Virou as mesas, quebrou o lustre de dez mil cristais e jogou todas aquelas estúpidas pessoas contra a parede. Com os olhos. (...)
Uma sala de paredes e chão tão brancos quanto folhas sulfites. Luz entrava pelo teto, fazendo quase impossível olhar-se adiante. O garoto entrou. Manchou o chão com as suas botas enlamadas e ignorando a claridade cegante, virou a cabeça pra cima e sabia que ali tinha alguma coisa. Pisou fundo e continuou. O silêncio era tão pesado que era possível molda-lo ao seus conformes. Os olhos arderam, como se todos os raios solares resolvessem pousar ali. Enfiando o rosto nos braços, tropeçou nos cadarços. Sua avó sempre dizia para amarrá-los, mas ele nunca deu a mínima: colocava-os dentro do sapato de qualquer jeito e fazia o que tinha que fazer. Não gostava de desperdiçar o seu tempo com coisas assim. Agora, o que mais tinha era tempo. Parou e os enlaçou. Satisfeito, prosseguiu e distinguiu uma forma alguns metros de distância. Seria uma menina...?
Era.
Era definitivamente uma menina.
Era "a" menina.
Ela estava com as costas cobertas pelo cabelo preto liso, bagunçado, com margaridas colocadas entre as mechas, abraçada aos joelhos e com a cabeça caída.. Pintas delicadas traçavam os braços e as pernas, ele via. Costelas saltavam, os ossos dos quadris nus. Alex sentiu sua melancolia dali. Quis correr até seus pulmões estourarem, mas não o fez. Não era covarde. Ele tinha que enfrentar as consequências. Só não entendi: por que fora enviado ali? Como ela ainda está viva? Ele já não estava sofrendo o suficiente?
Suspeitava, no entanto, a resposta da última pergunta. Era óbvio que não, ele descobriu, assim que a menina se virou.
Ela notou tudo. Os cabelos loiros dele estavam levantados num topete rebelde, as cicatrizes daquela vez que a encontrara só estavam mais saliente, uma nova camiseta o cobria, o nariz milímetros mais entortado, nem mesmo um fantasma de sorriso em seu rosto. As mesmas botas. Os mesmos olhos - não. Isso era mentira. Dessa vez eles não a levavam para a sua alma. Era como se estivesse vazio, opaco. Talvez estivesse.
Alex gemeu. Não sentiu nada além do comum: a dor excruciante no peito, bem no coração - e não era só física. Aquilo que, metaforicamente dizendo, ele não tinha. A ironia disso é mais do que óbvia. Os pesadelos atormentavam-o toda maldita noite, os lapsos de memória rachando o seu crânio a cada segundo, demônios correndo em sua pele. Não havia exorcista que os tirassem. Não havia mais cura que o curasse. Nem a morte iria acolhê-lo mais. (...)
Dei um passo para fora de casa e congelei quase que literalmente. Com certeza o termômetro marcava uns cinco graus. Respirei fundo, soltando o ar pela boca.
- Eu sou um dragão. - disse, rindo, vendo a fumaça saindo.
Elas me imitaram, expelindo dióxido de carbono quente, condensando com a temperatura gelada.
- Não conte que saí, sim? - grito para algumas pessoas na porta.
Ouço alguns "o.k" e continuo andando.
- Vem. - chamei-as, correndo pela rua úmida.
Nós andamos de mãos dadas, sorrindo sob árvores peladas, pulando poças. Meu cachecol fazia meu pescoço pegar fogo e meu cabelos estavam desgranhados por causa da brisa. Mas no fim, nada disso importava. Meus dedos pareciam que iam cair de tão gelados.
- Olhem para cima. - falei.
Lua e Anna arregalaram os olhos.
- Você não estava brincando quando disse que dava para ver as estrelas. - Lua disse, meio fanha, gripada.
Eram milhares e milhares, mais do que poderíamos contar - mesmo se quiséssemos.
- É triste pensar que a maioria está morta.
- É.
- Sim. Mas você não percebe o quanto maravilhoso isso também pode ser? Elas brilham mesmo depois de sua existência, como se dissessem que não é preciso estar viva para continuar vivendo.
- Estrelas são muito sábias.
- Mais do que nós, com certeza.
- Mas é verdade, o que elas dizem.
- Como assim?
- Tem dois ou mais jeitos de ver isso. Um é que há tanta gente morta que fez história. Que inspirou pessoas, por exemplo. O outro é que tem gente que a alma está apagada, quebrada, mas continua em pé. Às vezes até estampando um sorriso.
Anna me cutucou.
- Não é os nossos casos.
Ela pegou a minha mão e a de Lua e nos arrastou para o meio da estrada.
- Nós ainda somos frutas frescas, que acabaram de cair da árvore. A queda pode ter sido dura, mas estamos inteiras. Daqui a algum tempo, talvez, vermes nos encontre. Mas antes disso, temos todo uma cor e o perfume. Por que não aproveitar isso?
Entendi o que ela estava fazendo assim que nós colocou num círculo. Girei. Tropecei nos meus pés, e ri e ri e ri. Arrastei-as junto comigo, ficando tonta, zonza e patética. Mas pelo o menos eu não estava sendo patética sozinha. Certo? Certo?...
- Eu sou um dragão. - disse, rindo, vendo a fumaça saindo.
Elas me imitaram, expelindo dióxido de carbono quente, condensando com a temperatura gelada.
- Não conte que saí, sim? - grito para algumas pessoas na porta.
Ouço alguns "o.k" e continuo andando.
- Vem. - chamei-as, correndo pela rua úmida.
Nós andamos de mãos dadas, sorrindo sob árvores peladas, pulando poças. Meu cachecol fazia meu pescoço pegar fogo e meu cabelos estavam desgranhados por causa da brisa. Mas no fim, nada disso importava. Meus dedos pareciam que iam cair de tão gelados.
- Olhem para cima. - falei.
Lua e Anna arregalaram os olhos.
- Você não estava brincando quando disse que dava para ver as estrelas. - Lua disse, meio fanha, gripada.
Eram milhares e milhares, mais do que poderíamos contar - mesmo se quiséssemos.
- É triste pensar que a maioria está morta.
- É.
- Sim. Mas você não percebe o quanto maravilhoso isso também pode ser? Elas brilham mesmo depois de sua existência, como se dissessem que não é preciso estar viva para continuar vivendo.
- Estrelas são muito sábias.
- Mais do que nós, com certeza.
- Mas é verdade, o que elas dizem.
- Como assim?
- Tem dois ou mais jeitos de ver isso. Um é que há tanta gente morta que fez história. Que inspirou pessoas, por exemplo. O outro é que tem gente que a alma está apagada, quebrada, mas continua em pé. Às vezes até estampando um sorriso.
Anna me cutucou.
- Não é os nossos casos.
Ela pegou a minha mão e a de Lua e nos arrastou para o meio da estrada.
- Nós ainda somos frutas frescas, que acabaram de cair da árvore. A queda pode ter sido dura, mas estamos inteiras. Daqui a algum tempo, talvez, vermes nos encontre. Mas antes disso, temos todo uma cor e o perfume. Por que não aproveitar isso?
Entendi o que ela estava fazendo assim que nós colocou num círculo. Girei. Tropecei nos meus pés, e ri e ri e ri. Arrastei-as junto comigo, ficando tonta, zonza e patética. Mas pelo o menos eu não estava sendo patética sozinha. Certo? Certo?...
À borda do abismo, havia essa tal forma. Aquilo tinha curvas abstratas, mas o suficiente para traçar um corpo esplêndido, de cintura fina, seios volumosos, pernas longas e asas. Asas enormes nasciam de suas costas, que batiam tentando expelir Caos de si. Ela se camuflava com a escuridão, perdida entre as irregularidades da paisagem atrás, lambendo todo o vácuo. Ondulações a rodava, fumaças brotavam de suas linhas, preenchidas por um cinza tão cinza que até as nuvens chuvosas invejam. Buracos negros giravam a barra de seu vestido, quando o próprio usava estrelas como diamantes e galáxias como pérolas. Em sua face, uma expressão de deleito se espreitava, escondida em um sorriso meio aberto, os lábios pintados com todos os sangues de becos da história, olhos de coruja observavam. Ela carregava um cetro - isso era possível ver perfeitamente - com a Lua no topo, enrolado em papoula. Abriu os braços e piscou os olhos. E se jogou.
Então ela se levantou. Caminhou sobre aquele chão de textura esquisita, que parecia pele humana. Não. Era pele humana. Deu uma olhada ao seu redor e concluiu que não havia mais tempo para descansos. Se eles não achassem qualquer líquido ou comida, morreriam por falta disso - o que era um jeito patético de partir, considerando que haviam milhares de monstros ali em baixo.
- Vamos. - disse, num pulo, com a voz mais animadora que conseguiu.
Puxou a mão cheia de bolhas, inchada, vermelha do namorado cuidadosamente e o forçou a andar. Eles andaram pelo o que pareceu quilômetros por dias. Mas o tempo corria diferente ali. Poderia ser apenas um minuto ou mesmo um ano. Ela afastou esse pensamento chacoalhando a cabeça forte. Percy tinha os lábios rachados, a camisa cheia de buracos e cortes em cada membro. Annabeth mal conseguia se mover, até os seus ossos pareciam se fragilizar, ameaçando transformar-se no mesmo ácido vermelho das "nuvens" daquele lugar, os seus olhos embaçados e estômago ardido. Rezou à sua mãe, mais uma vez, implorando por qualquer ajuda. Aquela estúpida estátua trouxe não só ela, mas o seu amor - que não tinha nem que estar com ela, também - junto para ali. E então avistou um rio, no meio do vazio, como um oásis perdido. O casal trocou um olhar incrédulo e eles correram para perto.
- Droga. - xingou Percy, percebendo que não era água que navegava ali.
Era uma substância que tremulava em vermelho e laranja e amarelo, soltando pequenas faíscas ao colidir com pedras, deslizando pela cama do rio e erodindo cada parte do próprio, mais e mais, até formar pequenas saliências em sua superfície. Conforme os segundos passavam, aquilo parecia apressar o seu percurso.
- Espera.
Ele olhou para ela. Annabeth vasculhou a mente à procura de lendas, qualquer coisa que a certificasse que o líquido poderia ser bebido e não matá-los.
- Isso é fogo. - ela disse.
- Fogo.. líquido?
- Esse é o rio Flegetonte. O fogo faz as criaturas que são condenadas ao sofrimento eterno sobreviver mais e se fortalecer, para então sofrerem mais.
- Ótimo, adoro sofrimento. - o namorado comentou ironicamente, revirando os olhos.
- Não seja burro. É a nossa chance.
Juntou-se à margem do rio e uniu as mãos. Ela tinha que arriscar, precisava de força. Enfiou as mãos esperando queimar-se, mas sentiu apenas uma sensação estranhamente refrescante, como uma brisa no fim de uma noite no verão. Apanhou o fogo e bebeu: desceu rasgando, preenchendo sua garganta com um gosto de graxa e estrume e própolis puro. Quis vomitar, mas se fez continuar a derramar aquilo na boca e engolir de novo e de novo. Se sentia mais forte, como se tivesse tomado uma garrafa de néctar e comido ambrosia. O tornozelo parecia bem mais suportável, o pulmão parou de tentar queimar os próprios brônquios. Olhou para Percy e ele a encarava horrorizado.
- Sua vez.
Baseado em A Casa de Hades.
- Vamos. - disse, num pulo, com a voz mais animadora que conseguiu.
Puxou a mão cheia de bolhas, inchada, vermelha do namorado cuidadosamente e o forçou a andar. Eles andaram pelo o que pareceu quilômetros por dias. Mas o tempo corria diferente ali. Poderia ser apenas um minuto ou mesmo um ano. Ela afastou esse pensamento chacoalhando a cabeça forte. Percy tinha os lábios rachados, a camisa cheia de buracos e cortes em cada membro. Annabeth mal conseguia se mover, até os seus ossos pareciam se fragilizar, ameaçando transformar-se no mesmo ácido vermelho das "nuvens" daquele lugar, os seus olhos embaçados e estômago ardido. Rezou à sua mãe, mais uma vez, implorando por qualquer ajuda. Aquela estúpida estátua trouxe não só ela, mas o seu amor - que não tinha nem que estar com ela, também - junto para ali. E então avistou um rio, no meio do vazio, como um oásis perdido. O casal trocou um olhar incrédulo e eles correram para perto.
- Droga. - xingou Percy, percebendo que não era água que navegava ali.
