Não basta você se sentir mal. Você tem que se sentir pior por outras pessoas também. É por isso que eu não queria ser amigos de pessoas assim - pessoas que acima de tudo, só vêem a própria dor. Eu escuto e aconselho e me preocupo, mas creio que deveria ser mútuo também. Quantas vezes já mostrei escarecidamente que queria ajuda e nada? Estou cansada disso. Elas perguntam mais por curiosidade do que por interesse em ajudar. É melhor guardar para mim mesma, assim, pelo o menos, não acontece mais uma decepção.
It's never okay.
Ela estava cercada por estranhas criaturas, que uma a uma fechou os lábios e a encarou. Mais delas surgiam a cada segundo, disparando sentenças corridas e em seguida caindo em um profundo silêncio. O coração dela bateu tão forte e rápido que teve que se forçar a respirar profundamente três vezes, chacoalhando os ombros involuntariamente, com arrepios descendo as pernas e escorrendo os dedos. Lágrimas de medo rolaram o seu rosto e ela percebeu que estava totalmente congelada. Os olhos nem se quer piscavam. Seu cérebro estava soltando faíscas e ela pensava: "meu Deus o que é isso eles vão me matar e vão jogar o meu corpo no espaço e ele vai se perder e acabar num buraco negro e eu nunca vou ver mamãe ou papai ou Nina ou ninguém de novo por favor por favor por favor não me machuque." Pensou alto, na verdade. As criaturas ficaram assustadas, ela percebeu, pois eles todos passaram para o seu lado oposto, fazendo-a os encarar.
É difícil explicar como eles são. Mundanos poderiam chamá-los de fantasmas, mas não é nada disso. Eles são reais. Suas aparências lembravam um ser humanos, mas só se viam os contornos e eles cintilavam em prateado. Os cabelos das criaturas eram em um tom metálico mais brilhante que alumínio, com os das "coisas" femininas caindo em ondas, parecendo flutuar em suas costas. Na verdade, não era só o cabelo delas que flutuavam. Eles em si o faziam, parecendo serem feitos de fumaça, irradiando um vapor sutil - dando a impressão que alguém esfregou o dedo em suas bordas, borrando-os, como fazemos com cascas de lápis em desenhos. Ninguém se moveu pelo o que pareceu ser uma eternidade, até que um deles moveu-se graciosamente para perto da menina. Tão perto que foi possível ver verdadeiros traços: olhos muito azuis, nariz fino, boca pequena, um abdômen liso, braços e pernas longas. Uma longa cascata cor de mercúrio desciam até a sua cintura. Encantada, a garota esticou os dedos , bem lentamente, para alcança-la e o ser fez o mesmo. Não tinha consciência em que tipo de consequência aquilo poderia causar - não, nem se quer pensou. Só fez. Sentiu que era certo. O encontro entre elas foi acompanhado por milhares e milhares de olhos curiosos e tensionados.
E então aconteceu. Um choque tão grande explodiu entre todas as moléculas de seus corpos. Literalmente explodiu cada molécula delas. Uma luz mais brilhante que o próprio Sol estourou naquele pedaço de mundo, espalhando sua energia não comunal em cada um que estivesse ali presente. Cada um ganhou um pouco da alma da garota, qual se infiltrou em suas partes mais profundas, recheando-os de sabedoria, fé e esperança. Não sabiam quem eram, quem queriam ser, quem deveriam ser. Mas, de repente, só.. Eram.
É difícil explicar como eles são. Mundanos poderiam chamá-los de fantasmas, mas não é nada disso. Eles são reais. Suas aparências lembravam um ser humanos, mas só se viam os contornos e eles cintilavam em prateado. Os cabelos das criaturas eram em um tom metálico mais brilhante que alumínio, com os das "coisas" femininas caindo em ondas, parecendo flutuar em suas costas. Na verdade, não era só o cabelo delas que flutuavam. Eles em si o faziam, parecendo serem feitos de fumaça, irradiando um vapor sutil - dando a impressão que alguém esfregou o dedo em suas bordas, borrando-os, como fazemos com cascas de lápis em desenhos. Ninguém se moveu pelo o que pareceu ser uma eternidade, até que um deles moveu-se graciosamente para perto da menina. Tão perto que foi possível ver verdadeiros traços: olhos muito azuis, nariz fino, boca pequena, um abdômen liso, braços e pernas longas. Uma longa cascata cor de mercúrio desciam até a sua cintura. Encantada, a garota esticou os dedos , bem lentamente, para alcança-la e o ser fez o mesmo. Não tinha consciência em que tipo de consequência aquilo poderia causar - não, nem se quer pensou. Só fez. Sentiu que era certo. O encontro entre elas foi acompanhado por milhares e milhares de olhos curiosos e tensionados.
