O fogo corre por aí. Feliz. Queimando. Sendo. Ser é bom, mas eu raramente consigo o fazer. É como uma arte: ser é honestidade e liberdade e vários outros ades. Seja hones ou liber ou sei lá, não tenho nada disso e dependo de um fluxo, de uma sensação, de um momento para ser. Me encaixo entre os paradoxos de uma situação, chuto um balde metálico para longe, sorrio o chão. Pulo. Bato os calcanhares no meio-fio, raspo os tênis na lixa, caio e bato o quadril, deixando-o roxo. E então, fogo feliz, dentro de mim. Me atiça, me faz morder os lábios, me contorce de líbido. Penetra na minha carne e faz com que cada milímetro meu ria. Corro também, é como um jato de fumaça me empurrasse pra frente, sempre em frente e cada segundo que queima, eu abraso. Crepita em cada órgão meu, mas não dói, não, nada de dor. Apenas um formigamento, cócegas, um soquinho bem leve no braço. Beijo o ar, mas queria fosse os seus lábios - e na minha pélvis. Sussurro para a Lua o quanto ela está linda hoje e ela me olha com ternura e diz que eu estou radiante e brilhante. Meus cabelos roçam na minha nuca, espalham um cheiro de argan e chacoalho a cabeça freneticamente, tentando dissipar uma melodia da minha cabeça e abro os braços, abraço o mundo, a vida, a razão. Entendo, sim, entendo. Nasci para conspirar positividade, nasci para ser mimada, nasci para pertencer à suas asas. Marteladas me batem o cérebro, meus dedos tintilam num baque surdo e frio balança os meus ligamentos. A brisa grita em mim quando levanto da terra, me rasga como uma faca cega, chora como se pudesse chorar. Tum, tum, tum, o coração fala. Me escute querida, eu mando em você. E é verdade. Nós somos prisioneiros de nós mesmos, presos no nosso sangue, na nossa doença, na nossa deficiência. Horrível mas também bom. Não. Tudo é horrível mas também bom. Acendo um cigarro com a minha alma, a nicotina dopa e arde meus pulmões, enlouqueço com a espécie de gás que sai da minha traqueia. Estalo o pescoço. Chupo a minha própria língua. Quebro a minha unha. Meu controle, querido. Meu. O fogo acende em mim mais forte quando eu me atiro da pedra alta, me sinto como um morcego com asas quebradas, me sinto grande, me sinto eu. Sou, queimo, feliz. Minha existência era fogo, meu fogo é a existência. E então, o fogo apaga.. Afinal, fogo e água não se dão bem.
Provavelmente era uma da manhã e o meu vestido verde escuro estava agarrado ao meu corpo por causa do calor. Uma impressão que a minha maquiagem estava saindo aos poucos me atingia, mas eu não me importei. Meu batom se encontrava borrado, porque mesmo eu tê-lo retocado, ele me beijou o caminho todo de volta para casa, no banco de trás do táxi. Eu estava radiante por os nossos lábios se encaixarem tão perfeitamente, por suas mãos me envolverem de um jeito tão delicado porém firme, por nossos corpos se fundirem num só quando juntos. Por isso tudo e por outras milhares de coisas, mas principalmente por estar ali com ele, presenciando toda a sua aura maravilhosa. Chegamos na casa dele, eu sem os meus saltos para não fazer barulho e tentando não tropeçar em seus pés, ele segurando o riso e apertando a minha mão. Fechamos a porta e mais um beijo estala e depois outro e depois mais um. Ele me puxa pro seu quarto, me fazendo quase cair. Essa química que nós temos é imprescindível. Eu mesma me jogo na cama e já o levo junto, colocando as nossas línguas numa dança frenética, puxando o seu cabelo e cruzando as minhas pernas em volta do seu quadril. Ele desce pela minha clavícula e faz arrepios no meu pescoço, distribuindo selinhos pela a minha pele branca. Meus dedos escorregam pelos botões da camiseta preta que está usando e alguns momentos depois sinto o seu peito magro e o seu tecido maravilhosamente liso, como a mais cara das sedas. Sorrio com esse pensamento e ele finalmente chega nos meus seios, puxando o meu vestido para baixo sem se preocupar muito com o zíper e encosta suavemente a boca nos meus mamilos, arrancando gemidos de mim. Sem perceber, eu estou quase totalmente nua na sua frente, bordada com apenas a luz fraca da lua e uma calcinha de poliéster. Busco seu cinto e o tiro, abrindo lentamente o zíper, abaixando suas calças e tendo uma vontade imensamente louca de rir. Eu sei que ele está surpreso, pois eu sou pura e sei exatamente o que fazer e quando fazer. Suavemente tiro sua cueca box e massageio o seu membro, enquanto ele me beija e me beija e me beija. Em algum momento, ele para e olha para mim, mordendo o lábio inferior e eu sinto os calafrios, a onda de satisfação por fazê-lo sentir desse jeito me dominando. Não paro. Retribuo o olhar e faço quase um imperceptível sim com a cabeça, e então ele salta, busca o pequeno pacote quadrado, o abre e encaixa no seu devido lugar. Mais algumas danças e ele explora cada canto do meu céu e dos meus dentes e da minha bochecha e põe seus dedos na minha pureza, fazendo movimentos silenciosos e deliciosos. Um som de prazer está na minha garganta e eu uno mais os nossos corpos, e então ele gradativamente entra em mim, atingindo-me em dores ardidas, como se estivesse me rasgando em duas, me transformando em nada e então tudo, e ele faz isso várias vezes e eu só sinto dor e um desprazer enorme, mas procuro relaxar e respirar fundo e então vai ficando menos pior. Ele sussurra um "olhe para mim." e eu olho e vejo que ele está preocupado em me machucar então eu sorrio e ele sorri e uma cócega engraçada toma conta de mim quando ele se satisfaz e me deixa vazia de novo. Ao mesmo tempo, o orgasmo chega nas minhas entranhas e todo o meu corpo se contorce, querendo gritar, querendo expulsar a minha própria alma. Caímos cansados e eu me aninho no seu tórax. Dois minutos e quando vejo, já estou em cima dele de novo. Vai ser uma longa noite..