Era uma substância que tremulava em vermelho e laranja e amarelo, soltando pequenas faíscas ao colidir com pedras, deslizando pela cama do rio e erodindo cada parte do próprio, mais e mais, até formar pequenas saliências em sua superfície. Conforme os segundos passavam, aquilo parecia apressar o seu percurso.
- Espera.
Ele olhou para ela. Annabeth vasculhou a mente à procura de lendas, qualquer coisa que a certificasse que o líquido poderia ser bebido e não matá-los.
- Isso é fogo. - ela disse.
- Fogo.. líquido?
- Esse é o rio Flegetonte. O fogo faz as criaturas que são condenadas ao sofrimento eterno sobreviver mais e se fortalecer, para então sofrerem mais.
- Ótimo, adoro sofrimento. - o namorado comentou ironicamente, revirando os olhos.
- Não seja burro. É a nossa chance.
Juntou-se à margem do rio e uniu as mãos. Ela tinha que arriscar, precisava de força. Enfiou as mãos esperando queimar-se, mas sentiu apenas uma sensação estranhamente refrescante, como uma brisa no fim de uma noite no verão. Apanhou o fogo e bebeu: desceu rasgando, preenchendo sua garganta com um gosto de graxa e estrume e própolis puro. Quis vomitar, mas se fez continuar a derramar aquilo na boca e engolir de novo e de novo. Se sentia mais forte, como se tivesse tomado uma garrafa de néctar e comido ambrosia. O tornozelo parecia bem mais suportável, o pulmão parou de tentar queimar os próprios brônquios. Olhou para Percy e ele a encarava horrorizado.
- Sua vez.
Baseado em A Casa de Hades.
"I wanna sleep
but I'm not tired
and I wanna tell someone
but I can't
they all think I'm happy
but they're wrong
because dad is mad
and mom is sad
and the weather is moody
and I'm just filled
with nothing but anxiety
and I really wanna sleep
but I am still awake
and still not tired."
autoria de "p.y."
but I'm not tired
and I wanna tell someone
but I can't
they all think I'm happy
but they're wrong
because dad is mad
and mom is sad
and the weather is moody
and I'm just filled
with nothing but anxiety
and I really wanna sleep
but I am still awake
and still not tired."
autoria de "p.y."
Você é um monstro. Você merece isso. Cada milênio de sofrimento, cada estímulo de dor, cada fincada no seu cérebro. Você mais matou do que viveu, mais odiou que amou, mais falou do que escutou. Você não sabe de nada. Não aprendeu nada. Dois mil anos de idade e você só aprendeu a esconder o sangue das suas mãos, a manipular qualquer coisa que exista, torturar até os mais inocentes. Você sentiu demais a dor e nunca parou pra se arrepender de nada. Isso poderia ter te salvado. Nunca na sua alma você pensou em mim ou mesmo em Amara. Você ajudou o universo a girar por sua causa mais de quinhentas geraçōes, você fez pessoas se apaixonarem só para nunca ficarem juntas, você fez irmãos se matarem, você fez pais perderem suas crianças, você estragou memórias, você arrancou páginas de livros não terminados, você me fez morrer de angústia e ressuscitar por vingança, você a matou pela própria sede de eternidade sendo que você não tinha nem conhecimento do real significado disso. Eu nunca duvidarei do seu amor por ela, S. Nunca. E isso que destrói minha alma já destruída cada segundo mais. Tudo isso foi por ela? Não por mim? Por quê? O que ela tinha que eu não? O imã entre vocês é tão forte que mesmo séculos e séculos depois, o amor continuou à busca de uma continuidade. De um final feliz. O que eu nunca vou ter, pois você não deixou. Você não tem fim, S. E eu? Eu tive tantos fins que me perdi entre os começos. Foram criadas constelaçōes por você, emoçōes novas, histórias. Você deu uma nova rota à Terra. E você é um monstro. E eu te amo, assim, tanto que afoguei você e Amara e todos as Elenas e Stefans da história e até a mim mesma e num lugar tão fundo que não há corda que nos salve. E nós todos merecemos isso.
Ela juntou as mãos e forçou um sorriso. Cada movimento seu levantava poeira, o ar raspava e esfolava seus pulmões e os ossos, frágeis, poderiam quebrar-se em um piscar de olhos. Seu estômago gritava por qualquer mísero pedaço de algo comestível, seu pele se rachava em bolhas e cicatrizes que iria carregar para sempre consigo e a traqueia chorava por uma gota de água. Suplicou a ajuda de sua mãe mais uma vez, usando qualquer resquício de fé que tinha lhe restado. Os cabelos fediam à ferrugem e as pontas estavam chamuscadas, o rosto sujo de lágrimas e deuses-sabem-mais-o-quê, além de que a dor no tornozelo poderia a desmaiar a qualquer segundo. Olhou para o seu amor, contemplada no quanto tudo injusto isso era, quanto sofrimento provavelmente em vão, quantas experiências que os dois iriam perder. Os olhos verde-água do menino reluziam com um pouco de esperança ao ver esse seu movimento de lábios. Ela precisava estar lá, por ele, quanto o garoto esteve tantas outras vezes - ao seu lado. A morte é o caminho trilhado por eles desde o segundo que nasceram. Mas de qualquer jeito, ela já se sentia morta: conseguia sentir suas entranhas apodrecendo, o sangue caminhando entre suas veias ao invés de correr, o cérebro fritando, entrando em conflito com ele próprio.
- Talvez seja hora. - a garota não sabe de onde tirou palavras, pois achava que suas cordas vocais tinham secado.
Ele lançou-lhe um olhar incrédulo.
- Viemos longe, não desista agora.
- Eu não aguento mais. Parece muito mais simples só..
- Escute, - ele a interrompeu - não. Pare. Faça o que é certo, não o que é fácil. Eles precisam de você, Annabeth. Eu preciso de você.
inspirado em A Casa de Hades
- Talvez seja hora. - a garota não sabe de onde tirou palavras, pois achava que suas cordas vocais tinham secado.
Ele lançou-lhe um olhar incrédulo.
- Viemos longe, não desista agora.
- Eu não aguento mais. Parece muito mais simples só..
- Escute, - ele a interrompeu - não. Pare. Faça o que é certo, não o que é fácil. Eles precisam de você, Annabeth. Eu preciso de você.
inspirado em A Casa de Hades
Agora, eu não gosto tanto do céu - me lembra você. Talvez seja besteira parar de apreciá-lo por sua causa, mas é pior estragar algo tão bonito com sentimentos tão ruins. Azul escuro, azul claro, roxo, rosa, laranja. Nem se quer olho mais pela minha janela, não importa o que aconteça, só.. Ignoro, como se não existisse nada algo além do nosso planeta. A chuva chorando, molhando meus cobertores, afogando meus pés, nem me irrita mais. Nunca mais vi aqueles pássaros negros que costumavam voar toda hora em bandos por aqui, que pousavam no meu telhado: parece que eles não gostam de pessoas que estejam maltratando o céu - estou o magoando, mas é necessário. Agora, as estrelas representam toda a beleza em sua tragédia. É lindo, mas trágico para seres como eu. Quebrados, feridos, estúpidos. Para esses que não conseguem alcançá-las, que se tormentam pensando no dia que vamos roubar alguma, que pensam de mais e fazem de menos. A beleza em poder reconhecer isso, mas a trágedia em não saber usar. Agora, olho para a Lua e a luz me ultrapassa. Me perdi tanto nos fantasmas que tornei-me um. Ela não me perdoou por tê-la abandonado. E eu não mereço sua compaixão. Agora o Sol não sorri mais para mim, não me enche de energia mais. Os raios coçam minha alma, mas não chegam mais perto. Agora as nuvens não me deixa pintá-las mais; nem assoprá-las ou mesmo varre-las; a brisa parou de sussuras histórias ao pé do meu ouvido; o vento também nem dança mais com os meus cabelos. E não é só culpa sua, como minha. Talvez algum eles me perdoem. Talvez algum dia eu me perdoe.
Mais uma vez, se jogou contra as paredes listradas. Aquilo era o o inferno, e o pior que era... Quase que literalmente. Estava um calor que, a cada passo dele, deixava o chão meio deformado. Uma voz ressoou ao corredor gélido:
- VINTE E UM!
Então era a sua vez. Ele revirou os olhos, murmurou um "finalmente" e saiu do quarto. As botas arrastavam pelo piso reluzente folhas e cinzas, deixando uma trilha por onde passava, e o garoto recebia olhares desaprovadores no caminho. Sua aparência estava grotesca e totalmente inadequada. Ele ouvia os outros pensando coisas como "Tem que ser maluco para encontrar o Mestre desse jeito", "Onde já se viu alguém fazer isso?", "Que falta de respeito!". Queria responder de volta. A primeira fala era de Margareth, uma velha carrancuda achada nua em meio das ovelhas - e depois ele que era maluco. Mas seguiu silenciado. Guiado por homens em azul escuro de dois metros e meio de altura, desceu escadas, cruzou pátios, andou o Palácio todo. Era grandioso, realmente, até ele tinha que admitir. Não tinha nem uma ponta de dedo de trabalho humano naquilo, porque nunca, nem em um milhão de anos, alguém mortal conseguiria fazer tamanha perfeição. Tetos altos abobados, paredes bordadas com ouro, janelas no chão. Ele pisava com força ao chegar nessas, pensando que, se quebrassem, poderia tirar alguma vantagem disso depois. Mas nada aconteceu, nem mesmo uma rachadura. Chegou, finalmente, aonde deveria. Por um milésimo de segundo, se sentiu envergonhado pelo seu estado - camiseta cheia de rasgos molhada em sangue, casaco furado, rosto arranhado, cabelo revolto - mas só por um milésimo de segundo. Nem diante à Ele o garoto recuava.
- Mestre. - disse com a voz arranhada, fazendo uma breve referência.
- Estou cansado de você, Maxillius. Quantas vezes no último século te vi agachar diante à mim?
O som mais claro que os seus ouvidos poderiam ouvir era esse, de sua voz. A figura deixava-o cego, apenas dando-lhe algumas formas. O trono em sua frente era a única coisa realmente vísivel, encrustado com os preciosos mais preciosos, as palavras mais sagradas e desenhada perfeitamente para cada detalhe daquele ser.
- Dois mil quatrocentas e quarenta e uma vezes.
- Isso é tristemente impressionante.
- E farei-te uma surpresa quando chegarmos ao dois mil e quinhentos. - Maxillius rasgou um sorriso.
- Não estou tão certo que você sobreviverá até lá.
- Eu sim.
Era uma grande ousadia falar algo assim para o Mestre. Poderia ser jogado ao abismo eterno em um piscar de olhos.
- Volte. - o Mestre ordenou. - Mas se seus pés tocarem o meu chão em qualquer momento dos próximos dois anos, é o seu fim.
- Você irá me perder mais breve do que quer, assim.
- Você já está perdido, meu caro.
X levantou o calcanhar para dar um passo.
- Maxillius.
- Sim, Senhor?
- Os próximos dois anos começam agora.
... O maior problema sempre foi e sempre vai se eu não ser uma pessoa com fé e nem você, mas mesmo assim, nós construir (falsas) esperanças em cima dos próprios desejos sem nem pensar no quanto doloroso poderia ser
E
é.
E
é.
Porque você é aquele clichê:
Café, cigarros e sexo.
Mas odeio café,
Mas cigarros me fazem tossir,
Mas eu sou virgem.
E meu bem, saiba que:
Não irei te beijar no café-da-manhã
Nem te deixar fumar dentro de casa
Ou te dar uma rapidinha.
Café, cigarros e sexo.
Mas odeio café,
Mas cigarros me fazem tossir,
Mas eu sou virgem.
E meu bem, saiba que:
Não irei te beijar no café-da-manhã
Nem te deixar fumar dentro de casa
Ou te dar uma rapidinha.
O garoto se contorcia no chão. A camisa rasgada em tiras, a poeira subindo, o fogo engolindo o chão. A pele manchada em óleo e graxa e sangue e suor, a dor arrebentando-o como alguém puxa com força a linha de alguma roupa. Os dentes batiam e roçavam, os gritos atingiam cada corda vocal sua. Os cabelos fios de ouro estavam negros, os olhos azuis; cinzas - como todo o caos dali. Os sapatos estavam furados, as costas repousadas em vidros, a visão toda embaçada. Explosões machucavam os seus tímpanos. Jorrava lágrimas gordas e sem gosto. De novo, a tatuagem queimou. Era uma cruz céltica no meio do peito, do tamanho de seu dedo anelar esquerdo. Sentia como se despejassem magma. Quando virou a cabeça instintivamente tentando escondê-la do sofrimento, viu algo reluzir. Conseguiu distinguir uma lâmina, nada mais, à dois centímetros de distância. Sua chance única. Encostou os dedos e a segurou de leva. Sentiu quase um conforto naquilo. E a voz sussurrou: "Pega-a, pega-a, quero ver sua carne, seu fraco, ande, pega-a, eu sei que você quer, adiante-se, estamos perdendo tempo, ande, estripe-se até as entranhas, mas saiba que eu não irei sair de onde estou." Em suas veias corria escuridão e pecado, aquele talvez era o seu fim. Mais vozes chegaram, ásperas, altas, finas, baixas, profundas, sombrias. Seu cérebro estava rachando. E viu, então, uma mão se estendendo na altura do cenho.