E então aconteceu. Um choque tão grande explodiu entre todas as moléculas de seus corpos. Literalmente explodiu cada molécula delas. Uma luz mais brilhante que o próprio Sol estourou naquele pedaço de mundo, espalhando sua energia não comunal em cada um que estivesse ali presente. Cada um ganhou um pouco da alma da garota, qual se infiltrou em suas partes mais profundas, recheando-os de sabedoria, fé e esperança. Não sabiam quem eram, quem queriam ser, quem deveriam ser. Mas, de repente, só.. Eram.
because
im so so so so tired that i keep running even from myself because i cant tolerate feeling like this. this seems right but its all so wrong and is impossible to fix it. i cant fit in, i cant be a good friend, a good person, i cant be pretty enough, i cant be smart enough, i cant do the things i want to, i cant not care about people say, i cant move on, i cant keep my mouth shut, i cant do people listen to me, i cant write good enough, i cant not be a mess, i cant be normal, i cant not be selfish, i cant read that books ,i cant disappear, i cant speak neither portuguese nor english very well, i cant stop myself of feeling, i cant not want to kill everybody and then myself because its all my fault and its their fault as well and i cant tolerate anymore the voices, the noises, the war, the irregular family and that i have, i cant be who i wanna be, i cant and i cant and i cant. i cant leave my home and my mom and my cat, i cant not want attention, i cant stop to talk with him, i cant stop want to smoke and then smoke, i cant not want to call my idiot dad at the middle of the night saying please just get me a ticket to far far far far away from here
because
i just keep thinking that im losing so many people and im losing myself and i cant do anything about it, i just keep thinking that people will miss me if im gone but then they will just get over it except for my parents and even beside all this i cant do this with them
why people does not listen to me, why my parents gets mad with me about nothing, why is he too far away from me, why do i have to keep talking with her, why doesnt the things work out, why i am scream into the void, why cant i just stay in one place for good, why i dont belong to this anywhere
because
i i i i i i i i i i
im so so so so tired that i keep running even from myself because i cant tolerate feeling like this. this seems right but its all so wrong and is impossible to fix it. i cant fit in, i cant be a good friend, a good person, i cant be pretty enough, i cant be smart enough, i cant do the things i want to, i cant not care about people say, i cant move on, i cant keep my mouth shut, i cant do people listen to me, i cant write good enough, i cant not be a mess, i cant be normal, i cant not be selfish, i cant read that books ,i cant disappear, i cant speak neither portuguese nor english very well, i cant stop myself of feeling, i cant not want to kill everybody and then myself because its all my fault and its their fault as well and i cant tolerate anymore the voices, the noises, the war, the irregular family and that i have, i cant be who i wanna be, i cant and i cant and i cant. i cant leave my home and my mom and my cat, i cant not want attention, i cant stop to talk with him, i cant stop want to smoke and then smoke, i cant not want to call my idiot dad at the middle of the night saying please just get me a ticket to far far far far away from here
because
i just keep thinking that im losing so many people and im losing myself and i cant do anything about it, i just keep thinking that people will miss me if im gone but then they will just get over it except for my parents and even beside all this i cant do this with them
why people does not listen to me, why my parents gets mad with me about nothing, why is he too far away from me, why do i have to keep talking with her, why doesnt the things work out, why i am scream into the void, why cant i just stay in one place for good, why i dont belong to this anywhere
because
i i i i i i i i i i
Encontrou-se respirando um ar gélido e áspero, que deixava cócegas nas suas vias aéras e refrescava o pulmão a cada golfada. Ela não tinha fechado os olhos por aquele minuto inteiro depois de ter chegado ali, com medo de tudo aquilo desaparecer, escapar como um sonho o faz algumas horas depois de acordamos. Mas então seus olhos não aguentavam mais, e instintivamente, ela piscou. E piscou. E piscou. E as coisas continuaram daquele jeito.
Que coisas, exatamente?
Se você a perguntasse, ela não iria saber te dizer - isso porque a menina é a mais tagarela de todo o bairro, do tipo que, quando a família senta à mesa, ela fala tanto que deixa a comida esfriar e sua mãe tem que aquecer de novo. Grandioso, talvez, conseguisse pronunciar, mesmo que não seja o suficiente. Olhou ao seu redor, atordoada, com sinapses correndo e correndo em seu corpo, lutando para entender aquilo.