Eu vejo as suas asas. Vejo cada ponto cintilante, cada tecido corrompido, cada pena se sobressaindo. Sinto a sua dor. Deslizo as mãos pelo seu peito nu e macio e perfeitamente moldado. Eu te vejo. As sobrancelhas retas, as linhas da bochecha, os cílios grandes, toda a sua beleza encantadora e diferente e perfeita. E eu vejo o seu coração. Doído, amando, sorrindo. Um oceano de distância e te sinto aqui. Fecho os olhos. Nada está fazendo sentido. O sol bate nas costelas e faz cócegas. Nos entreolhamos. Você está machucado, amor, tão machucado. Encosto os lábios suavemente na sua clavícula e distribuo beijos, como se fosse uma cura. E com um lamurio preso na garganta, sussurra um agradecimento. A vida é tão injusta, não é? Ela te dá asas e depois as quebra. Te dá o céu e depois te expulsa de lá. Te dá o amor e depois o coloca há milhares de quilômetros. É oito ou oitenta, sempre. Mas nós.. Bom, nós somos 100. Você começa a cantar - deve saber que a minha maior inspiração é o seu som: é como se eu pudesse pintar o quadro mais complexo e belo do mundo, compor o som mais melódico e escrever um livro só sobre a sensação. Cada tom seu penetra lentamente no meu cérebro, cada vez mais fundo. Eu jamais vou conseguir colocar em palavras o que você está me fazendo sentir. O máximo que eu consigo falar é que amor é pouco comparado à isso. Cada centímetro meu pertence à você. Externamente, internamente, tanto faz. Preciso de você de um jeito absurdo e quase ouso dizer que é tão a sua presença é tão vital como oxigênio. Respiro fundo e todos os meus sentidos gritam por você e você sabe e então seu toque me atinge. Em um segundo - nesse segundo -, você me destrói e então reconstrói, me fazendo ainda melhor. Mil e uma coisas me atravessam, me cortam, mas cada célula minha se contorce de prazer e é, você é a minha lâmina e o meu maior medo e o meu maior desejo e certamente, o meu maior prazer. Sorrio de novo e de novo e de novo. Só Ele sabe o número nada baixo de vezes que contrai os lábios e mostrei todos os dentes por sua causa. Envolvo meus braços ao redor do seu pescoço, com cuidado, encaixo minha cabeça no seu ombro e é tão tão tão bom, como todas as nossas partes fossem esculpidas para se juntar. É tanta loucura, você está me deixando insana, você está me pirando, você está me fazendo entrar nessa missão impossível e pular desse avião sem paraquedas, me fazendo contar que esteja lá em baixo para me segurar. E me fazendo ter o senso racional pifado, gradativamente. Posso ficar com você para sempre, seja quanto tempo dure. Posso viajar com você para o infinito, mergulhar nas águas mais profundas, descobrir outro universo. Posso e quero e vou. Espero que saiba que você é motivo, o porquê, a razão. O meu motivo, porquê, razão de tudo. Vamos construir as nossas vidas junto e então vamos lutar contra todo o mundo, contra o destino, contra cada obstáculo no nosso caminho. Noto que a música acabou há muito tempo e estamos no seu silêncio há mais tempo ainda. Ele nunca é vazio e quando quebro a sua tênue linha, é como se um vidro se estilhaça-se no vácuo. "Eu sei, eu sei.", digo me afastando e então beijando a sua têmpora, levantando apenas alguns centímetros do chão. Deixo a falta de som me preencher. Eu sinto a sua insegurança também e o seu temor e todo o resto. Estou tão assustada quanto você, amor, mas eu viveria cinquenta vidas com você e nunca ia bastar. Mesmo com a dor. Mesmo com a guerra. Mesmo com o medo. Nós somos maiores. A nossa ligação é inquebrável, palpável como o ar que respiramos, sentida como os nossos corações batem. E é assim. Sem se acolchoar mais nas entrelinhas, sem se esconder atrás de um mundo injusto, sem ser o que deveria ser. "Eu amo você." E é, eu amo você.
