they don't get your soul or your fire

14:48

O fogo corre por aí. Feliz. Queimando. Sendo. Ser é bom, mas eu raramente consigo o fazer. É como uma arte: ser é honestidade e liberdade e vários outros ades. Seja hones ou liber ou sei lá, não tenho nada disso e dependo de um fluxo, de uma sensação, de um momento para ser. Me encaixo entre os paradoxos de uma situação, chuto um balde metálico para longe, sorrio o chão. Pulo. Bato os calcanhares no meio-fio, raspo os tênis na lixa, caio e bato o quadril, deixando-o roxo. E então, fogo feliz, dentro de mim. Me atiça, me faz morder os lábios, me contorce de líbido. Penetra na minha carne e faz com que cada milímetro meu ria. Corro também, é como um jato de fumaça me empurrasse pra frente, sempre em frente e cada segundo que queima, eu abraso. Crepita em cada órgão meu, mas não dói, não, nada de dor. Apenas um formigamento, cócegas, um soquinho bem leve no braço. Beijo o ar, mas queria fosse os seus lábios - e na minha pélvis. Sussurro para a Lua o quanto ela está linda hoje e ela me olha com ternura e diz que eu estou radiante e brilhante. Meus cabelos roçam na minha nuca, espalham um cheiro de argan e chacoalho a cabeça freneticamente, tentando dissipar uma melodia da minha cabeça e abro os braços, abraço o mundo, a vida, a razão. Entendo, sim, entendo. Nasci para conspirar positividade, nasci para ser mimada, nasci para pertencer à suas asas. Marteladas me batem o cérebro, meus dedos tintilam num baque surdo e frio balança os meus ligamentos. A brisa grita em mim quando levanto da terra, me rasga como uma faca cega, chora como se pudesse chorar. Tum, tum, tum, o coração fala. Me escute querida, eu mando em você. E é verdade. Nós somos prisioneiros de nós mesmos, presos no nosso sangue, na nossa doença, na nossa deficiência. Horrível mas também bom. Não. Tudo é horrível mas também bom. Acendo um cigarro com a minha alma, a nicotina dopa e arde meus pulmões, enlouqueço com a espécie de gás que sai da minha traqueia. Estalo o pescoço. Chupo a minha própria língua. Quebro a minha unha. Meu controle, querido. Meu. O fogo acende em mim mais forte quando eu me atiro da pedra alta, me sinto como um morcego com asas quebradas, me sinto grande, me sinto eu. Sou, queimo, feliz. Minha existência era fogo, meu fogo é a existência. E então, o fogo apaga.. Afinal, fogo e água não se dão bem.

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