fucking madness

10:29

Nós somos cúmplices dessa loucura toda. O clima está pesado, realmente, como se a pressão atmosférica estivesse baixa demais. Talvez esteja. Os seus gritos tinham transbordado todo o nosso lar ontem, deixou alguns de nós surdos e matou Fulano com o poder daquelas palavras. Horrível. Senti o seu ódio me atravessar mesmo estando escadas acima. Meus olhos vacilam e eu quase me quebro. Droga, por que fazer isso? O choros do pupilo quebram, lentamente, o meu coração. Quero agarrá-lo, e então niná-lo, mesmo não tendo nenhum instinto maternal. A Coisa (ela não merece nem ser chamada de pessoa) joga e estilhaça qualquer objeto repetida vezes, provocando um baque enorme na minha fina parede de gesso. Enfio a cara na minha almofada. Soa como se o mundo estivesse desabando, como se toda a porra do universo caísse sobre nós e então nos esmagasse, quebrando cada osso, apagando todas as células, sugando cada resquício de sanidade. Ela é louca, instável. Está partida, irrecuperável, doída. Profere raiva ao invés da compaixão. Mostra o dedo do meio para o mundo, diz o quanto odeia putas e o som de "inveja" e cerveja quente. Foda-se, foda-se, foda-se, lixo, vocês são um lixos, não encoste em mim, vou quebrar sua mão, idiota, babaca, estúpido, vai se foder. A mulher, garota, coisa é um peso, algo que somos obrigados a amar e aceitar e tentar sufocar com um travesseiro à noite. Sua bipolaridade atinge o auge e nós não podemos colocar um limite. Na teoria, não podemos fazer nada além de esperar a sua boa vontade, além de aturar. A culpa é nossa por não ter dado um fim nisso antes, anos e anos atrás, quando tudo ficou pior e caímos nesse poço sem fundo. Poderíamos ter desviado do caminho, ignorado as moedas. Mas não o fizemos. Agora escalo, perdendo os dedos, a parede do poço. Durante tempos esperei por isso, e finalmente, eu vejo um brilho escasso nos seus "olhos suaves". É a hora, então. O fim.

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