São 6:38 da manhã e eu apenas dormi das 11 até as 4. Meus olhos ardem e os óculos encostam na minha pele tão suavemente que mal sinto. Estou lendo sobre um tal de Grayson, um menina com um (ex?) namorado jogador de polo aquático e alguns palavrões. Aquela música que passava na MTV de 1 em uma hora está carregando agora e percebo que os direitos são de 2007 - infinitas coisas aconteceram em 2007 e isso é engraçado. Na verdade, é engraçado pensar que milhões de coisas acontecem com milhões de pessoas todos os segundos. "I'm gonna not write you a love song." E eu não sei porque eu gosto do jeito que essa frase soa, como se isso fosse tão foda-se e tão melodramático ao mesmo. Meus acentos estão indo para o lado errado e isso me irrita. "Cause' you ask for one, cause' you need it." Paro pra escutar o timbre da voz da garota (é doce, terrivelmente doce) e o som do piano e um "uuu" de fundo. Eu não vou te escrever um texto de amor, mas eu praticamente já estou fazendo isso. Juntando ideias diferentes e intercalando pensamentos insossos. In. So. Soss. "In so sos, s" e meu Deus, eu sou tão ruim em anagramas quanto em conseguir escrever alguma coisa poética. Um círculo cheio de bolinhas gira e forma um degradé, simbolizando que a maldita música está carregando e isso já faz aproximadamente dois minutos. Um corvo idiota está gritando e o meu estômago está fazendo barulhos engraçados porém que indicam que a pizza apimentada com bacon e cogumelos que eu comi aproximadamente nove horas atrás já se dissolveu no meu suco gástrico. Agora uma nostalgia vai se abrandar no meu peito e eu realmente acho que quero chorar. Plins enchem os meu ouvidos. Fireflies. Voadores de fogo? Isso soa como o nome de uma distopia clichê mas ainda sim encantadora. A última vez que eu me lembro de ouvir essa música foi um ou dois anos atrás, quando eu mexia no meu Blackberry digitando rapidamente: "está tocando aquela música que você adora". Era o intervalo e depois de alguns lixos pops, um sentimento de preenchimento veio até mim, sabe, assim que ouvi a voz incrivelmente delicada desse cantor que eu não faço ideia do nome. Esse segundo você já é um você que não faz parte da minha vida mais. Agora esse você vai para aquele negócio de marinha ou náutica ou qualquer merda assim e você deixou de se esconder atrás de cabelos pretos e agora usa qualquer merda de rede social famosa. Não que eu me importe, sinceramente. É outra coisa engraçada: não se importar e mesmo assim se lembrar e acabar por sentir uma coisa tão banal quanto nostalgia. As coisas não eram muito melhores naquela época e mesmo assim, cá estou eu, me sentindo estranha por lembrar. Sorrio de um jeito meio nada sorridente. Percebo que mesmo que tudo tenha mudado, nada mudou, na verdade. (E sinceramente, isso está enchendo o saco. Anatomias tão diferentes nas últimas sei lá, 5 linhas. Me lembra aquele negócio do você, do primeiro você, falar que duas coisas totalmente opostas são a mesma, no fundo. E eu tenho andado sentindo isso perfeitamente.) Cá estou eu, digitando numa manhã qual eu supostamente deveria estar dormindo e fazendo isso porque estou apaixonada - palavra de merda, à propósito - e porque comecei a sentir ondas engraçadas e meio ácidas há 31 minutos quando você, o primeiro você, me deixou sozinha e depois por ler você proferindo palavras poéticas para a sua estrela. Graças a Deus, consegui. Minha necessidade absurda de colocar "ondas engraçadas" num contexto que combine com os meus sentimentos finalmente acabou. É isso. Dois anos se passaram desde o segundo você e eu ainda não sei porque diabos eu escrevo ou o que diabos eu deveria fazer ou como diabos as coisas conseguem sempre dar certo e em seguida errada. Deveria existir uma lei (digo, tipo de Newton) para isso, porque porra, que saco. Não sei também uma maneira de terminar isso. Eu sei que só uma pessoa vai ler isso e não é o 1° ou o 2° e acho que não é ninguém, porque agora esse ninguém também saiu da minha vida. As coisas nunca mudam. Nunca. Cuncan. Nuca, n. Cuca, n. Uncan. E são 7:12 da manhã.
Grama, sequoias, margaridas e musgo. Aroma de chuva, de verão, de coisa verde enfim. Céu é escuridão e pontos brilhantes, é constelação e desejo. Não tem lugar no universo que eu quero estar, além desse pedaço de lugar no pedaço de oceano atlântico-mediterrâneo-pacífico-tanto-faz. Sopros leves penetram em cada célula minha. Sorrio. Meus passos estalam, meu dedos percorrem os meus braços lentamente, minha garganta está aberta a novos timbres. Não sei exatamente para onde ir. Corujas me guiam para o leste, besouros para o oeste. Direções, qualquer porcaria com o prefixo -este, me deixam confusa e indecisa e arg. Escolhas. Tudo isso nos leva para um caminho igual ou para dimensões diferentes? Acho que nunca irei entender. "Mas você pode sentir.", eu lembro de você sussurrando contra a aquarela (de tons pastéis, você me corrigia) que nos rodeava. Paro. Deuses, estou nostálgica. E esse ambiente transpira lembranças. E magia. Ah, magia. Claro. Viro de costas. É ele, seja qual for o seu nome, o homem do peito definido e sempre suado e moreno. Na verdade, ele é absolutamente perfeito fisicamente. Bom, na parte de cima. Involuntariamente, meus olhos correm para baixo de seu abdômen - qual tem profundos gomos e um enorme e acentuado "V" dando entrada onde, supostamente, deveria ser sua pélvis. Guardo meu riso louco para mim, bem aquele que se forma quando você está naquele lugar errado e totalmente nada a ver com tudo. Uma parte de baixo de cavalo. Ferraduras - uau, como são modernos esses homens (homens?) - cercam seus cascos, um pelo preto, negro, cor de carvão abrange todo o resto da suas parte animal, apoiada em quatro patas. Ele apoia o arco e flecha (como eles conseguem atirar com essa merda?) e contrai os músculos, deixando um suspiro escapar. Luvas de couro - e quase rio de novo! Couro?! Em malditos centauros?! - envolvem suas mãos calejadas. Banhadas no sangue de Hidra, aquela cobra maluca louca insana e estúpida de Hércules se não me engano, ele simplesmente a enfiou no meu peito. Eu sabia, claro que sabia. Mas é um jeito lindo e poético de partir. Seus olhos azuis ou verdes ou pretos não sei, não desgrudaram de mim nem quando meu corpo se retorcia de dor, com o veneno da Maldita correndo entre as veias, numa corrida ridícula de "quem-vai-matar-essa-criatura-primeiro". É. Fulano De Tal, que tenha piedade de mim, ó sim, ou não, que se foda. Descanso eterno, cortada aos pedaços no Tártaro. No fundo.. Bem no fundo, Ele sabe que um é pior que o outro. (...)
