this is my kingdom come
14:17Mais uma vez, se jogou contra as paredes listradas. Aquilo era o o inferno, e o pior que era... Quase que literalmente. Estava um calor que, a cada passo dele, deixava o chão meio deformado. Uma voz ressoou ao corredor gélido:
- VINTE E UM!
Então era a sua vez. Ele revirou os olhos, murmurou um "finalmente" e saiu do quarto. As botas arrastavam pelo piso reluzente folhas e cinzas, deixando uma trilha por onde passava, e o garoto recebia olhares desaprovadores no caminho. Sua aparência estava grotesca e totalmente inadequada. Ele ouvia os outros pensando coisas como "Tem que ser maluco para encontrar o Mestre desse jeito", "Onde já se viu alguém fazer isso?", "Que falta de respeito!". Queria responder de volta. A primeira fala era de Margareth, uma velha carrancuda achada nua em meio das ovelhas - e depois ele que era maluco. Mas seguiu silenciado. Guiado por homens em azul escuro de dois metros e meio de altura, desceu escadas, cruzou pátios, andou o Palácio todo. Era grandioso, realmente, até ele tinha que admitir. Não tinha nem uma ponta de dedo de trabalho humano naquilo, porque nunca, nem em um milhão de anos, alguém mortal conseguiria fazer tamanha perfeição. Tetos altos abobados, paredes bordadas com ouro, janelas no chão. Ele pisava com força ao chegar nessas, pensando que, se quebrassem, poderia tirar alguma vantagem disso depois. Mas nada aconteceu, nem mesmo uma rachadura. Chegou, finalmente, aonde deveria. Por um milésimo de segundo, se sentiu envergonhado pelo seu estado - camiseta cheia de rasgos molhada em sangue, casaco furado, rosto arranhado, cabelo revolto - mas só por um milésimo de segundo. Nem diante à Ele o garoto recuava.
- Mestre. - disse com a voz arranhada, fazendo uma breve referência.
- Estou cansado de você, Maxillius. Quantas vezes no último século te vi agachar diante à mim?
O som mais claro que os seus ouvidos poderiam ouvir era esse, de sua voz. A figura deixava-o cego, apenas dando-lhe algumas formas. O trono em sua frente era a única coisa realmente vísivel, encrustado com os preciosos mais preciosos, as palavras mais sagradas e desenhada perfeitamente para cada detalhe daquele ser.
- Dois mil quatrocentas e quarenta e uma vezes.
- Isso é tristemente impressionante.
- E farei-te uma surpresa quando chegarmos ao dois mil e quinhentos. - Maxillius rasgou um sorriso.
- Não estou tão certo que você sobreviverá até lá.
- Eu sim.
Era uma grande ousadia falar algo assim para o Mestre. Poderia ser jogado ao abismo eterno em um piscar de olhos.
- Volte. - o Mestre ordenou. - Mas se seus pés tocarem o meu chão em qualquer momento dos próximos dois anos, é o seu fim.
- Você irá me perder mais breve do que quer, assim.
- Você já está perdido, meu caro.
X levantou o calcanhar para dar um passo.
- Maxillius.
- Sim, Senhor?
- Os próximos dois anos começam agora.
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