Pequenas,
E em luvas brancas.
Não acreditava, mas reuniu tudo que podia para agarrá-la.
Enxergou cabelos pretos até a cintura e uma máscara de renda.
O vestido até os calcanhares impecavelmente passado e tão claro quanto asas de um anjo.
A menina sorriu e afastou os cabelos dos olhos dele.
"Você deve estar se perguntando quem sou eu." a melodia mais melódica de todo o universo, era a sua voz. "Pois bem. Eu sou a sua salvação."
"Não existe salvação." ele disse com esforço, os pulmões se comprimindo e tosses secas entre as palavras.
"Um rapaz sem fé, interessante. Geralmente é nessa hora que eles estão suplicando por ajuda."
"Fé é uma mentira. E eu não minto."
"Isso por si só já é uma mentira." a garota passou a mão no rosto dele. Era como ser beijado pela Lua, pensou.
Silêncio. Absoluto. Nem as vozes se atreveram.
Naquele momento, uma raiz de esperança brotou nele.
"Olhe nos meus olhos.", ela pediu.
Não. Não. Não.
"Olhe."
"Não, por favor."
"Por quê?"
Não recebendo nenhuma resposta, ela puxou o maxilar dele e forçou-o.
"É o lugar onde os meus demônios se escondem."
Percebeu então que ela era realmente sua corda para sair daquele poço tão fundo.
A lâmina ainda estava em sua mão.
E, segundos depois, manchando o vestido dela.
Ela só pendura as roupas com o cabide virado pro lado esquerdo
Ele ganha a sorte sempre quando via um gato preto
Ela tem as unhas frágeis
E ele, sempre um isqueiro no bolso.
Ela lia água com açúcar
Ele detestava gravata
Ela comia cenoura crua
E ele, perdia o brilho dos olhos cada vez mais.
Ela gosta de desembaraçar colares
Ele sorria cicatrizes
Ela usava sempre um anel na mão esquerda
E ele, cantava todas as quintas-feiras.
Os dois eram assim
Tudo a ver com nada
Mas ao mesmo tempo
Tudo a ver com tudo.
Ele ganha a sorte sempre quando via um gato preto
Ela tem as unhas frágeis
E ele, sempre um isqueiro no bolso.
Ela lia água com açúcar
Ele detestava gravata
Ela comia cenoura crua
E ele, perdia o brilho dos olhos cada vez mais.
Ela gosta de desembaraçar colares
Ele sorria cicatrizes
Ela usava sempre um anel na mão esquerda
E ele, cantava todas as quintas-feiras.
Os dois eram assim
Tudo a ver com nada
Mas ao mesmo tempo
Tudo a ver com tudo.
Tomei o isqueiro da mão dele e acendi o meu cigarro. A cada tragada, a fumaça permanecia mais tempo nos meus pulmões.
- Cara. É o seu quarto hoje.
- Foda-se.
Eu sabia que ia ficar cuspindo meus brônquios mais tarde. Mas então pensei: será que eu estarei aqui mais tarde?
A respiração é curta e aguda, soltando chiados quando o ar é soltado. Vias áreas entupidas e ardidas, fazendo ela se xingar por ter fumado quatro cigarros no dia interior. O rímel gruda as pálpebras e o cabelo está cheio de nós. As pernas descobertas e os seios tampados por uma camisa dois números maior, do super-herói favorito. Dormiu apenas algumas horas, porque a fungação constante a atrapalhava. As unhas estão sujas de maquiagem e as meias listradas, furadas. É um domingo daqueles nada, que talvez tivesse que estudar espanhol, mas o tédio parecia mais interessante.
"Que inferno.", pensa.
Ouve o bater das portas e sussurros baixos, contemplados por barulhos de chuveiro. Lembra-se da menina deitada ao seu lado, então, qual está de lado, os cabelos negros espamarrados no colchão. Os suspiros pesados, também. Sorri sozinha. Sente aquele cheiro de café e o estomâgo vibrou. Passa a mão na própria ruivice e desce as escadasque rangem mais do que os ossos de um covarde. Escuta um estrondo e acelera o passo. Uma brisa a atinge e ela esfrega os braços. Entra. E o vê. Sua caneca favorita aos pedaços, manchas na blusa dele, a jarra caída na pia.
"Me desculpa.", o rapaz fala, o rosto marcado de roxo e lágrimas.
Ela revira os olhos.
"Que diabos você está fazendo aqui?", pergunta.
"Eu..."
"Aliás, como você entrou aqui?"
"Ainda tenho a chave."
Como sempre que está irritada, franze os lábios e levanta as sobrancelhas.
"Vá embora, pelo amor. Eu não sou a porra da sua babá."
"Eu sei."
"Não parece que sabe."
"Você prometeu que ia cuidar de mim."
"Quem prometeu isso foi você."
Ele pensa.
"E eu não posso te proteger de si mesmo, cara."
As the Earth, we have our core, our mantle, our crust. We are a planet. Or the Earth is a creature. Maybe both. But it is not just about our composition. When the people are angry, they break themselves in tears and screams. When the Earth get angry, they break its plates. It's almost the same thing. And this applies in a lot of situations. Both breaks, in one way or another. When we fall in love, we melt in hope but we gain a new face, because it makes you happy.. Or not. But it transforms you, but also preserve your old form. The planet melt its rocks, form magma, burn more rocks and then forms a new crust. As us. We have our volcanoes, our tsunamis, our mountains. We have our own skies, our crusts, our deserts and our forests. We have little pieces of millions of people on us, we had intern births a thousand times and deaths as well, tragedies, beauty, kindness and evil too, love, passion, scars. And stars. Rings. Asteroids. Comets. In "eternal" expansion, getting bigger and bigger, exploding in gas, recreating ourselves by celestial bodies's dust. Actually, we aren't a planet.. But a universe.
A gota d'água. Você pensa em exuberar-se e submergir em si mesmo, mas existem outras gotas que te amam escorrendo. Essas te compõe, elas são as duas partes de hidrogênio. Você não pode, não quer levá-las junto. Não sabe se esse é pra ser o seu fim ou se esse é só mais um dos testes. A bolha que te envolvia estourou, é preciso alguém para soprar mais uma. Quem? Não sei. Aquele lá é muito rude, esse não tem força, o outro não gosta do canudo. Deve esperar? Ou procurar, conectar com outros oxigênios também? Suas moléculas estão lentamente se partindo, o átomo se desgastando. Seu ponto de ebulição diminuiu. E então.. Você acha o alguém preciso. E a temperatura dele é muito mais alta do que você possa aguentar.
Garota bonita, de cabelos pretos e buracos na bochecha. Pequenina e sempre acompanhada da dor três vezes mais alta. As olheiras eram fundas por perder as noites chorando no travesseiro. Rachaduras internas quebravam-a cada vez mais um pouco. O único brilho dos olhos era o reflexo da luz do celular, seu companheiro inseparável. A mágoa explodia a medida a raiva abaixava, todas as vezes. A menina era um tanto complicada, errada. Mas era perfeita, em um ângulo torto. Caia em livros e falava sobre dinossauros e água virtual. Movia a boca de um modo sinuoso. Soava melancólica, indignada, apaixonada. Mais bagunçada que as memórias de alguém que sofreu uma concussão. E ela está amolando a tesoura, lentamente e esforçadamente, para cortar a vida de papel que tem. Não tem força para rasga-la. Mas está surgindo, tomando movimentos de uma raposa. Ela irá sair dessa e será grande, como o seu coração. Ela só precisa acreditar.
It's ridiculous because I want someone to care. To hold me and say that everything is gonna be alright, even this seeming useless. Someone that will kiss my tears and talk about the universe, not worrying about how idiot and poetical this would be. Someone that would understand all my lines and don't mind about the crazy feelings or insecurities. That I can talk with just a look and smile without moving my lips. That be here always as possible, that may change for me too. That would hear me talking about how unfair is all of this, of the soul, of the afterlife. Know my strings and how to play it. To teach me to be not so sentimental but also see the good side of being it. To smoke one cigar but take it off of my hands when it's necessary. Share books, enjoy musics, discuss about musics. Someone that can be deep, actually, that want to be but someone that don't down me.
Sob a escuridão, botou as mãos no espaço dos seios. Inspirou, jogou o pescoço pra trás, como se estivesse entregando-se à presas. Esticou os dedos, alongou a clavícula, sentiu os nervos se incomodarem. Arranhou as costelas com força, posicionou entre o ponto mais simétrico de si e rasgou. Despiu-se de si mesma. Arrancou os cantos desafinados primeiro, depois desfiou os vasos e mergulhou em tinta. Saltou pra fora do cérebro, observou a arte naquilo. Padrões estranhos formaram se no chão plastificado. Piscou no vazios das órbitas, caminhou dissimuladamente. Fumaça caiu dos músculos, cansados, virando poeira. A pele tigrada mordeu-se em desgraça e revirou-se ironicamente. Compreensão nas próprias peças do quebra-cabeça ela não achava. Finalmente podia dizer o que era partir. O que vinha depois. Mas não existia ninguém para escutá-la.
Vozes sobrepostas. Olhos ardendo. Dor na sola do pé.
Cabelos pingam água. Piano toca.
Bochecha estala.
Coração angustiado.
Interrogações interrogações interrogações.
Brainstorm,
Mas amnésia, dois segundos depois.
As rodas batendo no asfalto
Com luz laranja
Paisagem negra.
Batidas altas sentidas mesmo em metros de distância.
Sorriso acabado.
Inacabado.
Igual à ela.
Cabelos pingam água. Piano toca.
Bochecha estala.
Coração angustiado.
Interrogações interrogações interrogações.
Brainstorm,
Mas amnésia, dois segundos depois.
As rodas batendo no asfalto
Com luz laranja
Paisagem negra.
Batidas altas sentidas mesmo em metros de distância.
Sorriso acabado.
Inacabado.
Igual à ela.
Maçãs mordidas não são o problema. É a vontade. O jeito que você segura. Que os lábios se movem ao alcançá-la, que os dentes sugam toda o suco. Ouro e jardim, você grita ao piano e nada faz sentido. É melhor ou pior? Devo correr à um avião ou à uma ponte? Entonações abaixam e sobem, mas você continua ali, subentendido como neutro. Pare. Volte. Eu acho que amo você; mas eu também te odeio. Escute, é complicado. Meus pulmões já não são os mesmos, aquele sorriso já não é mais tão seu. De alguma maneira, o meu pensamento fica rondando todas as suas cantorias e nomes inventados. Originalidade existe, mas não em mim. Olhe. Sou aquele retalho estúpido de mantas velhas, panos de chãos rasgados, com alguma purpurina roxa e deslocada jogada. Tenho outros olhos, não os do inferno, mas aqueles da grama. Não faço ideia sobre o um, mas o dois cheira a tabaco. De algum jeito é confortável. maçã está envenenada e é claro que fulana sabe. Fulana não se importa, mas acha que Fulano sugar o veneno vai salvá-la. Não vai. Não. Vai. Posso pensar no trem em março, vagões rastejando por aí e eu enfrentando alguma solidão do jeito mais clichê possível: rodeada de outras pessoas. A boca é pequena, mas se ajusta a minha. Um sente falta do formato, mesmo nunca tendo-os. Nunca fui dele. Nada. A
Sente-se
E escute as histórias que o vento uiva
Deite no orvalho
Olhe os pontos brilhantes quanto possível
Desenhe as próprias veias
Mas faça o rascunho primeiro
Chore a chuva
E beije o sol.
As palavras são preciosas
O chão escorregadio
Nós, todos nós, somos filhos das estrelas.
Não se preocupe com a perfeição
O arco-íris vai vir
E a luz vai te machucar.
E escute as histórias que o vento uiva
Deite no orvalho
Olhe os pontos brilhantes quanto possível
Desenhe as próprias veias
Mas faça o rascunho primeiro
Chore a chuva
E beije o sol.
As palavras são preciosas
O chão escorregadio
Nós, todos nós, somos filhos das estrelas.
Não se preocupe com a perfeição
O arco-íris vai vir
E a luz vai te machucar.