Batidas e batidas, knoc, knoc, knoc. Não tem ninguém em casa, ninguém, nem se quer um espírito respirando. Não me importo, continuo, sorri pra mim mesma. Todo o caminho pareceu morto e vivo e eu o percorri em segundos, atravessando as paredes de um horizonte sem fim, correndo para casa (casa?) em passos tímidos porém largos, pulando poças de águas com caranguejos, batendo a sola do pé nas ruas desoladas e sujas e feias dali. É a décima sétima batida, meus dedos estão se esfolando, meu cérebro está gritando para para para. Não paro. Ele não entende, estúpido, não entende. Ele não entende meu fogo, minha vontade, meu gás, ele não entende que eu estou entrando, gradativamente, em combustão. Faíscas correm as minha veias, dentes batendo e fazendo atrito, a porta se partindo e caindo aos pedaços e sendo destruída. Por que? Por que? Por que? Porque sim, porra. Minha cabeça está fula de ódio e amargura e saudade. Meus ossos estão se quebrando, um por um, até eu me transformar em pó. Meu coração não bombeia o escarlate, mas sim a escuridão. Está comendo as minhas entranhas, está possuindo-me. Meus monstros parecem tolos, o meu oxigênio parece escasso. Está tudo se reduzindo à nada, transformando o mais em menos, reluzindo toda a minha falta de sabedoria, a minha falta de simpatia, a minha falta de alguma-coisa-ia. Eu não sou coisa nenhuma, mas ainda consigo ser algo. Duas ideias opostas são as mesmas, todos no fundo são o mesmo, seja Gandhi, seja Hilter, seja eu, seja você. A vida é morte e vice-versa. Você estava certo amor, é verdade. Eu queria ter sabido disso antes. Não me importo de deixar essas coisas para trás. Abandonar meu LeBaron recém comprado, meus charutos cubanos, minha Pentax. Isabelle, Thomas, Alice ou Frederico. Tudo e todos parecem-são tão pouco comparado ao que me espera. Eu quero voar, eu quero explodir, eu quero viver além da vida. E é isso que eu continuo a pensar quando enfio as lascas amadeiradas no meu corpo. É isso que penso quando a dor me aflige em ondas engraçadas e altas e quebram e fazem uma espuma vermelha. É isso que continuo pensando até os últimos traços de vida na Terra somem. Sem despedidas. Mundo pra trás, vida pra frente..
Acordo sentindo molhado debaixo de minha cabeça. Quero abrir os olhos, mas não consigo. Tudo o que eu sinto é uma fome absurda e isso me consome, mal me deixa pensar em fazer qualquer outra coisa. Poderia comer três pizzas tamanho grande inteiras sozinha, tenho certeza. Meus ouvidos só ouvem passos, leves barulhos e alguém rindo alto. Não sinto nenhum cheiro. O que está acontecendo comigo? Por que eu não consigo me mex..Uma onda de necessidade cai sobre mim, novamente. Meus olhos se abrem, sem eu mesmo os controlar e eu me levanto num pulo. Tudo está tão embaçado. Só vejo cores e PUTA QUE PARIU, aquilo é sangue? Olho para o meu corpo. Pareço estar tão suja, tão branca, o que aconteceu comigo? Meus pés me levam para a frente num impulso louco e eu luto para permanecer no lugar. E então eu começo a sentir algo, algo além dessa necessidade e desse impulso: um aroma delicioso, como carne bovina fritando e batatas assando e logo em seguida, chocolate derretido e bolo de cenoura. Paro de lutar e deixo me guiar. Ando, tropeço e vagueio num ritmo não rápido o suficiente e a tentativa de me apressar é em vão. Tudo fica mais nítido quando eu me aproximo da fonte do cheiro. Consigo ouvir um batimento cardíaco, até. A minha visão fica em foco, como acontece com as câmeras, E AH MEU DEUS, é uma pessoa! Um ser de cabelos pretos e costas nuas e definidas. Ele está de costas e caralho, caralho, não. Não! Pare com isso pés, o que?! Pare, não! O meu corpo se alcança silenciosamente para perto dele e eu me puxo pra trás com toda a vontade do mundo, porém isso é mais forte do que o meu próprio controle. Sinto minha boca se abrir como a de um jacaré e os meus dentes cravarem na pele lisa dele, consigo senti-los adentrando a sua carne, rasgando suas veias, torcendo seus ligamentos. É tão bom e tão horrível ao mesmo tempo. Ouvir seus gritos de desespero faz tudo que eu sinta se contorcer internamente, mas externamente, só me causa mais fome, igualmente sua tentativa falha se de livrar de mim. Quero vomitar, mas também quero continuar mastigando esse pedaço de céu que tem gosto de vida e de abacaxi e de creme de avelã. Um minuto depois, o horrível som cessa junto com os seus movimentos. Tudo que eu sinto é uma grande bagunça e agora volto a ser meio cego e meio surdo. Então é isso, droga, é realmente isso. Não preciso ser um gênio para saber que eu sou um zumbi, eu sou um maldito zumbi. Merda. Depois de todos os quadrinhos e filmes e seriados, eu nunca imaginei que isso iria acontecer. Todo mundo que eu conheço devem estar mortos. Não, porra, eu queria que eles tivessem. Mas provavelmente eles estão que nem eu agora. É assim que se sentem, então? Sem nenhum livre-arbítrio? Só apenas poder pensar e não fazer nada, nada além disso? Eu não posso viver assim, eu não vou conseguir viver assim, eu não quero viver assim. Ser guiado por uma voracidade estúpida, desistindo de tudo que eu acredito e no fim, acabar com uma bala na testa. Se eu pudesse me matar agora, eu faria. Mas provavelmente, o meu corpo vai fazer isso sozinho.
