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Brilho opaco, em frio e narinas ardendo, a Lua pareceu horrizada: como se tivesse visto o pior dos monstros. Nuvens te faziam companhia, tentando comfortá-la, mas era em vāo: a pobre dama estava miserável.
Alguns minutos antes, mais abaixo, entre carros, mesas e bandejas, ele sorriu feliz e deu um oi à ela. "Bonita como sempre, Lua." Ela leu os lábios, bem deliniados, finos como guardanapos. Quase corou, mas se segurou. Ele parecia tāo arrumado só pra ela: geralmente se encontrava em pantufas e manchas de café. Agradeceu silenciosamente o esforço, "nāo precisava". Mas entāo alguém apareceu atrás das costas do seu amante, tampando os seus olhos verdes.
"Senti tanto a sua falta." E o beijou. Barbas raspando, uma jaqueta de couro e cheiro de colônia atingiu-a, quase a tirando de sua órbita por causa do tāo inesperado carinho.
Foi entāo que o coraçāo dela foi quebrado, e ela realmente viu o pior dos monstros: o Amor.
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