Era óbvio que não era o mesmo planeta: ela sabia disso pelos livros. Não escutou nem um ruído além das vozes dentro de sua mente, viu bilhares de estrelas grudadas ao céu e cada ponto que olhava havia um círculo bem grande, como se fosse uma lua. O chão era macio de pisar, mas ao mesmo tempo, escorregadio. Então o desespero finalmente baixou-se, demorando um pouco mais do esperado. Primeiramente, ela não tinha ideia de onde estava - mas sabia que estava muito longe de casa. Segundo, não sabia o que tinha acontecido. Terceiro, ela não tinha água nem comida nem mesmo um casaco (note que a menina está de pijamas azuis). Quarto, ela estava sozinha.
Não demorou muito para os soluços virem e todas as possibilidades loucas voarem para a sua cabeça em um segundo. Será que sua família irá a procurar por anos e anos e então assumir que ela morreu de algum jeito misterioso, como todos fazem? O que acontecerá a Sra. Plum? E os seus livros, quem irá limpá-los toda semana e arrumá-los por título e tamanho e cor? Qual será o final de O Pequeno Príncipe (ela havia começado a lê-lo um dia antes e estava quase terminando-o)? As pessoas irão chorar por sua causa? Nina, sua cocker spaniel gorda, irá sentir sua falta? Sua irmã ficará com o seu quarto e tirará todo o papel de parede florido porque sempre odiara, enquanto a menina demorou horas para colocá-lo? Mamãe a matará se ela morrer. Ou desaparecer. E agora? Ela irá morrer de frio ou de fome? Qual seria o mais doloroso? O que há depois da morte? Oh. Meu. Deus. Ela nunca vai dizer adeus para mamãe. Nem para Carolina ou Thomas. Eles nunca saberão o quanto ela os ama. Pensando em tudo isso e mais um pouco e mais ao mesmo tempo, seu cérebro gritou por uma pausa. Não aguentava mais pensar: era demais ter de lidar com tanta informação.
Sentindo-se impotente - uma das sensações que mais odiava -, jogou-se no chão, que acolheu-a como um manto quente e chorou até cair no sono. Teve pesadelos confusos sobre prédios altos e morangos, acordando toda hora esperando estar em casa. Levantou-se sabe se lá quanto tempo depois, com os ciclios grudados e pela primeira vez na vida, com fome - mas fome de verdade, ao ponto de parecer que tem um buraco no seu estômago e você, gradualmente, sentir seu corpo tentando absorver toda a gordura possível que há (e no caso da menina, não era muita, considerando sua magreza de garça). Ela nunca havia sentido tanta assim, se sentiu fraca e a sua visão começou a ficar turva e preta. Agachou-se, mas tentou manter a cabeça levantada. Não tinha certeza se funcionava, mas sua avó dizia para o fazer se sentisse qualquer tipo de sensação ruim - não apenas fraqueza assim, mas como espíritos e coisa e tal. Calafrios percorreram sua espinha e uma de suas sobrancelhas automaticamente levantou-se ao ouvir um ruído. Tentou se concentrar nele e não no fato de tudo estar um verdadeiro caos, percebendo mais o ruído tão tão tão baixo que só naquele profundo silêncio poderia ser ouvido. Não tinha ideia do que poderia ser, mas agarrou-se à aquilo como sua última esperança. Se pôs em pé lentamente, caminhando em pés cuidadosos atrás do barulho, que lembrava o sopro de uma brisa e sussurros. Estava apenas seguidos seus instintos, apurados e desesperados por qualquer chance de sobrêvivencia.
O som ficava mais e mais alto, multiplicando-se duas vezes a cada passo seu. E, mais uma vez, não conseguia acreditar no que estava vendo.
Que coisas, exatamente?
Se você a perguntasse, ela não iria saber te dizer - isso porque a menina é a mais tagarela de todo o bairro, do tipo que, quando a família senta à mesa, ela fala tanto que deixa a comida esfriar e sua mãe tem que aquecer de novo. Grandioso, talvez, conseguisse pronunciar, mesmo que não seja o suficiente. Olhou ao seu redor, atordoada, com sinapses correndo e correndo em seu corpo, lutando para entender aquilo.
