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na sua presença, tudo e qualquer coisa ficava tão suave mas tão intenso que é difícil definir. seria como um fogo alto, suave às suas labaretas, ao seu azul e laranja, mas intenso aos dedos. Palpável, porém, os sentimentos. Era o desejo seguido de paz procedido de raiva e continuado pela melancolia. Mesmo uma faca cega cortaria e veria tudo isso, oscilando em ondas perfeitas entre dois corpos só vestidos de pele e pudor. A confusão dela era irradiante, mais que o Sol, que em dois minutos se queimariae a tormenta dele era aquela garoa pré tempestade, lenta e destruidora. Num espelho quebrado, se consertaram. Lentamente, dolorosamente - arranhando e raspando-se, mudando de lugar setenta vezes, chorando e quase comprando um espelho novo. Não eram aquele um casal desses de revista, nunca foram, e isso fazia mais bonito e menos complicado - mas eram jovens, inseguros, medrosos. Mas o segredo mesmo era tentar. Um escondia isso do outro, mas era simplesmente tentar. Ela não comprou cebolas, ele tirou o bigode. Ela parou com as mordidas doloridas e ele tirava dois dias só pra ela e muito muito muito mais. Tentaram tanto que acabou dando certo, exatamente como tinha que dar.
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