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Caída em preguiça, suas costas choraram. As moléculas se agitaram ao sentir o arrepio frio percorrendo todo o seu manto em tigre, os cabelos cor de crepúsculo - aqueles tons aroxeados e vermelhos e rosas e escuros - bagunçavam-se, enrolando na maresia. Sabia que se parasse, não iria continuar mais. Que iria perder o fio, o fio que ela tanto demorou para achar. Um sofá mofado ergueu-se aos seus pés, a lembrando de abóboras e verões. Olhos arderam em protesto. Por que sua boca não o fez, ao invés?, ela indagou. Pare. Reuna a coragem que sabe que carrega entre sinapses e língua e fale. Coloque o seu coração na mesa e o disseque. O sangue pode secar, sim, mas talvez aconteça alguma recarga elétrica também. Expirou um ar gélido em frustação. Por que não congelas a minha alma, ao invés?, ela indagou. Talvez assim possa enfiar-se na caixa azul e viver. Talvez. Tal. Vez. Nessa tal vez poderia ser o que quissesse ser. Grande, ouvida, boa e sábia. Oh, sábia. Não só de posiçōes de capas duras, mas como as entrelinhas - ambulantes ou não. Assim entenderia que o problema não está em si mesma ou nas manias de rechear os lábios com cores ou mesmo em suas unhas quebradiçã. Veria e viveria o mundo pelo sorriso dele, mas ainda seria independente e de olho para que nenhum ferro flutuasse, à maneira de não ferir suas amadas. Encontraria uma explicação no seu próprio ser humano e ninguém mais. Perdoaria. Aumentaria a fé. Seria absolvida das vontades estúpidas e dos seus considerados pegados. Espalharia seus pedaços como pétalas de rosas são espalhadas na cama de amantes. Seria amada. E amaria.









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