Mergulho enlouquecidamente em livros, sou viciada em tirar fotos de flores, fixação por vozes e não tem uma vez que eu não fique olhando para as placas do carro nas ruas e as decorando. Já são compulsões de mais, manias de mais, irritantes de mais. Tem dias que eu penso ou sobre só livros ou só sobre as fotos ou só sobre as vozes ou só sobre as placas de carro e é uma droga. O ponto, realmente, é que tem dias que só penso em uma determinada coisa. Às vezes, penso tanto que sonho, que escrevo, que me inspiro naquilo. É tão raro em continuar a pensar em tal série ou tal história ou tal qualquer coisa que seja por dias e dias, e mesmo assim, mesmo por um dia, eu me jogo de cabeça, sem meio que me importar o que vai quebrar: o meu crânio ou o chão. Até que surgiu você. Soltando palavras tão bonitas e tendo uma delicadeza impressionante em cada uma delas, me dizendo coisas que eu achei que jamais escutaria. Eu me apaixonei no minuto que te vi. Fiquei ponderando sobre o que te dizer, como dizer e quando dizer. Sabia que você não era igual a ninguém que eu já tenha conhecido. E isso me chocou. Fazia algum tempo que eu não me sentia desse jeito e agora que eu sei de coisas que eu não sabia, soa mais real. E tem sido dias que eu só penso em você. Não que seja muito tempo, mas desde que eu te conheci eu tenho ido à loucura, imaginando as situações que eu quero passar com você, as brigas que iremos ter, como é o modo que você beija. E coisas tão banais, mas que eu quero fazer com você. Tô mergulhando em você, droga, e por mais que eu deva levar uma boia junto, eu não o faço. Eu vou queimar, amor, eu estou vendo que vou. E quero acreditar que vale a pena e a cada minuto uma parte de mim cede, cada segundo que se passa estou mais disposta a me quebrar por você. Não me faça eu me arrepender, por favor. Seja meu até o último pôr-do-sol.
Eu sinto que posso falar com ele para sempre. Ouvir suas histórias fantásticas, saber sobre os milhares livros que leu, o modo que vê o mundo. Não sinto mais fome, me alimento de suas palavras. Não sinto mais sono, os nossos sonhos já é suficiente. Não sinto mais rancor, nem tristeza, nem raiva: ele me entorpece. É como cavar um buraco, um grande buraco estando sonâmbulo e depois deitar lá dentro. E quando você se vê naquilo, não surta, mas percebe que é a coisa mais sensata a fazer. O subconsciente totalmente consciente. E então enterra. Parece que tudo aquilo te suga, suga a sua energia, mas ao mesmo tempo, a sensação de preenchimento é tão boa que você continua até atingir o êxtase e então, depois de tempos, percebe que jamais é o suficiente. É assim que eu me sinto. É suicida, mas é tão bom que eu posso morrer por isso. Tem toda essa insegurança, uma leve adrenalina e um desejo enorme, cinquenta sentimentos compactados em um: paixão.
Eu estou indo rápido de mais, mas o freios quebraram. As coisas realmente aconteceram da noite para o dia e isso deveria me assustar, mas o máximo que acontece é eu ter essa vontade louca de rir. De um jeito tão eu e imprevisível e estranho simplesmente aconteceu. Essa coisa de "eu sabia que era você" realmente existe e eu sei disso, sei de um jeito absurdamente errado, porque agora você tá comigo no banco do passageiro, jogando os braços acima das nossas cabeças, cantarolando algum pop hipster, só sendo você e ainda sim, sendo perfeito. Uma vibração imensa toma conta do meu peito e quero explodir em 10 100 1000 10000 fagulhas, só para ter um pedaço de mim no céu, no chão, em você. Já quero olhar nas janelas da sua alma, gritar que eu te amo e que faria qualquer coisa por você. Vamos, querido, vamos. Assaltar um banco, uma geladeira, um coração. Nós temos o céu e o inferno atrás de nós, por que não? Me jogue no banco de trás, raspe sua barba nos meus lugares mais improváveis. Me sinta. Sinta o meu sangue querendo sair das veias, os nervos pulando, os ossos tremendo. Ontem, o impossível estava sobre os nossos pés e agora ele está com Netuno. Podemos ser o que quiser, finalmente. Nadar mar a fundo o quanto quisermos, sem nenhuma rede para nos pegar. Voar tão rápido que nenhum foguete nos ultrapassará. Ninguém mais pode nos salvar. Não importa mais. Você quer isso. Eu quero isso. E nós, os dois, juntos, confinados, condenados, presos, mas livres e livres e livres.. Não queremos frear.
