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Numa xícara, jogou alguns grãos marrons e cheirosos. Respirou fundo, sentindo sem demora o efeito da cafeína sorrateiramente agitando sua corrente sanguínea. Ouvidos cheio de barulho, barulho de bolhas aquáticas furiosas por ter ser oxigênio extraído ("ele é parte de mim, o que você está fazendo?!") e o cérebro lento, preguiçoso, se fazendo de desentendido ("eu não tenho ideia do que você está falando"). Metal jogou açúcar na xícara, uma colher, apenas. Ela gostava amargo e forte, pra combinar com a sua alma, com um pouco de leite - só pra não ficar tão escuro. Assim que as bolhas se calaram, afogou os cariopses, não matando-os, mas transformado-os no que eles queriam ser. Misturou tudo, acalmada pelo tintilar suave e metálico. Pegou o galão de leite, quase da cor de sua pele, e derramou. Foi quando aconteceu.
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