Eu preciso encarar a verdade. É isso que eu quero pra mim? As incertezas? As inseguranças? A verdade incompleta? Acho que o ar fica muito mais leve sem você. É mais fácil pensar. Não tenho aqueles tremeliques insuportáveis e meu coração se contenta em bater normalmente. E tem a dor. Ela não parece tão doída assim. Mas também é minha culpa. Me entrego demais, sabendo do risco. Mas sabe, poderia ser pior. Eu poderia nunca ter parado pra pensar nisso, achando que valeria a pena me jogar do penhasco por você. Não vale. Mesmo que você esteja lá embaixo para me segurar, toda a queda quebraria os meus ossos. Não adianta. Talvez você deva seguir em frente. Talvez eu deva seguir em frente. Não acho que tenha uma pessoa nesse mundo que irá me fazer feliz como você fez ou trazer a paz ou me amar desse tanto.Eu não sou assim. Não sou. Meu amor próprio está tão alto agora que não me permite continuar assim. Não posso te oferecer o que você quer. Minhas ideologias includem não-casamento, sempre eu mesma antes de todos e vida europeia é melhor. Não significa que eu te ame menos, nem de longe. Nem que eu vá parar de pensar em você. Significa que eu não vou correr atrás de você. Que não vou criar planos. Porque.. não é isso que eu quero pra mim.
E então eu mesma pus um limite. Ninguém o faria e acho que é algo que ninguém poderia. Depois que todo o martírio acabou, decidi criar um novo parágrafo, afinal enrolei de mais para sair daquele. Um parágrafo que seria um pouco complicado, um pouco confuso, mas que precisava ser escrito se eu quisesse continuar a escrever. Todo escritor passa por isso, não só em suas histórias como em sua vida. Na verdade, toda pessoa passa por isso em algum momento. Sei que sou do tipo que não aguenta a rotina, a normalidade, a constância. Sou mais que uma metamorfose diária, estou sempre pensando diferente e também sentindo diferente, como se aquilo que fiz um segundo atrás já não condissesse com o meu modo de pensar. E não condiz, porque eu realmente mudei. As pessoas dizem que é difícil alguém mudar de um dia pra noite, mas não é. Você muda cada dia um pouquinho mais sem nem perceber, até mudar completamente. Nem sempre essas mudanças são as melhores, mas na maioria das vezes são necessárias. Necessárias porque se você não mudar, nunca vai saber como é tal coisa ou se você não mudar, nunca vai ser quem precisa e quer ser. É assim. Você precisa aceitar as coisas ruins em si, também. Não só para reconhecer o defeito e tentar se livrar dele, mas para melhorá-lo, porque do mesmo jeito que as suas qualidades fazem parte de você, isso também faz. Nós temos que buscar isso se quisermos chegar onde queremos. Eu às vezes falo palavrão demais, enrolo-me em palavras, me distraio fora de hora, acho que sei de tudo, entro na defensiva muito rápido, fico irritada facilmente, meto-me em problemas que não são meus, choro por tudo e por nada, ajo diferente perto de certas pessoas.. Enfim. Eu tenho muitas coisas erradas. Faço muitas coisas erradas. Mas tenho procurado admiti-las e também não fazê-las. Quero ser uma pessoa melhor. Quero ser independente. Quero viajar para lugares legais, melhorar minhas habilidades fotográficas e escritas, aprender a desenhar, voltar a dançar. Ser mais organizada, ser honesta, menos estressada, aumentar meu nível literário (não me sentindo boba por gostar dos best-sellers), caminhar por aí duas vezes por semana, não odiar educação física. Mas também, continuar sendo a amiga boa que acho que sou, tentando ajudar todos que posso sempre de qualquer maneira. A pessoa sempre amistosa, que conhece muita gente, que paga micos, que não tem vergonha na cara, que sempre sabe de tudo que está acontecendo. Mas também que sabe ser o que deve ser com cada um e ser o que quiser com eles também. Eu sou um camaleão e não me faço menos verdadeira por isso. Adapto-me em situações e lugares e grupos. Com Fulano vou conversar sobre celebridades e sobre música, com Ciclano sobre o universo e livros. Porque você tem que escolher essas pessoas. Eu sou uma das raras que você consegue conversar absolutamente sobre tudo (ou quase), por isso talvez que eu conheça tantas pessoas por aí, mas nem todo mundo é assim. Muitas ficam no seu próprio mundinho, nunca aberta à novas possibilidades, pontos de vistas, assuntos. Eu irei buscar ter o maior conhecimento que preciso. Sou comunicativa e simpática, adoro falar e sempre vou. Gosto de rir mesmo quando as coisas estão ruins, mas me permito isolar às vezes também. Aprecio as companhias, mas sou fã da solidão também. Gosto do som pesado das guitarras, mas tenho todo o direito de parar e ouvir um violão também. Eu sou o meio-termo. Eu me enfio nele e me encaixo perfeitamente. Isso não é a pior das coisas; eu poderia ser nada. E acho que todas as coisas em excesso fazem mal em algum ponto. Não sou tão bonita nem tão inteligente nem tão talentosa assim. Mas sou. E também, busco ser mais sempre, assim aumentando o meu limite do meio-termo e crescendo. Se ajusta conforme eu sou. Gosto da internet mas não recuso um bate-papo. Amo meus amigos, mas me amo acima de tudo. Não sou nenhuma santa, porque peco e não escondo isso. Não quero me casar antes dos 25, muito menos ter filhos. Talvez eu volte para o Brasil algum dia, talvez se aquele alguém estiver na minha vida. Mas não conto com isso. Acho que construirei minha vida aqui, ou nos Estados Unidos, ou em Portugal. E é isso. Eu perdi o foco, mas não saí do jogo. E agora estou ganhando.
O meu estado é crítico. É totalmente crítico. Eu quero desistir de tudo porque é mais fácil. Quero fugir de tudo isso. Penso em abandonar toda e qualquer forma de comunicação com as pessoas, apenas dizer o necessário, pegar a minha câmera, um fone de ouvido e me esconder nas ruas por aí, principalmente naquele lugar todo verde com cachoeiras e ficar lá pra sempre. Não quero ouvir os problemas de ninguém e o pior de tudo é perceber que realmente não me interessa. Eu só estou vendo a mim mesma. Só a minha dor. Pela primeira vez na minha vida, mas de verdade, (não em crises por outras pessoas, não por brigas, não por nada além de mim), passou por um segundo/um milésimo de segundo a ideia de suicídio. Não me aturo mais. Eu não vejo mais ponto em viver. É essa coisa de você pensar demais. Você pensa demais sobre o universo, sobre o sentido, sobre as pessoas e acaba querendo enfiar uma faca em si mesmo. (PS: ironicamente, uma hora depois de escrever isso, li: “Ao ver uma pessoa triste, nunca sei se ela tem motivos, ou se apenas pensa demais. O simples ato de pensar em excesso te leva à uma discordância infinita com a realidade, quem muito pensa enxerga o mundo sem enfeite, sem maquiagem. Grandes pensadores carregam dores maiores do que conseguem descrever.” - Sean Wilhelm)
É horrível, porque eu tenho uma vida tão boa. Pais tão legais, moro num país ótimo, existem pessoas que gostam de mim. Mas isso não é o suficiente. É tão egoísta e ridículo. Eu não sei nem o que eu sou, nem quem eu sou. Às vezes paro e penso se gosto mesmo de tal coisa, se é isso mesmo que eu quero. E não sei a resposta. Não sei! Isso me tira do sério, me irrita, me faz querer explodir, matar todo mundo e depois me matar. Como você não pode saber as coisas sobre si mesmo? Como? Você vive num corpo, pensa os pensamentos, sente o que deve e o que não deve sentir. É algo, mas não sabe dizer, sua voz simplesmente sumiu, as palavras presas na garganta, a mente cheia de nós e você fica "Mas o que eu devo fazer? O que eu estou fazendo?" porque você se permitiu a auto-piedade! Você abriu uma brecha em si mesma e agora ela te partiu por inteiro e então você não tem mais controle. NÃO TEM CONTROLE SOBRE VOCÊ. E a culpa é inteiramente sua, só sua. Você está se destruindo, você não quer a cura, você não quer ser salva, mas não sabe o motivo disso. E o que pensa que é motivo, é ridículo, insignificante, mas tão significante suficiente pra te fazer assim. Ou não. Ou você já está tão desgastado e quebrado e fodido que qualquer coisinha acaba com você. Mas eu não gosto de pensar assim, muito menos de entender o porquê de me sentir. Da compreensão. Eu não gosto. Às vezes é bom, mas a compreensão está acabando comigo. Eu entendo tanto tudo, que quando não entendo algo, me consome. E quando entendo, me pira, porque eu penso "droga, ignorância é uma benção!". Eu às vezes desejo ser uma adolescente simplesmente cega e estúpida, achar que todos estão errados e não ver o problema realmente. Não ver que, o problema, na verdade, sou eu mesma. Isso é demais pra mim, não é algo que eu possa aceitar. E também, não posso fazer nada sobre. (Impotência é outra coisa que está me matando.) Eu só desejo uma solução. Uma pista. Mas, acima de qualquer resposta, algo que me faça querer estar viva.
É horrível, porque eu tenho uma vida tão boa. Pais tão legais, moro num país ótimo, existem pessoas que gostam de mim. Mas isso não é o suficiente. É tão egoísta e ridículo. Eu não sei nem o que eu sou, nem quem eu sou. Às vezes paro e penso se gosto mesmo de tal coisa, se é isso mesmo que eu quero. E não sei a resposta. Não sei! Isso me tira do sério, me irrita, me faz querer explodir, matar todo mundo e depois me matar. Como você não pode saber as coisas sobre si mesmo? Como? Você vive num corpo, pensa os pensamentos, sente o que deve e o que não deve sentir. É algo, mas não sabe dizer, sua voz simplesmente sumiu, as palavras presas na garganta, a mente cheia de nós e você fica "Mas o que eu devo fazer? O que eu estou fazendo?" porque você se permitiu a auto-piedade! Você abriu uma brecha em si mesma e agora ela te partiu por inteiro e então você não tem mais controle. NÃO TEM CONTROLE SOBRE VOCÊ. E a culpa é inteiramente sua, só sua. Você está se destruindo, você não quer a cura, você não quer ser salva, mas não sabe o motivo disso. E o que pensa que é motivo, é ridículo, insignificante, mas tão significante suficiente pra te fazer assim. Ou não. Ou você já está tão desgastado e quebrado e fodido que qualquer coisinha acaba com você. Mas eu não gosto de pensar assim, muito menos de entender o porquê de me sentir. Da compreensão. Eu não gosto. Às vezes é bom, mas a compreensão está acabando comigo. Eu entendo tanto tudo, que quando não entendo algo, me consome. E quando entendo, me pira, porque eu penso "droga, ignorância é uma benção!". Eu às vezes desejo ser uma adolescente simplesmente cega e estúpida, achar que todos estão errados e não ver o problema realmente. Não ver que, o problema, na verdade, sou eu mesma. Isso é demais pra mim, não é algo que eu possa aceitar. E também, não posso fazer nada sobre. (Impotência é outra coisa que está me matando.) Eu só desejo uma solução. Uma pista. Mas, acima de qualquer resposta, algo que me faça querer estar viva.
Tem um certo ponto da sua vida que você se sente alheio. À tudo, à todos. Fica de saco cheio da própria vida, enjoado da rotina, cansado dos problemas - sempre os mesmos problemas. E então começa a se desinteressar pelos outros também. Você não aguenta nem a si mesmo, não se atuaria, se pudesse. As pessoas te contam sobre o quanto tudo está uma merda, querendo colocar para fora e acaba, não propositalmente, te fodendo. Principalmente se você gostar dessa pessoa. Te faz pensar se manter a ignorância não é uma boa opção. Você acaba carregando um pouco do fardo da pessoa. Um pouco que, se você junta os de todas as outras pessoas, vira um monte, vira vários e vários fardos. O sentimento de impotência te destrói lentamente. Mas aí o seu amor próprio clama e "cara, que se foda". Então, deixa de se importar com o céu, pelo continuação de tal livro, pela dança. O término do namoro de um mês do seu amigo parece drama demais, notas baixas de Fulana se resolveriam se ela estudasse, insegurança de tal criatura em relação à sei-lá-o-quê é entendiante. O próximo passo é o isolamento. Festa? Por favor. Enche a mente com equações desiguais, plantações do século 16, frutas em espanhol. Mau humor constante. Se torna chato, imbecil e sozinho. Não culpa seus amigos - "eu me afastaria também", pensa. Mas isso tudo pode acabar, eventualmente, de alguma forma não explicada. Alguém pode te fazer ver algum sentido em tudo isso de novo, te despertar o interesse. Ou não. Ou você fica recluso até ficar tão tão recluso que entra em si mesmo. E nunca mais sai.