"if you're havin' girl problems I feel bad for you son, I got 99 problemas but a bitch ain't 1"
13:03
Olhando para a tela do computador, eu comecei a chorar e ainda por cima, feito um bebê: sem saber o porquê exato e ao mesmo tempo, sabendo. Minhas lágrimas desceram pelo o meu rosto e se espatifaram no meu peito, coberto apenas por um sutiã preto. Suor e lágrimas, literalmente, se misturaram. Estava calor, um calor horrível, pesado, quente como o inferno deve ser. Pontadas de dor assumiram a minha cabeça e eu quase peguei uma faca para cortá-la fora. Quase porra nenhuma, eu nem sai do lugar que eu estava. Eu queria pegar uma faca. A dor, aos poucos, foi tomando o controle e eu parei. Respirei fundo, como se eu quisesse pegar todo o ar do universo para mim. 10, 9, 8.. contei. Três vezes e sem nenhum motivo específico. "Como eu posso ser tão egoísta, tão materialista, tão fútil?", pensei. Motivos para chorar não me faltavam, por mais imbecis que pareçam ser. Só queria parar com isso, me sentir bem comigo mesma. Alguns tempos mais tarde, eu percebi que não existem problemas pequenos. Cada um tem os seus problemas, que são tão ruins como podem ser nas suas circunstâncias. Isso soa totalmente ridículo, mas é o que eu acredito: não importa se o seu namorado te deu um pé na bunda ou se você está passando fome. A dor vai parecer tão grande quanto é realmente e seja o que for, vai ser um problema enorme no seu ponto de vista, mesmo não sendo para outras pessoas. Não adianta você se sentir mal porque você (supostamente) está querendo se matar por ser um excluído social, por exemplo, quando tem pessoas com uma mãe morta. Se você não tem, você simplesmente não tem e acabou. Não tem nada que você possa fazer para se sentir melhor em relação à isso, a não ser pensar que (1) se tem pessoas que consegue superar isso, você consegue e que (2) por mais egoísta e medíocre que seja, tem pessoas piores do que você. Problemas são medidos por suas circunstâncias. Não importe o quanto você me julgue ou julgue fulano por estar mal com isso. Grandes ou pequenos no seu ponto do vista, não vai mudar a dor de ninguém.
Sem tempo para piedade. Todos os ossos do meu corpo estalam e está frio a ponto de penetrar na minha carne e eu sinto dor tanta dor, uma dor incomunicável. Tudo acabou. Sinto os arrependimentos, os desejos, as coisas que eu não nunca vou poder fazer enquanto a vida escorrega entre meus dedos, igual areia - uma areia muito preciosa e cheia de esperança. Não tem porra de luz nenhuma, só o desespero te consumindo e roendo suas entranhas feito um cão faminto. Quero chorar, gritar e até mesmo rir, tudo ao mesmo tempo mas meu cérebro se recusa a mandar comandos. Eu sinto. Eu sinto tudo agora. Sinto e ouço as sinapses e seus pequenos choques, o sangue rastejando, cada osso se contraindo, cada ligamento se rompendo, cada merda de batimento cardíaco ficando lento lento lento e parando. Está demorando de mais.
Um cheiro metálico envolve ao meu redor, misturado com um pouco de suor, cenouras e esmaltes. Meus sentidos não estão aguçados, meus sentidos estão como deveriam realmente ser. Nossa capacidade - mental, espiritual, física e sei lá mais o que - é limitada de mais. É praticamente como se não tivéssemos nada disso, percebo, agora podendo "aproveitar" disso. Seria mais útil em outras horas, sabe, quando eu não estivesse morrendo. Para você ver, mesmo com a dor, com toda a informação nova, com a falta de conformação que eu estou realmente partindo (partindo para onde, droga?), eu ainda consigo fazer algumas conclusões inteligentes. Ou quase isso. Passa-se um minuto e quero enfiar a minha cabeça no triturador de lixo, só para acabar logo. Acabe, acabe, acabe, acabe, eu imploro silenciosamente. Mas não tem tempo para piedade.
ficou uma bosta, mas foda-se
Um cheiro metálico envolve ao meu redor, misturado com um pouco de suor, cenouras e esmaltes. Meus sentidos não estão aguçados, meus sentidos estão como deveriam realmente ser. Nossa capacidade - mental, espiritual, física e sei lá mais o que - é limitada de mais. É praticamente como se não tivéssemos nada disso, percebo, agora podendo "aproveitar" disso. Seria mais útil em outras horas, sabe, quando eu não estivesse morrendo. Para você ver, mesmo com a dor, com toda a informação nova, com a falta de conformação que eu estou realmente partindo (partindo para onde, droga?), eu ainda consigo fazer algumas conclusões inteligentes. Ou quase isso. Passa-se um minuto e quero enfiar a minha cabeça no triturador de lixo, só para acabar logo. Acabe, acabe, acabe, acabe, eu imploro silenciosamente. Mas não tem tempo para piedade.
