kin and the ring. p1

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Na manhã de seu aniversário de treze anos, uma caixinha de cetim púrpura apareceu debaixo de seu travesseiro. A menina tinha passado a noite em claro, revirando-se em lençóis, suando sonhos sem sentidos e com o cérebro ligado à mil ideias. Ela queria chorar de frustração: queria ter uma boa noite de sono para aproveitar o dia inteiro amanhã e estava acontecendo totalmente o contrário. Não entendia o que tinha de errado, afinal, como todo dia antes de completar mais um ano de vida, ela tomava o Chá de Cobertor que sua vó Amélia lhe preparava especialmente nessa época, para calmar-lhe os nervos e esquentar-lhe dando jus ao nome, e então tirava o Plum (uma cabrita de pelúcia) de dentro do grande baú de carvalho branco. Tudo isso era feito pois a menina, desde as fraldas, tinha problemas com ansiedade. Qualquer situação que exigisse um pouco mais de pressão, por exemplo, a deixava trêmula e pálida como a luz da Lua. E de algum jeito, mesmo não tido fechado os olhos por um segundo, aquela caixa apareceu ali. Como se tivesse brotado. Ela a descobriu ao mudar seu travesseiro para a parede, arrumando-se para ler algo alguns minutos depois do Sol adentrar sua janela, acabar com qualquer chance de ela dormir e privando-lhe luz. Não ficou brava com o Sol, de qualquer jeito, pois sabia que o mundo não gira ao seu redor e que ele tinha um dever à cumprir. Na verdade agradeceu-o, porque seus raios deram-la a oportunidade de fazer uma coisa útil. Não sentiu raiva, também, de sua irmã ter pegado as suas cortinas meses atrás e tê-la transformado-a em um vestido. O vestido caiu muito bem nela. Agarrou o curioso objeto e o abriu, ficando deslumbrada pelo o que ali dentro guardava. Um anel prateado com uma pedra em cima, rodeado pelas metades de uma forma côncava pintadas com três pontos e círculos bem pequeno. A pedra era a mais maravilhosa que já tinha visto: num tom de verde-água, algumas leves linhas azuis marinho a traçavam, lembrando veias e ela era perfeitamente polida e brilhante. Colocou no dedo anelar direito - esse que a vó dizia ser ligado ao coração - antes mesmo de ler o bilhete grudado, em letras tão miúdas que ela teve que procurar sua lupa.
"O Sétimo é seu
Como o sono pertence à Orfeu;
O cuide e o acolhe
Mesmo que sua alma molhe.
Os reinos deverá comandar
E em sua posse ele irá levantar.
O tempo se tornará difícil,
Então use o seu apito.
AVISO: não colocar o anel até o Solstício de Inverno."
Um segundo depois, ela entendeu o porquê.

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