Não é apenas colocar palavras bonitas juntas, adicionar vírgulas e criar alguns nomes e.. pronto. É colocar sua alma nisso. É descrever tudo o que não consegue. É tirar de dentro da sua parte mais secreta. Chorar letras, por-se entrelinhas, entregar seus sentimentos à uma folha de papel. Dar um novo sentido à tudo, ser épico sem querer, ficar histérico quando percebe que isso veio de você. Pois vem. Vem de um jeito tão profundo que o centro da terra parece perto. Ser metáforas, viver travessões, xingar a própria eloquência ou até mesmo a falta dela. Descrever a si sendo outros, fazer sem se quer se mexer, amar milhares de vezes sem estar lá. Toda exclamação tem um significado, um grito subentendido. Os seus pontos finais nunca são na verdade finais, por que você pode continuar infinitamente. E é isso: infinitamente. Escrever é criar, literalmente, mais uma possibilidade, infinitas possibilidades e até mesmo realidades - paralelas ou não. É poder alterar vidas de formas imagináveis e também, alterar a própria vida de uma maneira imaginável.
Mais um mês vem. Vejo lentamente o tempo passando, arrastando-se como alguém de pernas cortadas em busca de sua regeneração - lentamente e dolorosamente. Inutilmente, também, de certa forma. Esse alguém lamuria-se pelos "e se..", chora no próprio leito sua idiotice e questiona o poder das palavras. Saudade lhe espanca. Lágrimas lhe engasgam. Arrependimentos cutucam seus feitos. Enjaulado em si mesmo, o alguém perdeu a chave. Ou a engoliu. Na verdade, não sabe muito bem. Feriu-se em combate - no qual, também, não sabe se o começou ou se apenas estava no fogo cruzado. O mês vem, e percebe que está morrendo.
Cada dia um pouco mais. Primeiro, perdendo detalhes de si (as risadas e o bom senso). Segundo, falhando internamente (a memória e os rins). Terceiro, tornando-se pálido (de alma e um pouco de corpo). E assim por diante, até ser um fantasma vagando pelo mundo. O pior disso, é, com certeza o alguém nunca morrer completamente. Existir como e com o tempo. Esse mês vem e é um terremoto. Destrói, colide as suas placas e deixa mil rupturas. E o mês passa. Mas os aftershocks continuam infinitamente.
Cada dia um pouco mais. Primeiro, perdendo detalhes de si (as risadas e o bom senso). Segundo, falhando internamente (a memória e os rins). Terceiro, tornando-se pálido (de alma e um pouco de corpo). E assim por diante, até ser um fantasma vagando pelo mundo. O pior disso, é, com certeza o alguém nunca morrer completamente. Existir como e com o tempo. Esse mês vem e é um terremoto. Destrói, colide as suas placas e deixa mil rupturas. E o mês passa. Mas os aftershocks continuam infinitamente.
- Autor desconhecido.
Jogou-se em um beco
Dançando a morte
Sendo festa
Explodindo em tudo
E nada
E na
E
..
Dançando a morte
Sendo festa
Explodindo em tudo
E nada
E na
E
..
"Eu não acho que você possa simplesmente deixar as coisas acontecerem. É como sentar no deserto e esperar que chova - você irá secar junto, morrer de sede, se perder diversas vezes no caminho de um oásis, congelar na noite e até mesmo morrer. É possível chover, é claro, mesmo que a probabilidade seja minúscula. Mas vai valer a pena todo o sofrimento à sua espera? É possível que você sobreviva, também. Mas sobreviver e viver são coisas Acredito que tenhamos um destino mais ou menos traçado, então é necessário você apanhar um lápis. Tem que vir de você, também. Tem que desejar. Ele te dá a mão, mas você precisa fazer uma força pra se levantar. Sacrifícios são sempre exigidos, não tem jeito. Clichês são bem válidos nessa hora: "nada que é bom vem fácil", por exemplo.", falei depois de uma longa pausa.
"Odeio metáforas."
"Eu sei."
---
"Mas M, eu estou esperando a chuva.", disse depois, comprovando a sua inconstância."O que eu devo fazer? Andar por aí até chegar em um país? Implorar à Deus? Fazer algum tipo de dança?"
"Faça o que for, mas faça."
"E se eu manter as esperanças também e quebrar a cara?"
"O risco que você tem que correr é esse. Estou certa que, mesmo que você se quebre, irá remendar-se e se tornar mais forte."
"Eu já disse que odeio metáforas?"
"Odeio metáforas."
"Eu sei."
---
"Mas M, eu estou esperando a chuva.", disse depois, comprovando a sua inconstância."O que eu devo fazer? Andar por aí até chegar em um país? Implorar à Deus? Fazer algum tipo de dança?"
"Faça o que for, mas faça."
"E se eu manter as esperanças também e quebrar a cara?"
"O risco que você tem que correr é esse. Estou certa que, mesmo que você se quebre, irá remendar-se e se tornar mais forte."
"Eu já disse que odeio metáforas?"
"Ou é muito otário ou muito apaixonado", eu ouvi alguém dizer uma vez e pensei: não é a mesma coisa?
06:00
Mordi o lábio inferior discretamente e passei os olhos pelo o seu físico bem malhado. Não sou nenhuma Monroe, é claro, mas sei provocar também.
- Algo de interessante? - ele perguntou.
- Talvez.
Um sorriso meio aberto meio fechado tomou-lhe, o suficiente para demonstrar sua insatisfação.
- Talvez?
Voz rouca, áspera, grave; aquela do tipo que te faz querer explodir em uma palavra.
- Dá para o gasto. - eu disse balançando os ombros.
Apoiei-me no meu salto esquerdo e joguei levemente os cabelos para trás. Ele deu um passo para frente, fazendo nossos corpos se tocarem e distribuírem uma corrente elétrica no sangue.
- Dá para o gasto? - perguntou.
- Você irá repetir tudo que eu falar?
- Você irá rep.. Droga!
Ri e ele também. Alto, com senso de humor e bem perfumado. Meu Deus.
- Eu não "dou para o gasto". Eu inundo.
- É mesmo? Por que você não prova? - eu sabia onde isso dar. E era exatamente a onde eu queria chegar.
E ele provou. Em um movimento meio inesperado, me colocou no balcão do bar e me beijou como se eu fosse a única mulher no mundo, descendo as mãos pelas minhas costas e diminuindo qualquer espaço entre nós. Newton não falaria que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo se nos visse naquela hora. Agarrei sua nuca e passei as unhas pelo pescoço dele, rindo por sentir que ele se arrepiou. Apoiou a mão direita na minha perna e apertou de leve. Sua língua brincava com amiga e explorava o meu céu. Senti seu hálito de pasta de dente com toques do vinho que estávamos tomando. Prendi meus braços sob seus ombros e enrolei-me em seu quadril. Havia algumas pessoas ao redor de nós pelo o que eu me lembrava e quando faço um sinal para ele parar, ele mesmo o faz.
- Inundada o suficiente? - interrogou-me retoricamente.
Pegou sua jaqueta e partiu, deixando-me para afogar.
- Algo de interessante? - ele perguntou.
- Talvez.
Um sorriso meio aberto meio fechado tomou-lhe, o suficiente para demonstrar sua insatisfação.
- Talvez?
Voz rouca, áspera, grave; aquela do tipo que te faz querer explodir em uma palavra.
- Dá para o gasto. - eu disse balançando os ombros.
Apoiei-me no meu salto esquerdo e joguei levemente os cabelos para trás. Ele deu um passo para frente, fazendo nossos corpos se tocarem e distribuírem uma corrente elétrica no sangue.
- Dá para o gasto? - perguntou.
- Você irá repetir tudo que eu falar?
- Você irá rep.. Droga!
Ri e ele também. Alto, com senso de humor e bem perfumado. Meu Deus.
- Eu não "dou para o gasto". Eu inundo.
- É mesmo? Por que você não prova? - eu sabia onde isso dar. E era exatamente a onde eu queria chegar.
E ele provou. Em um movimento meio inesperado, me colocou no balcão do bar e me beijou como se eu fosse a única mulher no mundo, descendo as mãos pelas minhas costas e diminuindo qualquer espaço entre nós. Newton não falaria que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo se nos visse naquela hora. Agarrei sua nuca e passei as unhas pelo pescoço dele, rindo por sentir que ele se arrepiou. Apoiou a mão direita na minha perna e apertou de leve. Sua língua brincava com amiga e explorava o meu céu. Senti seu hálito de pasta de dente com toques do vinho que estávamos tomando. Prendi meus braços sob seus ombros e enrolei-me em seu quadril. Havia algumas pessoas ao redor de nós pelo o que eu me lembrava e quando faço um sinal para ele parar, ele mesmo o faz.
- Inundada o suficiente? - interrogou-me retoricamente.
Pegou sua jaqueta e partiu, deixando-me para afogar.
Só que não fazia o mínimo sentido. Todas as aquelas luzes dançantes, a fumaça abraçando os corpos insanos girando por ali, o teto balançando como uma melodia surreal e macabra. As pessoas em volta carregavam copos com conteúdo transparente, e viravam-os na boca quase como se fosse água. Mas era óbvio que não era. As caretas demostravam a sensação da garganta rasgando e segundos depois, sorrisos formando-se nos lábios.
E uma dessas pessoas, era eu. "Que negócio horrível", pensei.
- Que negócio horrível. - é, talvez eu tenha falado.
- Não é para ser bom, M. É para te deixar tonto. - ouço em resposta
Olho de soslaio para ele. O olhar tão profundo é onde mergulho minhas preces, e o negro do olho é a minha lanterna, a minha guia. Os passos tão arrastados e pesados trilham um caminho perfeitamente desenhado. A boca solta palavras tão melodiosas e os lábios são tão legíveis. O compasso de seu coração combina com o meu. A pele tão rude tem o toque mais delicado de todos. Sinto a respiração arquejando daqui e por dentro, sei o quão ele é obstinado, pragmático, jucado. O sorriso de dentes branquíssimos nunca é transparente, e parece que é um raio do sul emergido da mais profunda escuridão. As linhas do cenho, da bochecha, do queixo são traçados tão perfeitamente, quase como se fosse desenhado por Deus. E, nossa, que desenho. Viajei um pouco demais, percebo. E reflito sobre o que ele disse. Bebida é totalmente perversa. Parece bonita e como tudo o que é bonito, teoricamente, é bom, deduzimos que é bom também. Mas é amarga. Pior que café forte sem açúcar, jiló sem tempero, a vida sem Tate.
Mesmo assim, sinto-me vazia, incompleta, despedaçada, como se tivessem levado cada gota de quaisquer sentimentos ou energias ou lembranças minhas.
Nada me ajuda. Nem mesmo essa porcaria me deixa tonta - e é o meu terceiro copo. É. Acabaram com todos os resquícios de recuperação. Destroçaram o meu cérebro e desmembraram-me por completo, encontraram algo que é mais duro que o diamante, do que isso que me fazia reluzir e permanecer forte e jogaram meus fragmentos ao um abismo que não existe fim, a fim de que eu nunca me reconstrua, que eu sempre esteja caindo, caindo, caindo. Minha armadura rompeu-se, meu escudo já não é tão impenetrável assim. Aquele cadeado que protegia a sete chaves a mais terrível tortura fora arrombado e aberto, liberando cada grito, cada lágrima, cada clamo* de ajuda. Mesmo que eu grite com a voz mais alta, a mais forte chaleira, a mais poderosa bomba ninguém vai ouvir. Ficarei com tímpanos estourados, cordas vocais destruídas.. Porque eu estou amarrada, encurralada dentro de mim mesma, como um labirinto sem término, apenas presa e dando voltas que fazem me voltar ao mesmo lugar.
E sei que nenhum negócio horrível vai ajudar, nem as luzes, nem mesmo o desenho de Deus. Não há salvação para mim.
Armadura que protege-me de chuva lágrimas socos trincada. Trincada por uma droga de nostalgia desgraçada, que destrói-me a cada passo, a cada movimento sorrateiro do meu peito ao respirar. Voltar ali, e perceber o quanto tudo se renovou-mudou-criou.. Dói. Porque dói saber que ninguém e nada sente a minha presença, e o pior: a falta dela. É terrível saber que em algum momento, especificamente à 746 dias atrás, eu pertencia à este lugar. Eu pertencia às pessoas e às luzes e às ruas e às lojas.. E agora eu sou nada
nada nada
nada. Nem aqui
nem ali nem lá. O barulho das motos já não são pra mim, nem os sorrisos largados no asfalto, nem os aviões voadores, nem as lojas incandescentes. Meus supostos-hipócritas-imbecis-idiotas-amigos dizem que era pra sempre e pra sempre está aí, mas não foi cumprido. Tudo isso traz o choro na gruta da garganta, arranha o meu pequenino coração de vidro e me provoca vontade de jogar-me no parapeito do apartamento que é… Era meu. Era, era, era. O assoalho de madeira avermelhada era meu, o cheiro de açúcar queimado era meu, o espelho defeituoso da sala era meu. Nada mais pertence à mim. Nem eu mesma.