Era óbvio que não era o mesmo planeta: ela sabia disso pelos livros. Não escutou nem um ruído além das vozes dentro de sua mente, viu bilhares de estrelas grudadas ao céu e cada ponto que olhava havia um círculo bem grande, como se fosse uma lua. O chão era macio de pisar, mas ao mesmo tempo, escorregadio. Então o desespero finalmente baixou-se, demorando um pouco mais do esperado. Primeiramente, ela não tinha ideia de onde estava - mas sabia que estava muito longe de casa. Segundo, não sabia o que tinha acontecido. Terceiro, ela não tinha água nem comida nem mesmo um casaco (note que a menina está de pijamas azuis). Quarto, ela estava sozinha.
Não demorou muito para os soluços virem e todas as possibilidades loucas voarem para a sua cabeça em um segundo. Será que sua família irá a procurar por anos e anos e então assumir que ela morreu de algum jeito misterioso, como todos fazem? O que acontecerá a Sra. Plum? E os seus livros, quem irá limpá-los toda semana e arrumá-los por título e tamanho e cor? Qual será o final de O Pequeno Príncipe (ela havia começado a lê-lo um dia antes e estava quase terminando-o)? As pessoas irão chorar por sua causa? Nina, sua cocker spaniel gorda, irá sentir sua falta? Sua irmã ficará com o seu quarto e tirará todo o papel de parede florido porque sempre odiara, enquanto a menina demorou horas para colocá-lo? Mamãe a matará se ela morrer. Ou desaparecer. E agora? Ela irá morrer de frio ou de fome? Qual seria o mais doloroso? O que há depois da morte? Oh. Meu. Deus. Ela nunca vai dizer adeus para mamãe. Nem para Carolina ou Thomas. Eles nunca saberão o quanto ela os ama. Pensando em tudo isso e mais um pouco e mais ao mesmo tempo, seu cérebro gritou por uma pausa. Não aguentava mais pensar: era demais ter de lidar com tanta informação.
Sentindo-se impotente - uma das sensações que mais odiava -, jogou-se no chão, que acolheu-a como um manto quente e chorou até cair no sono. Teve pesadelos confusos sobre prédios altos e morangos, acordando toda hora esperando estar em casa. Levantou-se sabe se lá quanto tempo depois, com os ciclios grudados e pela primeira vez na vida, com fome - mas fome de verdade, ao ponto de parecer que tem um buraco no seu estômago e você, gradualmente, sentir seu corpo tentando absorver toda a gordura possível que há (e no caso da menina, não era muita, considerando sua magreza de garça). Ela nunca havia sentido tanta assim, se sentiu fraca e a sua visão começou a ficar turva e preta. Agachou-se, mas tentou manter a cabeça levantada. Não tinha certeza se funcionava, mas sua avó dizia para o fazer se sentisse qualquer tipo de sensação ruim - não apenas fraqueza assim, mas como espíritos e coisa e tal. Calafrios percorreram sua espinha e uma de suas sobrancelhas automaticamente levantou-se ao ouvir um ruído. Tentou se concentrar nele e não no fato de tudo estar um verdadeiro caos, percebendo mais o ruído tão tão tão baixo que só naquele profundo silêncio poderia ser ouvido. Não tinha ideia do que poderia ser, mas agarrou-se à aquilo como sua última esperança. Se pôs em pé lentamente, caminhando em pés cuidadosos atrás do barulho, que lembrava o sopro de uma brisa e sussurros. Estava apenas seguidos seus instintos, apurados e desesperados por qualquer chance de sobrêvivencia.
O som ficava mais e mais alto, multiplicando-se duas vezes a cada passo seu. E, mais uma vez, não conseguia acreditar no que estava vendo.