ficou uma bosta, mas foda-se
Era meia-noite e trinta e seis de um dia comum, porém, estava na hora do jantar. Levantei com a garganta seca e meus pés alcançaram o assoalho amadeirado, me dando um pequeno choque de frio. A casa está absurdamente silenciosa, mesmo com outras cinco pessoas morando comigo e sendo um fim de semana.Ou eles saíram ou morreram. Das duas uma. Sou do tipo que fica dentro do quarto, coração ferido e olhos preenchidos com tristeza, já eles fodem e se alimentam feito loucos descontrolados. Na verdade, eles são loucos descontrolados. Desci as escadas e pulei o terceiro degrau, que range só de encostar. Atravessei o corredor, abri a geladeira e peguei uma garrafa do líquido espesso e vermelho, já dando um grande gole. É ruim pra caralho, porém, só um aquecimento. Dei alguns passos até chegar em uma porta revestida de prata, propositalmente feita para mim. É muito bom ter uma habilidade dessas e então, posso manter meu jantar longe dos imbecis viciados de casa. Abro a porta e desço mais escadas. Ela está lá, amordaçada e inconsciente. Pisco lentamente, absorvendo antecipadamente a visão do seu desespero. Abaixo-me e dou um leve tapa em sua têmpora, a acordando, e seus olhos já gritando por ajuda, porém, quando conecto nossas mentes, relaxa. Seu cabelo loiro desgranhado, sobrancelhas arqueadas e sardas salpicando todo o rosto me encantam, mesmo nas circunstâncias que se encontram. Porém, o que me interessa, é o que dança em suas raízes. Não devo fazer um som sequer, então, digo silenciosamente dentro de sua cabeça:
"Sabe, eu lembro da primeira vez que te vi. Quando você entrou, o ar foi embora e toda sombra se encheu de dúvida. Tenho querido você desde então. Eu não sei quem você pensa que é.. Mas antes da noite acabar, eu quero fazer coisas más com você. "
Ela assente, como se tivesse encontrado já a sua paz interior.
"Eu não sei o que você fez comigo, mas eu quero fazer realmente coisas más com você."
Meus caninos estão lutando para crescer desde o segundo que eu pisei no quarto, e quando as libero, é um alívio tão grande que sinto que vou explodir.
"Não grite."
E um som afiado corta o ar um milissegundo antes de eu enterrar e afogar-me em sua jugular. Só apenas eu consigo escutar o som do sangue correndo para a minha boca, descendo pela minha traqueia e afundando-se no meu estômago. É gratificante, estranhamente e deliciosamente prazeroso, como ter três orgasmos no mesmo corpo - mais, até. E o gosto.. Bom, o gosto é de vida. A vida que eu não tenho.
trechos de "Bad Things, by Jace Everett" e inspirado em True Blood.
"Sabe, eu lembro da primeira vez que te vi. Quando você entrou, o ar foi embora e toda sombra se encheu de dúvida. Tenho querido você desde então. Eu não sei quem você pensa que é.. Mas antes da noite acabar, eu quero fazer coisas más com você. "
Ela assente, como se tivesse encontrado já a sua paz interior.
"Eu não sei o que você fez comigo, mas eu quero fazer realmente coisas más com você."
Meus caninos estão lutando para crescer desde o segundo que eu pisei no quarto, e quando as libero, é um alívio tão grande que sinto que vou explodir.
"Não grite."
E um som afiado corta o ar um milissegundo antes de eu enterrar e afogar-me em sua jugular. Só apenas eu consigo escutar o som do sangue correndo para a minha boca, descendo pela minha traqueia e afundando-se no meu estômago. É gratificante, estranhamente e deliciosamente prazeroso, como ter três orgasmos no mesmo corpo - mais, até. E o gosto.. Bom, o gosto é de vida. A vida que eu não tenho.
trechos de "Bad Things, by Jace Everett" e inspirado em True Blood.
Cada um tem seu conceito de normal ou não, e na minha opinião, ninguém é exatamente normal. Normal é clichê, droga. Mas normal, às vezes, é só normal. Não faz porra de sentido nenhum pra você? Pois é. Acho que se eu reler, também não faz para mim. As palavras só fluem dos meus dedos, e eu não estou preocupada com o que isso significa. Essa coisa de normal tem feito a minha cabeça girar em sei-lá-quantos-graus. Na minha visão, normal é algo que não existe na minha vida. Eu sou uma merda de uma anormalidade, por fora. Quero dizer, tudo ao meu redor é fora do normal, mas algumas coisas (coisas, malditas algumas coisas) em mim internamente são tão erradas que eu tenho vontade de arrancar as minha entranhas pelos olhos. Por onde começar? (Sim, isso é um desabafo. E não estou preocupada com alguém lendo, quer dizer, uma pessoa sabe da existência disso. E se você estiver, que se foda.) Primeiro, talvez, seja a minha irmã. Louca, maconheira, tatuada. Egocêntrica, mãe, mimada. Ingrata, loira, bipolar. Ela é, sim, tão ruim quanto parece, mesmo tendo qualidades boas. Na maior parte do tempo, ela é uma vadia. Enfim, ela desrespeita todo mundo, fala mal de todo mundo, grita com todo mundo. Ela tem um filho que, ou é um amor, ou é uma peste. Sou meio suspeita pra falar, odeio crianças e etc, porém.. Ele é exatamente o que eu temo: mimado. Terrivelmente. É, literalmente, aquele tipinho idiota que você dá ordens, e ele faz o contrário. (É sério, é literalmente.) Minha mãe que os mima. Ela é tão paciente, mas tão.. Sei lá. Não escuta ninguém. Nem para conselhos, nem como foi o seu dia, nem as coisas que você gosta. Eu quero ser independente, porra, eu digo, mas ela não quer me ajudar. Quer que eu seja essa bosta que eu sou: inútil e atrapalhada. Meu padrasto foi uma das melhores coisas que me aconteceu. (Ele e a minha mãe são viciados em