Chamas rondavam seu crânio. Esperanças transbordavam-a. Virou suas costas e encontrou ele. Os olhos sombrios, ombros delineados. Sorriu o seu melhor sorriso; aquele que só existia quando o via. Sentiu felicidade antecipada, jogou-se nos braços do rapaz bonito. Observou a cicatriz na sobrancelha reta, os lábios brilhantes, o nariz grande - mas perfeito para o rosto. Ele a segurou forte, passou os dedos gentilmente pelo comprimento do braço da menina, fazendo leves arrepios. Seu coração bateu rápido, desregulado.
- Minha língua não consegue pronunciar a sua, querida. Ela é indecifrável. - sua voz era incrível, conseguia penetrar em suas entranhas.
"As primeiras palavras do resto de nossas vidas", ela pensou. Assentiu.
- Mas não faz diferença se - ele para, tomou o pequeno rosto dela em suas mãos - elas estão juntas.
E então a beija. A menina explodiu em silêncio, tomada por prazer.
Alguém precisava ter avisado-a que não era o começo, mas sim o fim. Porém, é claro, ninguém o fez.
E ele continuou a beijando. E a beijou tão profundamente que sugou seu amor e sua alegria e sua esperança. Então, sua vida. Em um momento, nada a definia. Agora, "nada" a define.
- Minha língua não consegue pronunciar a sua, querida. Ela é indecifrável. - sua voz era incrível, conseguia penetrar em suas entranhas.
"As primeiras palavras do resto de nossas vidas", ela pensou. Assentiu.
- Mas não faz diferença se - ele para, tomou o pequeno rosto dela em suas mãos - elas estão juntas.
E então a beija. A menina explodiu em silêncio, tomada por prazer.
Alguém precisava ter avisado-a que não era o começo, mas sim o fim. Porém, é claro, ninguém o fez.
E ele continuou a beijando. E a beijou tão profundamente que sugou seu amor e sua alegria e sua esperança. Então, sua vida. Em um momento, nada a definia. Agora, "nada" a define.
Sou errado
transfigurado
E mudado
Você diz que quer me consertar
Mas na verdade, vai me reformar
Deixe-me te soletrar algo, meu bem
E-u p-o-s-s-o s-e-r u-m t-r-e-m
E sou, sou um trem descarrilhado
Mas estou tão danificado
Que tornei-me uma carcaça inutilizável
E totalmente irrecuperável.
transfigurado
E mudado
Você diz que quer me consertar
Mas na verdade, vai me reformar
Deixe-me te soletrar algo, meu bem
E-u p-o-s-s-o s-e-r u-m t-r-e-m
E sou, sou um trem descarrilhado
Mas estou tão danificado
Que tornei-me uma carcaça inutilizável
E totalmente irrecuperável.
Em um sábado, não passava das onze horas quando eu acordei com um barulho incessante: toques de campainha seguidos de batidas pesadas na porta. Me levantei assustado, confuso, meio tonto. Eu estava suado e grudento - era um verão insuportável. Dei passados corridos até a entrada do meu apartamento (meu mini apartamento, mas meu) e abri, ou melhor, escancarei a porta. Fiquei irritado quando percebi que não PASSAVA DAS ONZE HORAS DA MANHÃ e era um SÁBADO. Era meu dia de folga, porra. Torci a boca quando me deparei com o carteiro.
- Bom dia, senhor. - disse ele.
- Oi. - murmurei, respirando fundo. A coisa que me deixa mais puto, é, com certeza, ser acordado brutalmente.
E eu estava um lixo. Com a barba por fazer, a camisa machada de café, cabelo mais revolto do que do alguém que se meteu num furacão e samba-canção branca listrada com verde claro. O homenzinho vestido em amarelo e azul não pareceu notar, na verdade, e eu não estava muito aí. Só mantive distância suficiente para ele não sentir o meu hálito.
- Eduardo Oliveira, é o senhor?
- Sim. - respondo.
Ele tira uma caixa bem grande até de sei-lá-aonde e me entrega junto com uma prancheta.
- Assine aqui, por favor.
O faço. A caixa é pesada, até. Agradeço, ele me dá um sorriso e se enfia no caminhão de entregas, bem saltitante. Fecho a porta e sento no meu sofá. Não tenho feito nenhuma compra pela internet, não lembro de ninguém dizer que vai me mandar um pacote. Estranho: não tem remetente. Rasgo com prazer o papel pardo que cobre a caixa. É uma caixa vermelha. Abro-a. E havia outra dentro dessa, uma azul. E depois uma roxa. E verde. E mais algumas outras. Conforme eu as tirava uma da outra, elas diminuíam de tamanho, num esquema tipo as Matrioshkas. Passei por mais algumas cores até chegar numa caixinha branca que quase cabia dentro da minha mão. Dentro, não tinha mais uma caixa, mas sim um bilhete.
".. E eu amo você assim, por baixo de todas as camadas."
- Bom dia, senhor. - disse ele.
- Oi. - murmurei, respirando fundo. A coisa que me deixa mais puto, é, com certeza, ser acordado brutalmente.
E eu estava um lixo. Com a barba por fazer, a camisa machada de café, cabelo mais revolto do que do alguém que se meteu num furacão e samba-canção branca listrada com verde claro. O homenzinho vestido em amarelo e azul não pareceu notar, na verdade, e eu não estava muito aí. Só mantive distância suficiente para ele não sentir o meu hálito.
- Eduardo Oliveira, é o senhor?
- Sim. - respondo.
Ele tira uma caixa bem grande até de sei-lá-aonde e me entrega junto com uma prancheta.
- Assine aqui, por favor.
O faço. A caixa é pesada, até. Agradeço, ele me dá um sorriso e se enfia no caminhão de entregas, bem saltitante. Fecho a porta e sento no meu sofá. Não tenho feito nenhuma compra pela internet, não lembro de ninguém dizer que vai me mandar um pacote. Estranho: não tem remetente. Rasgo com prazer o papel pardo que cobre a caixa. É uma caixa vermelha. Abro-a. E havia outra dentro dessa, uma azul. E depois uma roxa. E verde. E mais algumas outras. Conforme eu as tirava uma da outra, elas diminuíam de tamanho, num esquema tipo as Matrioshkas. Passei por mais algumas cores até chegar numa caixinha branca que quase cabia dentro da minha mão. Dentro, não tinha mais uma caixa, mas sim um bilhete.
".. E eu amo você assim, por baixo de todas as camadas."
- Achei.
- O que?
- Me achei.
- E?
- Em problemas.
- Você não está falando coisa com coisa.
- Eu sou um imã de problemas.
Ela riu. Alto.
- Por favor, sua existência por si só já é um problema.
Pensei.
- Problemas atraem problemas. Você está certa.
- É claro que estou, M.
- E você está aqui.
Grandes olhos castanhos e cílios curtos se fixaram em mim.
- Sabe de uma coisa? É. Sim. Eu estou. Mas você está também. No fim, uma atraiu a outra e assim por diante. A nossa diferença, querida, é que eu não me martirizo por isso. Eu não tenho auto-piedade. Sou fodida, mas pelo o menos eu sou. Você nem isso consegue fazer.
- O que?
- Me achei.
- E?
- Em problemas.
- Você não está falando coisa com coisa.
- Eu sou um imã de problemas.
Ela riu. Alto.
- Por favor, sua existência por si só já é um problema.
Pensei.
- Problemas atraem problemas. Você está certa.
- É claro que estou, M.
- E você está aqui.
Grandes olhos castanhos e cílios curtos se fixaram em mim.
- Sabe de uma coisa? É. Sim. Eu estou. Mas você está também. No fim, uma atraiu a outra e assim por diante. A nossa diferença, querida, é que eu não me martirizo por isso. Eu não tenho auto-piedade. Sou fodida, mas pelo o menos eu sou. Você nem isso consegue fazer.
Seus pulmões eram árvores, seu coração, a Lua e o Sol ao mesmo tempo. As costelas eram o céu, o estômago, animais. Dos cabelos formavam-se mares. Seus dedos eram histórias, suas pernas, trilhas. Olhos formavam montanhas, a boca, um vulcão. Braços corriam-se voos e também flores. Seu cérebro era então ideias e opiniões e pensamentos e sentimentos mas também era mais pessoas e ilhas e países e dimensões e universos. Cada sorriso do ser criava um novo planeta, as risadas formavam melodias. Os cílios caindo eram sementes e as lágrimas, seu oxigênio. Se construía mais do que quebrava, é claro, e vivia contente nos cantos na imaginação. Berrava em um tom uníssono, aborrecia em si mesmo. Mimetizava em gestos suaves e significativos, beijava sem correntes e soprava a carne com gosto. E ele era bom, como era sim. Lindo e resplandecente. E era, era, era. Conseguia ser de novo, e de um jeito, depois de outro, mais tarde era outra. Um ser sendo. Apenas.
Subi no galho, me torcendo como alguma cobra perversa. Segurei firme, apoiei um pé do lado do outro. Encaixei as pernas no pedaço de madeira, suspensos por uma longa corda. Olhei para baixo. Tinha uma depressão uns 5 metros na frente, que dava para um rio. Cheio de pedras. A probabilidade de eu me espatifar, quebrar o crânio e morrer não era grande, de qualquer jeito. Uma pontinha de medo me cutucou, mas ignorei. Saltei. Meu peito inflou, preenchido como um balão, e eu o estourei com um grito; um palavrão bem alto e claro. Comecei a rir, a adrenalina correndo nas minhas veias, dançando comigo, fazendo cócegas. Me senti um pássaro quando voa pela primeira vez. Toda uma brisa beijou o meu rosto e eu a abracei. Tudo pareceu mais distante, mais irreal. Era bom. Eu queria fazer de novo e de novo e de novo. E fiz.
Junte-se à mim. Olhe a Lua risonha, cortada, misteriosa. Admire-a, colega. Ela é uma das prova que vivemos em um planeta que poderá todos morrer e sofrer que ela continuará lá, brilhando. Eu até diria sobre o Sol, outra prova, mas não quero machucar os seus olhos. Você já está doída demais. Deixe-me te cuidar, sim? Mostre os ferimentos, é, sim, estão ruins mesmo, mas nada que não vá sará com o tempo. Você precisa ser forte, colega. Resista à tentação de arrancar o esparadrapo. Eu estarei aqui com você, secando as suas lágrimas, prometo. Você irá ficar bem, mesmo que aja alguma infecção, não será fatal. Te darei meu sangue, se for preciso. Você é uma boa pessoa, colega, Ele irá te ajudar, ouvir suas preces. Acredite. Mantenha a fé, mesmo que pareça que os seus braços vão cair, seu coração explodir, seu cérebro despedaçar. Não, eu não disse que seria fácil. Apesar disso, te ofereço meu conforto. Todo ele. Todas as horas do dia. Dê-me sua mão. Estamos ligadas, acredite, você é a outra parte de mim. Nossas veias se conectam, eu preciso de você, sim, juro, você é a minha vitalidade. Esperança, tenha esperança pois eu estou aqui e nunca, nunca, nunca partirei. Sinto muito, você está fadada a viver isso, e comigo. Aceite. Siga em frente. Eu te guiarei.
A caminhada deixou meus pés doloridos. Meu ouvido zunia por causa de uma abelha, mas não estapeei o ar como todos fazem, apenas continuei andando calmamente. Estava frio, a noite caindo, quase totalmente escuro. Levanto a cabeça. Tem um cachorro sentado no meio fio. Ando até ele, dizendo palavras com aquela voz estúpidas que todos usamos quando falamos com alguma coisa fofa. Acaricio o seu pelo, uma mescla de caramelo e branco e preto, bem sedoso. "O que está fazendo aqui sozinho, amigão?". Ele me encara. É o animal com o olhar mais triste que eu já vi em toda a minha vida. Isso me desaba. Sento junto à ele. Tenho certeza que pertence à alguém, pois possui uma coleira de couro e parece bem alimentado. Sorrio para ele, tentando trazer alguma paz, o fito com toda intensidade possível, transmitindo alguma segurança. Ele passa o focinho gelado na minha mão, e eu beijo o topo de sua cabeça. Ele não parece muito melhor, mas então abana o rabo e corre para longe. E foi como se nunca estivesse ali.
