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Madeixas longas e negras eram seu refúgio, como os livros são da realidade. Mulata, sorriso grande, alma de guerreira e coração de bolha. Lágrimas pintavam desenhos nos pulsos, sua obra mais incompreendida. Cercada dos mais belos e gentis, ainda só via a besta - seu martírio, seu veneno. E ela bebia um pouco dele a cada dia, tecendo a própria linha, gritando que é só mais uma dor. Mas era a única dor e estava aos

poucos: deixou-lhe cega e então raivosa e então lunática e então sofreu de um afogo de coração. Só ao lutar contra os próprios demônios entre mares e conchas e corais e tempestades e raios viu: brilhava muito mais que qualquer ponto distante, e iluminava toda a Terra. Chamou-se Lua.

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