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Você é um monstro. Você merece isso. Cada milênio de sofrimento, cada estímulo de dor, cada fincada no seu cérebro. Você mais matou do que viveu, mais odiou que amou, mais falou do que escutou. Você não sabe de nada. Não aprendeu nada. Dois mil anos de idade e você só aprendeu a esconder o sangue das suas mãos, a manipular qualquer coisa que exista, torturar até os mais inocentes. Você sentiu demais a dor e nunca parou pra se arrepender de nada. Isso poderia ter te salvado. Nunca na sua alma você pensou em mim ou mesmo em Amara. Você ajudou o universo a girar por sua causa mais de quinhentas geraçōes, você fez pessoas se apaixonarem só para nunca ficarem juntas, você fez irmãos se matarem, você fez pais perderem suas crianças, você estragou memórias, você arrancou páginas de livros não terminados, você me fez morrer de angústia e ressuscitar por vingança, você a matou pela própria sede de eternidade sendo que você não tinha nem conhecimento do real significado disso. Eu nunca duvidarei do seu amor por ela, S. Nunca. E isso que destrói minha alma já destruída cada segundo mais. Tudo isso foi por ela? Não por mim? Por quê? O que ela tinha que eu não? O imã entre vocês é tão forte que mesmo séculos e séculos depois, o amor continuou à busca de uma continuidade. De um final feliz. O que eu nunca vou ter, pois você não deixou. Você não tem fim, S. E eu? Eu tive tantos fins que me perdi entre os começos. Foram criadas constelaçōes por você, emoçōes novas, histórias. Você deu uma nova rota à Terra. E você é um monstro. E eu te amo, assim, tanto que afoguei você e Amara e todos as Elenas e Stefans da história e até a mim mesma e num lugar tão fundo que não há corda que nos salve. E nós todos merecemos isso.
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