"Quando pensava na morte dele, o que, diga-se de passagem, não aconteceu tantas vezes
assim, eu sempre pensava da forma como você tinha descrito, como se os fios dentro dele
tivessem se arrebentado. Mas existem milhares de maneiras de se pensar a situação: talvez os
fios se arrebentem, talvez o navio naufrague ou talvez nós sejamos relva, nossas raízes tão
interdependentes que ninguém estará morto enquanto houver alguém vivo. O que quero dizer
é que as metáforas não são poucas. Mas você precisa ser cuidadoso ao escolher sua metáfora,
porque ela faz diferença. Se escolher os fios, significa que está imaginando um mundo no qual
você pode se arrebentar de forma irreparável. Se escolher a relva, então quer dizer que todos
nós somos interligados e que usamos esse sistema radicular não apenas para compreendermos
uns aos outros, mas também para nos tornarmos o outro. As metáforas têm consequências.
Está entendendo o que quero dizer?
Ela faz que sim com a cabeça.
— Gosto dos fios. Sempre gostei. Porque é exatamente assim que eu me sinto. No entanto,
acho que eles fazem a dor parecer mais fatal do que realmente é. Não somos tão frágeis quanto
os fios nos fariam acreditar. E gosto da relva também. Foi ela que me trouxe até você, que me
ajudou a imaginá-lo como uma pessoa de verdade. Mas não somos brotos diferentes da mesma
planta. Eu não consigo ser você. Você não consegue ser eu. Por mais que você imagine o outro,
nunca o imaginará com perfeição, não é? Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo…as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em
determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. Quando começa a
chover dentro do Osprey, ele nunca vai voltar a ser o que era. Mas ainda há um tempo entre o
momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos
por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos
além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das
rachaduras deles. Quando foi que nos olhamos cara a cara? Não até que você tivesse visto
através das minhas rachaduras, e eu, das suas. Antes disso, estávamos apenas observando a ideia
que fazíamos um do outro, tipo olhando para sua persiana sem nunca enxergar o quarto lá
dentro. Mas, uma vez que o navio se racha, a luz consegue entrar. E a luz consegue sair. "
- Cidades de Papel, John Green.
assim, eu sempre pensava da forma como você tinha descrito, como se os fios dentro dele
tivessem se arrebentado. Mas existem milhares de maneiras de se pensar a situação: talvez os
fios se arrebentem, talvez o navio naufrague ou talvez nós sejamos relva, nossas raízes tão
interdependentes que ninguém estará morto enquanto houver alguém vivo. O que quero dizer
é que as metáforas não são poucas. Mas você precisa ser cuidadoso ao escolher sua metáfora,
porque ela faz diferença. Se escolher os fios, significa que está imaginando um mundo no qual
você pode se arrebentar de forma irreparável. Se escolher a relva, então quer dizer que todos
nós somos interligados e que usamos esse sistema radicular não apenas para compreendermos
uns aos outros, mas também para nos tornarmos o outro. As metáforas têm consequências.
Está entendendo o que quero dizer?
Ela faz que sim com a cabeça.
— Gosto dos fios. Sempre gostei. Porque é exatamente assim que eu me sinto. No entanto,
acho que eles fazem a dor parecer mais fatal do que realmente é. Não somos tão frágeis quanto
os fios nos fariam acreditar. E gosto da relva também. Foi ela que me trouxe até você, que me
ajudou a imaginá-lo como uma pessoa de verdade. Mas não somos brotos diferentes da mesma
planta. Eu não consigo ser você. Você não consegue ser eu. Por mais que você imagine o outro,
nunca o imaginará com perfeição, não é? Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo…as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em
determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. Quando começa a
chover dentro do Osprey, ele nunca vai voltar a ser o que era. Mas ainda há um tempo entre o
momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos
por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos
além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das
rachaduras deles. Quando foi que nos olhamos cara a cara? Não até que você tivesse visto
através das minhas rachaduras, e eu, das suas. Antes disso, estávamos apenas observando a ideia
que fazíamos um do outro, tipo olhando para sua persiana sem nunca enxergar o quarto lá
dentro. Mas, uma vez que o navio se racha, a luz consegue entrar. E a luz consegue sair. "
- Cidades de Papel, John Green.
De algum jeito me encaixei em sua turbulência. Talvez até tenha amenizado um pouco o caos; mas sei que o fiz mais suportável. Odiando-me por não conseguir pará-lo, chorei novamente. Como eu queria que soubesse que eu enfrentaria vinte buracos negros por você se fosse preciso. Mais ódio. Não consigo nem se quer provar. Eu penetrei muito além da sua carne forte e resistente, mesmo tendo a minha própria pele arrancada no processo. Cheguei em sua alma - aquela que você achava que não tinha - e vi. Vi toda a sua parte desgastada e suicida e letal ao mesmo tempo, mas enxerguei a parte bela e pacífica e vívida. Achei também, nas entranhas de toda essa partição tão exata, dúvidas. Pontas de velhas histórias, cigarros apagados de vento, músicas cantadas de melodias estranhas. Memórias perdidas. Inferno em olhos. Livros escritos e jogados foras. Me coloquei bem ali, entre tudo, no centro de nada, tornando-me um artífice encabulado nesse mundo tão igual dentro de um ser tão diferente. Abraço-lhe os lábios, finos e macios, tendo camélias presas entre os dedos e sorrisos rasgados. Explodo junto em prazer e em felicidade e em amor, apesar de tudo. Em paz. Porque em meio de toda a bagunça, sendo a bagunça, iremos conseguir desembaralhas e tirar os nós de tudo isso. Os cosmos estão se ajeitando, só é preciso paciência e força de vontade. Fundirei-me à ti, meu amor, só.. me aguarde.
Eu tremia compulsivamente, meus dentes batiam e rangiam. Respirei fundo 7 vezes, mas não adiantava: meus dedos chacoalhavam sem trégua e uma dor apossava todo o meu coração. Ouvi dizer que ele é um músculo que não dói assim, mas eu tenho certeza que naquela hora doeu. A aflição mais profunda que eu já senti, como se alguém o apertasse e o contorcesse. Quis chorar um rio. Uma angústia me abrangeu, minha garganta travou. Tum-tum-tum, tum-tum-tum, ele batia - e de um jeito anormal, igual à mim. "Será que isso terá um fim?", pensei. Me faltou coragem para enfiar alguma lâmina no meu corpo, mas estava tão desesperada que eu o faria. Arfei. Eu estava pensando longe, "que roupa irão escolher para o meu funeral? Todos os meus sapatos altos estão na casa de Helena e eles não vão à Portugal para buscá-los!" "será que irão vender os meus livros?" "como irão avisar à Débora que morri? Que me matei?" "como ele irá se sentir? Será que irá chorar?". Rio ao lembrar disso, mas a morte parecia tão assustadoramente perto, pronta para me beijar. Eu até vi suas asas de corvo, escutei sua voz áspera. Senti o sangue se espalhar por dentro de mim, entupindo cada linha de corrida minha. E a dor, ah, a dor. Mil pregos me perfurando. Meteoros me detonando. Minha alma lutava para sair do meu corpo, mas eu usava as poucas forças que tinha para acalmá-la. Estava ruim, cada vez pior, caindo em um poço sem fundo. E eu não tinha nenhuma corda. (...)
and then, i realised it. we are all fated to live and love and hate and to dead. there's no way out.
20:32
Fogo no peito à uma da manhã
E
Cabelo acalentado.
Unhas
Quebradas
Cara Iluminada
Nariz
A
r
d
e
n
d
o
O vento uuUuUuiva e
Carros.....ressoam
Gargantaaperta
Vida corrrrrrrrrrrrreeeeeeee
Morte
Parte.
E
Cabelo acalentado.
Unhas
Quebradas
Cara Iluminada
Nariz
A
r
d
e
n
d
o
O vento uuUuUuiva e
Carros.....ressoam
Gargantaaperta
Vida corrrrrrrrrrrrreeeeeeee
Morte
Parte.
Deixamos um pedaço nosso em cada esquina que estivemos, em cada azulejo que pisamos, em cada pessoas que tivemos contato. Seja uma esquina que você só esteve única e rápida vez, um azulejo irrelevante ou um estranho qual você lançou um olhar de soslaio. Um fragmento se encontra nas mínimas coisas. Às vezes, você entrega uma parte sua à alguém ou algo de propósito, também. Um sonho; um amor. E outras vezes, essa parte é devolvida. Quase toda ela, pelo o menos. Também, pode ser destruída. Ou divida em vários outros pedaços. Em qualquer caso dói, mas também te proporciona prazer. Estar colado secretamente em um lugar para sempre me parece incrível; ou na alma de outra pessoa até a sua morte; ou mesmo gravado no asfalto. Sua memória, sua sensação, seu momento. Tudo ali, com Fulano ou com Rua de Tal. É como ser grande no mundo, mesmo sendo mais pequeno que um grão de areia. Então, digo: se cada grão de areia fosse tão insignificante assim, não teríamos uma praia.
Estou fora de alcance, mas me dê amor. Me dê aquele amor que você nunca se permitiu sentir antes, venha e então me pegue. Não se importe com as minhas palavras tropeçadas, com a minha falta de sabedoria, com a guerra, só me dê amor. Me entregue o seu coração, prometo que o terei com cuidado, que irei enchê-lo até cair mas cuidá-lo. E então, fique. Esteja comigo, seja meu, me deixe provar os seus lábios, chorar na sua pele. Se quiser, se esconda entre as páginas da nossa história conturbada, mas eu irei contar até dez e então te procurar. Não é possível lutar sem se ferir, querido, mas nós iremos sobreviver e então sarar, prometo, beijarei suas cicatrizes e sei que estará mais lindo do que nunca. Pinte nossos sonhos com alguma realidade, mas esqueça a certeza, por favor, eu sei, é difícil, mas se jogue. Eu estarei esperando o tempo que for necessário e sempre com a mesma força. Farpas entraram nos nossos corações, suas asas despenaram, estamos a ponto de se destruir, mas então, ande, me dê amor e tudo ficará bem. Dê-me algum tempo, mas isso é um juramento de sangue. Te entrego um pedaço da minha alma, você é a minha escolha, aceite isso. Bem-vindo ao meu corpo, a minha mente, se junte à mim, se transforme comigo. Te ligarei às quatro da manhã e te falarei besteiras todos os dias, florescerei na sua presença, arrepios irão correr-me ao receber seu olhar. Alto, estou alto e longe e sem toques e também desconcertada e mesmo assim te peço.. Me dê amor.
Cada um deles tinha um infinito dentro de si. Estrelas, amores, milhares de vidas. Corações saltitantes e enormes. Risadas borbulhantes. Uma porção de compreensão e lealdade. Infinitos sentimentos, razões, pensamentos. Todos eram lindos de um jeito singular, à sua maneira. Transbordavam almas e amor e também borboletas. Olhos vívidos. Carregavam com eles lembranças ardidas e experiências transtornadas, desenhos de traços fortes, nomes excêntricos, manias estranhas mas engraçadas. Eles caminhavam e se jogavam entre os anéis de Saturno, enfiavam-se em livros, discutiam sobre monstros. Alguns tão perto, outros tão longe, mas unidos e entrelaçados e juntos por algo bem maior que qualquer distância. Seus dedos trambolhavam durante a madrugada, a visão embaçava, uma distração sempre os apossava. Mas eles continuavam firme. Se gostando. Juntos. Às vezes um ou outro citava alguma tortura póstuma, um ou outro diziam coisas inapropriadas. Não são perfeitos e isso acabou por ser perfeito, pois as personalidades se encaixavam, as palavras combinavam e os opostos se atraiam. Nos infinitos de cada um, havia infinitos universos. Mas, com certeza, aquele que eles se encontravam era o melhor.
