look how they shine for you

10:45

Dei um passo para fora de casa e congelei quase que literalmente. Com certeza o termômetro marcava uns cinco graus. Respirei fundo, soltando o ar pela boca.
- Eu sou um dragão. - disse, rindo, vendo a fumaça saindo.
Elas me imitaram, expelindo dióxido de carbono quente, condensando com a temperatura gelada.
- Não conte que saí, sim?  - grito para algumas pessoas na porta.
Ouço alguns "o.k" e continuo andando.
- Vem. - chamei-as, correndo pela rua úmida.
Nós andamos de mãos dadas, sorrindo sob árvores peladas, pulando poças. Meu cachecol fazia meu pescoço pegar fogo e meu cabelos estavam desgranhados por causa da brisa. Mas no fim, nada disso importava. Meus dedos pareciam que iam cair de tão gelados.
- Olhem para cima. - falei.
Lua e Anna arregalaram os olhos.
- Você não estava brincando quando disse que dava para ver as estrelas. - Lua disse, meio fanha, gripada.
Eram milhares e milhares, mais do que poderíamos contar - mesmo se quiséssemos.
- É triste pensar que a maioria está morta.
- É.
- Sim. Mas você não percebe o quanto maravilhoso isso também pode ser? Elas brilham mesmo depois de sua existência, como se dissessem que não é preciso estar viva para continuar vivendo.
- Estrelas são muito sábias.
- Mais do que nós, com certeza.
- Mas é verdade, o que elas dizem.
- Como assim?
- Tem dois ou mais jeitos de ver isso. Um é que há tanta gente morta que fez história. Que inspirou pessoas, por exemplo. O outro é que tem gente que a alma está apagada, quebrada, mas continua em pé. Às vezes até estampando um sorriso.
Anna me cutucou.
- Não é os nossos casos.
Ela pegou a minha mão e a de Lua e nos arrastou para o meio da estrada.
- Nós ainda somos frutas frescas, que acabaram de cair da árvore. A queda pode ter sido dura, mas estamos inteiras. Daqui a algum tempo, talvez, vermes nos encontre. Mas antes disso, temos todo uma cor e o perfume. Por que não aproveitar isso?
Entendi o que ela estava fazendo assim que nós colocou num círculo. Girei. Tropecei nos meus pés, e ri e ri e ri. Arrastei-as junto comigo, ficando tonta, zonza e patética. Mas pelo o menos eu não estava sendo patética sozinha. Certo? Certo?...

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