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Uma sala de paredes e chão tão brancos quanto folhas sulfites. Luz entrava pelo teto, fazendo quase impossível olhar-se adiante. O garoto entrou. Manchou o chão com as suas botas enlamadas e ignorando a claridade cegante, virou a cabeça pra cima e sabia que ali tinha alguma coisa. Pisou fundo e continuou. O silêncio era tão pesado que era possível molda-lo ao seus conformes. Os olhos arderam, como se todos os raios solares resolvessem pousar ali. Enfiando o rosto nos braços, tropeçou nos cadarços. Sua avó sempre dizia para amarrá-los, mas ele nunca deu a mínima: colocava-os dentro do sapato de qualquer jeito e fazia o que tinha que fazer. Não gostava de desperdiçar o seu tempo com coisas assim. Agora, o que mais tinha era tempo. Parou e os enlaçou. Satisfeito, prosseguiu e distinguiu uma forma alguns metros de distância. Seria uma menina...?
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