Achamos que as razões pertencem aos céus. E sim, em parte, pertencem mesmo. Mas a outra parte é nossa. Nós temos um peso nisso. Se uma escolha te levará a um universo diferente ou no fim te enviar ao mesmo destino, não posso dizer. Eu sou uma mera mortal, e, como isso, acredito que não somos palitinhos a serem mexidos de acordo com os conformes. Talvez eu esteja terrivelmente errada, mas prefiro ignorar isso, pois afinal, toda a vida - e até a morte - é uma grande e bela suposição. Não podemos se quer afirmar com toda a certeza que amanhã existirá oxigênio, que veremos o sol, que a Terra não despencará e nos chutará para a eternidade. O humano gosta de ser grande, porém apenas alguns realmente são. E menos ainda são grandes de um jeito bom. Sempre queremos ser mais do que temos capacidade para ser. Vontade não falta, mas geralmente, garra, persistência e fé não existem. Esperamos que isso caia ao nossos pés, Não adianta ser a maior vontade de nossas vidas se não estivermos dispostos a sangrar, sofrer, sacrificar. Coisas ficarão para trás. Nós prosseguiremos com o objetivo. Não posso dizer que sou uma grande pessoa, mas tenho um grande coração. Percorro paredes atrás de métodos de crescer, leio, sorrio e.. Sejo. Não culpando os astros, o meu Deus e nem a mim mesma. Não me ponho como objeto, não me ponho como o controlador, não me ponho como regra e tão pouco, quanto exceção. Eu aceito. Estou aqui e quero isso. Os porquês são os detalhes - sim, malditos detalhes, eu sei -, e não importa quem seja o culpado.. Fatos não se alteram, pelo o menos não o que eu conheço por fatos, não os meus fatos. Não acredito que nada seja em vão, também, pois não me rebaixo ao papel de instrumentos. Isso tudo só.. é. Há de ser, então é. Fim. Ponto. Mas reticências.
Every little thing seems possible. I can see a intire world of possiblities, of hope, of love. A different world, but, at the same time, this world. Yeah, Earth. But there is no chaos, death, hate. I can see people growing up happy, kindness being the new black, faith belonging us together. How it suppose to be. Human's eyes shows peace, not grediness. And you can see their souls. Looks like perfection, and, probably it really is. Me, you, our lovers. It's enough. We don't need diamonds, because we already shine. Really, we do. We perspire confidence, have a taste for help and we truly feel - everthing, you know that I mean. I know, you disagree with me, but this doesn't change the facts: that's all because of us. We are real and this is the reason the things will work, and will be perfect, and will be fine. I promise, you can count on me. Trut me, and then, every little thing will be possible.
Talvez a coisa mais engraçada e ao mesmo tempos trágica sobre mim, seja eu conseguir ser tudo e depois nada. Aproximo-me sorrateiramente por palavras, ganho sua confiança e te divido sorrisos. Escuto seus problemas, ajudo a não cair em escadas, te faço dançar loucamente. Eu te amo, sim, eu também te amo. Mensagens de madrugada, fotos, partição de tudo, desde roupas a comida. É assim, durante tempos, até perdemos contato durante uma semana - semana que geralmente se transforma em meses, e então anos. Depois, você se esquece do quanto eu era boa. Gentil. Amiga. Você se esquece de tudo isso e não sente mais a minha falta, abrandada por algo parecido com a culpa de não saber onde estou, como estou, sendo que metade de um verão atrás, você sabia a minha rotina de cor. Sua mente apaga os abraços, as piadas internas, as caminhadas. Soa como um passado distante, uma amizade não importante, coisa de um mês. Tudo. E de repente, eu sou nada para você. Sou empurrada à um precipício de mil milhas de profundidade, caio, caio, caio em esquecimento até ser esmagada por ele, ter meus ossos partidos, minhas esperanças arrancadas e estupradas. Viro pó e as partículas se espalham e então eu semeio e cresço e floreio em outro lugar. Então, me aproximo sorrateiramente por palavras..
Nós somos cúmplices dessa loucura toda. O clima está pesado, realmente, como se a pressão atmosférica estivesse baixa demais. Talvez esteja. Os seus gritos tinham transbordado todo o nosso lar ontem, deixou alguns de nós surdos e matou Fulano com o poder daquelas palavras. Horrível. Senti o seu ódio me atravessar mesmo estando escadas acima. Meus olhos vacilam e eu quase me quebro. Droga, por que fazer isso? O choros do pupilo quebram, lentamente, o meu coração. Quero agarrá-lo, e então niná-lo, mesmo não tendo nenhum instinto maternal. A Coisa (ela não merece nem ser chamada de pessoa) joga e estilhaça qualquer objeto repetida vezes, provocando um baque enorme na minha fina parede de gesso. Enfio a cara na minha almofada. Soa como se o mundo estivesse desabando, como se toda a porra do universo caísse sobre nós e então nos esmagasse, quebrando cada osso, apagando todas as células, sugando cada resquício de sanidade. Ela é louca, instável. Está partida, irrecuperável, doída. Profere raiva ao invés da compaixão. Mostra o dedo do meio para o mundo, diz o quanto odeia putas e o som de "inveja" e cerveja quente. Foda-se, foda-se, foda-se, lixo, vocês são um lixos, não encoste em mim, vou quebrar sua mão, idiota, babaca, estúpido, vai se foder. A mulher, garota, coisa é um peso, algo que somos obrigados a amar e aceitar e tentar sufocar com um travesseiro à noite. Sua bipolaridade atinge o auge e nós não podemos colocar um limite. Na teoria, não podemos fazer nada além de esperar a sua boa vontade, além de aturar. A culpa é nossa por não ter dado um fim nisso antes, anos e anos atrás, quando tudo ficou pior e caímos nesse poço sem fundo. Poderíamos ter desviado do caminho, ignorado as moedas. Mas não o fizemos. Agora escalo, perdendo os dedos, a parede do poço. Durante tempos esperei por isso, e finalmente, eu vejo um brilho escasso nos seus "olhos suaves". É a hora, então. O fim.
Estralo os punhos, girando-os lentamente até ouvir o crack. Linhas me ligam ao pescoço, dedos, costas. Me fazem espreguiçar como um gato, bocejar alto e sorrir para o sol. Brinco com as pontas do meu cabelo, encosto no travesseiro de novo e repentinamente, pular para o chuveiro morno. Minhas unhas estão quebradas, esmalte descascado, calos envolvem a minha pele. Cordas me puxam para uma canção qualquer usando um ritmo animado, quase me fazem escorregar ao eu dançar de um jeito atrapalhado. Mas rio, transbordo felicidade. O caminho para o trabalho parece encantador, como se eu estivesse na ilha mais paradísica do mundo. Loucura. Estou cega, mas ao mesmo tempo, vendo tudo. A beleza em um pássaro no fio elétrico, no som das botas batendo no chão, os delicados respingos da chuva de ontem. Vejo a beleza em cada coisa impossível. Meu coração compassa rapidamente, acompanhando cada pensamento. Os Estranhos me acham estranha. Finas ligações fazem que o fulano do lado suspender a sobrancelha um milésimo de segundo depois de eu tomar conhecimento disso. E é engraçado, pois eles não me conhecem, e nem eu; ele, mas mesmo assim temos o mesmo ar, o mesmo chão, o mesmo mundo. Não parece fazer sentido, mas faz. O mundo é cheio de conexões, mesmo que seja banais como essa. E eu sinto todas.
O fogo corre por aí. Feliz. Queimando. Sendo. Ser é bom, mas eu raramente consigo o fazer. É como uma arte: ser é honestidade e liberdade e vários outros ades. Seja hones ou liber ou sei lá, não tenho nada disso e dependo de um fluxo, de uma sensação, de um momento para ser. Me encaixo entre os paradoxos de uma situação, chuto um balde metálico para longe, sorrio o chão. Pulo. Bato os calcanhares no meio-fio, raspo os tênis na lixa, caio e bato o quadril, deixando-o roxo. E então, fogo feliz, dentro de mim. Me atiça, me faz morder os lábios, me contorce de líbido. Penetra na minha carne e faz com que cada milímetro meu ria. Corro também, é como um jato de fumaça me empurrasse pra frente, sempre em frente e cada segundo que queima, eu abraso. Crepita em cada órgão meu, mas não dói, não, nada de dor. Apenas um formigamento, cócegas, um soquinho bem leve no braço. Beijo o ar, mas queria fosse os seus lábios - e na minha pélvis. Sussurro para a Lua o quanto ela está linda hoje e ela me olha com ternura e diz que eu estou radiante e brilhante. Meus cabelos roçam na minha nuca, espalham um cheiro de argan e chacoalho a cabeça freneticamente, tentando dissipar uma melodia da minha cabeça e abro os braços, abraço o mundo, a vida, a razão. Entendo, sim, entendo. Nasci para conspirar positividade, nasci para ser mimada, nasci para pertencer à suas asas. Marteladas me batem o cérebro, meus dedos tintilam num baque surdo e frio balança os meus ligamentos. A brisa grita em mim quando levanto da terra, me rasga como uma faca cega, chora como se pudesse chorar. Tum, tum, tum, o coração fala. Me escute querida, eu mando em você. E é verdade. Nós somos prisioneiros de nós mesmos, presos no nosso sangue, na nossa doença, na nossa deficiência. Horrível mas também bom. Não. Tudo é horrível mas também bom. Acendo um cigarro com a minha alma, a nicotina dopa e arde meus pulmões, enlouqueço com a espécie de gás que sai da minha traqueia. Estalo o pescoço. Chupo a minha própria língua. Quebro a minha unha. Meu controle, querido. Meu. O fogo acende em mim mais forte quando eu me atiro da pedra alta, me sinto como um morcego com asas quebradas, me sinto grande, me sinto eu. Sou, queimo, feliz. Minha existência era fogo, meu fogo é a existência. E então, o fogo apaga.. Afinal, fogo e água não se dão bem.
Provavelmente era uma da manhã e o meu vestido verde escuro estava agarrado ao meu corpo por causa do calor. Uma impressão que a minha maquiagem estava saindo aos poucos me atingia, mas eu não me importei. Meu batom se encontrava borrado, porque mesmo eu tê-lo retocado, ele me beijou o caminho todo de volta para casa, no banco de trás do táxi. Eu estava radiante por os nossos lábios se encaixarem tão perfeitamente, por suas mãos me envolverem de um jeito tão delicado porém firme, por nossos corpos se fundirem num só quando juntos. Por isso tudo e por outras milhares de coisas, mas principalmente por estar ali com ele, presenciando toda a sua aura maravilhosa. Chegamos na casa dele, eu sem os meus saltos para não fazer barulho e tentando não tropeçar em seus pés, ele segurando o riso e apertando a minha mão. Fechamos a porta e mais um beijo estala e depois outro e depois mais um. Ele me puxa pro seu quarto, me fazendo quase cair. Essa química que nós temos é imprescindível. Eu mesma me jogo na cama e já o levo junto, colocando as nossas línguas numa dança frenética, puxando o seu cabelo e cruzando as minhas pernas em volta do seu quadril. Ele desce pela minha clavícula e faz arrepios no meu pescoço, distribuindo selinhos pela a minha pele branca. Meus dedos escorregam pelos botões da camiseta preta que está usando e alguns momentos depois sinto o seu peito magro e o seu tecido maravilhosamente liso, como a mais cara das sedas. Sorrio com esse pensamento e ele finalmente chega nos meus seios, puxando o meu vestido para baixo sem se preocupar muito com o zíper e encosta suavemente a boca nos meus mamilos, arrancando gemidos de mim. Sem perceber, eu estou quase totalmente nua na sua frente, bordada com apenas a luz fraca da lua e uma calcinha de poliéster. Busco seu cinto e o tiro, abrindo lentamente o zíper, abaixando suas calças e tendo uma vontade imensamente louca de rir. Eu sei que ele está surpreso, pois eu sou pura e sei exatamente o que fazer e quando fazer. Suavemente tiro sua cueca box e massageio o seu membro, enquanto ele me beija e me beija e me beija. Em algum momento, ele para e olha para mim, mordendo o lábio inferior e eu sinto os calafrios, a onda de satisfação por fazê-lo sentir desse jeito me dominando. Não paro. Retribuo o olhar e faço quase um imperceptível sim com a cabeça, e então ele salta, busca o pequeno pacote quadrado, o abre e encaixa no seu devido lugar. Mais algumas danças e ele explora cada canto do meu céu e dos meus dentes e da minha bochecha e põe seus dedos na minha pureza, fazendo movimentos silenciosos e deliciosos. Um som de prazer está na minha garganta e eu uno mais os nossos corpos, e então ele gradativamente entra em mim, atingindo-me em dores ardidas, como se estivesse me rasgando em duas, me transformando em nada e então tudo, e ele faz isso várias vezes e eu só sinto dor e um desprazer enorme, mas procuro relaxar e respirar fundo e então vai ficando menos pior. Ele sussurra um "olhe para mim." e eu olho e vejo que ele está preocupado em me machucar então eu sorrio e ele sorri e uma cócega engraçada toma conta de mim quando ele se satisfaz e me deixa vazia de novo. Ao mesmo tempo, o orgasmo chega nas minhas entranhas e todo o meu corpo se contorce, querendo gritar, querendo expulsar a minha própria alma. Caímos cansados e eu me aninho no seu tórax. Dois minutos e quando vejo, já estou em cima dele de novo. Vai ser uma longa noite..