internet, principalmente ela, e foi onde se conheceram. Os dois traíram seus parceiros, para ficarem juntos.) Ele é português, fala umas 6 línguas e me ama de mais. Me escuta, me apoia e tudo. Não é uma pessoa fácil às vezes, e também me enche o saco até mesmo quando eu digo que não quero brincar. Mas ele é o meu pai de verdade. Não, o meu pai mesmo não morreu. Ele mora numa capital, cubano (minha mãe tem uma queda por estrangeiros), é pão-duro, desinteressado, preconceituoso, não me conhece nem um pouco, me pressiona que nem uma louca para estudar e estudar e estudar. E grita que oito não é suficiente. Bêbado, porém renomado professor de matemática de uma faculdade federal. Isso é irônico como o inferno. Minha cachorra morreu em fevereiro. Eu a amava, muito, e vi ela morrer. Horrível. Um mês depois, "M, vamos nos mudar para Irlanda. Em maio." Maio, caralho. Dois meses, porra! Porra! Foi uma puta correria, estresse, choro. Minha mãe tem uma amizade fortemente esquisita com a ex-mulher do meu padrasto, qual tem duas filhas, só que não realmente filhas. Ele as criou, apenas. Estou escrevendo um oceano de distância do meu país, mas foda-se. É uma merda mesmo. E tem eu. As minhas coisas internas. Já me apaixonei for fakes, menti para encontrar a minha melhor amiga que conheci pela internet, fumei com o meu pai há um quarteirão de distância, ando escrevendo uma porra de um livro que nem é mesmo um livro de tanta merda que tem escrito. Já beijei dois garotos e foi horrível. Logo, odeio beijar. (Isso me atormenta.)(Muito.)Prefiro escrever em inglês do que português, apesar de eu não falar direito. Vim pro país da chuva odiando a própria. Leio dezenas de livros de romances idiotas e vejo mil séries, passando 12 horas por dia no computador. Nessa cidade tem muito brasileiro. E eu conheci alguns. E NÃO GOSTEI DELES. Foda-se, eu me acho superior sim e FODA-SE. Eu não uso boné nem grito putaria nem ouço música sem fones. Não saio pela cidade me achando a rainha, não chamo atenção, sou bem informada sobre o mundo. Mas eu sou covarde. Só os evito e fujo agora. Estou aprendendo a dirigir, talvez com um pouco de sucesso. Tenho um gato preto. Não danço há anos (qual eu pratiquei por 7), não faço nenhuma atividade física desde dois anos atrás, mas estou tentando andar de bicicleta meia hora todo dia que o meu cabelo. Como pizza de dois em dois dias. Minha melhor amiga precisa de mim e eu não estou lá. Meu suposto melhor amigo (que eu não converso direito há um mês) é ex-namorado dela e ameaçou espalhar suas fotos comprometedoras. A PORRA DOS MEUS AMIGOS NEM SE QUER ME CHAMAM NO FACEBOOK. Quem disse que a porra da amizade duraria? ESSES CARALHOS. E o problema sou eu, sim, porra! Isso já aconteceu antes, quando eu me mudei de um lugar pra outro no Brasil. Sou uma porra de uma otária, pois mesmo sabendo o que ia acontecer, me decepcionei. Me martirizo e desprezo vendo fotos de pessoas mais bonitas e ricas e com namorados. Não sou exatamente bonita, mas sim cheia de estrias e algumas (várias) espinhas. Gosto de usar parênteses. Me imagino em Paris, na Torre Eiffel com um cara me pedindo namoro e cantando uma música, com pessoas gravando e eu poder dizer e mostrar que alguém gosta de mim, de verdade, nesse mundo. Participei de um grupo de teatro qual precisava de mim, e agora está com uma peça ridícula, que "todos gostam". Como aquela merda pode ser boa sem mim, porra? Como? Eu era a essência. Mas sabe o que é? O mundo não gira ao meu redor, mas eu queria que girasse. E talvez eu queira que alguém leia isso. Alguém me consolar, verdadeiramente. Por eu ser essa bagunça hipócrita e imbecil. (É. Piedade. Foda-se.)
Já faz um tempo que digo que odeio clichês. Eu odeio toda essa merda de final feliz; toda essa merda de tudo sempre acabar bem. Por que? Bom, porque é tudo uma mentira descarada, envolta de um falso pretexto de felicidade. Mas é tudo hipocrisia minha, pura e irrevogável hipocrisia. Não tenho orgulho de dizer isso, mas qual o propósito de se enganar? Estou começando achar que todos que me rodeiam são iguais. Não idênticos, mas participantes de esteriótipos no geral. Talvez por moda, talvez por opção. Mas a certeza é que, eu acho, que eles não tem escolha, aliás, que nós não temos escolha. Tudo já é velho. Tudo já deixou de ser diferente. Tudo é igual, por mais que pareça diferente. Eu sou uma bolha de idiotice humana. Gosto de bater fotos, apesar de não ter lugares legais, ou roupas bonitas, ou objetos diferentes, ou cara de pau de fotografas alguém na rua. Gosto de rock, apesar de ouvir Taylor Swift às vezes, ou não ouvir todos os clássicos possíveis, ou não saber os nomes de todos os cantores. Gosto de cruzes, mesmo não sendo cristã (ou satânica, dependendo do ponto de vista). Gosto muito de livros, apesar de só ler romances clichês. Gosto muito de escrever, mas as minhas palavras alguém já usou e falou alguma coisa bem próxima. Tudo em mim é previsível, eu odeio isso, mas eu não vejo como posso ser de outro jeito. Eu ligo para a opinião dos meus pais e sou tão babaca que me acho melhor que as pessoas ("amigos") que me acolherem nesse lugar. A minha vida não é uma merda. Só parece, pra mim. Queria mandar esse clichê pro inferno, junto com a pessoa que inventou essa palavra e junto com a outra pessoa que deu o significado disso. Não deveria existir. Todo mundo deveria ser o que quiser, gostar do que quiser, escrever o que quiser e não ter nada para se comparar. Não é justo, mas.. O que é, certo?