Na manhã de seu aniversário de treze anos, uma caixinha de cetim púrpura apareceu debaixo de seu travesseiro. A menina tinha passado a noite em claro, revirando-se em lençóis, suando sonhos sem sentidos e com o cérebro ligado à mil ideias. Ela queria chorar de frustração: queria ter uma boa noite de sono para aproveitar o dia inteiro amanhã e estava acontecendo totalmente o contrário. Não entendia o que tinha de errado, afinal, como todo dia antes de completar mais um ano de vida, ela tomava o Chá de Cobertor que sua vó Amélia lhe preparava especialmente nessa época, para calmar-lhe os nervos e esquentar-lhe dando jus ao nome, e então tirava o Plum (uma cabrita de pelúcia) de dentro do grande baú de carvalho branco. Tudo isso era feito pois a menina, desde as fraldas, tinha problemas com ansiedade. Qualquer situação que exigisse um pouco mais de pressão, por exemplo, a deixava trêmula e pálida como a luz da Lua. E de algum jeito, mesmo não tido fechado os olhos por um segundo, aquela caixa apareceu ali. Como se tivesse brotado. Ela a descobriu ao mudar seu travesseiro para a parede, arrumando-se para ler algo alguns minutos depois do Sol adentrar sua janela, acabar com qualquer chance de ela dormir e privando-lhe luz. Não ficou brava com o Sol, de qualquer jeito, pois sabia que o mundo não gira ao seu redor e que ele tinha um dever à cumprir. Na verdade agradeceu-o, porque seus raios deram-la a oportunidade de fazer uma coisa útil. Não sentiu raiva, também, de sua irmã ter pegado as suas cortinas meses atrás e tê-la transformado-a em um vestido. O vestido caiu muito bem nela. Agarrou o curioso objeto e o abriu, ficando deslumbrada pelo o que ali dentro guardava. Um anel prateado com uma pedra em cima, rodeado pelas metades de uma forma côncava pintadas com três pontos e círculos bem pequeno. A pedra era a mais maravilhosa que já tinha visto: num tom de verde-água, algumas leves linhas azuis marinho a traçavam, lembrando veias e ela era perfeitamente polida e brilhante. Colocou no dedo anelar direito - esse que a vó dizia ser ligado ao coração - antes mesmo de ler o bilhete grudado, em letras tão miúdas que ela teve que procurar sua lupa.
"O Sétimo é seu
Como o sono pertence à Orfeu;
O cuide e o acolhe
Mesmo que sua alma molhe.
Os reinos deverá comandar
E em sua posse ele irá levantar.
O tempo se tornará difícil,
Então use o seu apito.
AVISO: não colocar o anel até o Solstício de Inverno."
Um segundo depois, ela entendeu o porquê.
"O Sétimo é seu
Como o sono pertence à Orfeu;
O cuide e o acolhe
Mesmo que sua alma molhe.
Os reinos deverá comandar
E em sua posse ele irá levantar.
O tempo se tornará difícil,
Então use o seu apito.
AVISO: não colocar o anel até o Solstício de Inverno."
Um segundo depois, ela entendeu o porquê.
Against the flowered wall he pressed her hips. The night was freezing cold, but they were burning and burning, bodies almost glued, just a fucking short distance separating them. They wanted more, they were craving for less space between them, they were begging to become just one person, almost proving that the law of two bodies can't occupy the same space at the same time is totally a lie. Their lips were dancing and playing with each other like who-is-the-best and on that fight, there was no loser. They sweating in joy and danger, everything mixed and confused, so grateful of being there that at that moment the sky could fell and the world could end and everything that they had been through worth it. He wanted to.. Well. She didn't really know. But she, God, she wanted to run away with him and live all the fights, the kisses, the movie-nights, the make-up, the midnight talks, the arguments about who would wash the dishes, live everything that was being waited to be lived. The things that they never had a chance to do. That they will do. Somehow, she thought, she would be with him.
Folham rolavam pelo chão fazendo um chiado áspero. A paisagem estava deteriorada: as árvores nuas, as nuvens nada tímidas, buracos fundos no chão preenchidos com água, corvos alimentando-se de si mesmos. Luzes redondas bordavam a cidade e crianças eram afogadas em casacos exagerados e os penteados de suas mães foram estragados pela chuva persistente. Era por isso que ninguém a encarava. Seu rímel borrado poderia ser por isso, as roupas poderiam estar naquele estado deplorável por causa da lama que rodeava todo o lugar, os cortes no rosto pelo vento de oitenta quilômetros por hora. Era loucura sair de casa naquele dia. Você poderia ficar preso na neve de um metro de altura, morrer de hipotermia ou ser atingido por um carro por causa da pista escorregadia. Mas ainda há pessoas que precisavam o fazer - como ela. Olhou revoltada para as mães em Calvin Klein, Gucci e Chanel, ali pelo luxo, enquanto ela sofria como uma borralheira escrava. Como Cinderela, mas sem a beleza e a fada madrinha - pensou. A dor a atingia em pontos altos e baixos, numa montanha russa masoquista, como se os carrinhos fossem feitos de prego e os trilhos banhados em lava, mas que ainda tivesse cinto de segurança e as voltas mais rápidas do mundo. Ela cansou. Cansou. Can-sou. Virou as mesas, quebrou o lustre de dez mil cristais e jogou todas aquelas estúpidas pessoas contra a parede. Com os olhos. (...)