between horses and death
21:41Grama, sequoias, margaridas e musgo. Aroma de chuva, de verão, de coisa verde enfim. Céu é escuridão e pontos brilhantes, é constelação e desejo. Não tem lugar no universo que eu quero estar, além desse pedaço de lugar no pedaço de oceano atlântico-mediterrâneo-pacífico-tanto-faz. Sopros leves penetram em cada célula minha. Sorrio. Meus passos estalam, meu dedos percorrem os meus braços lentamente, minha garganta está aberta a novos timbres. Não sei exatamente para onde ir. Corujas me guiam para o leste, besouros para o oeste. Direções, qualquer porcaria com o prefixo -este, me deixam confusa e indecisa e arg. Escolhas. Tudo isso nos leva para um caminho igual ou para dimensões diferentes? Acho que nunca irei entender. "Mas você pode sentir.", eu lembro de você sussurrando contra a aquarela (de tons pastéis, você me corrigia) que nos rodeava. Paro. Deuses, estou nostálgica. E esse ambiente transpira lembranças. E magia. Ah, magia. Claro. Viro de costas. É ele, seja qual for o seu nome, o homem do peito definido e sempre suado e moreno. Na verdade, ele é absolutamente perfeito fisicamente. Bom, na parte de cima. Involuntariamente, meus olhos correm para baixo de seu abdômen - qual tem profundos gomos e um enorme e acentuado "V" dando entrada onde, supostamente, deveria ser sua pélvis. Guardo meu riso louco para mim, bem aquele que se forma quando você está naquele lugar errado e totalmente nada a ver com tudo. Uma parte de baixo de cavalo. Ferraduras - uau, como são modernos esses homens (homens?) - cercam seus cascos, um pelo preto, negro, cor de carvão abrange todo o resto da suas parte animal, apoiada em quatro patas. Ele apoia o arco e flecha (como eles conseguem atirar com essa merda?) e contrai os músculos, deixando um suspiro escapar. Luvas de couro - e quase rio de novo! Couro?! Em malditos centauros?! - envolvem suas mãos calejadas. Banhadas no sangue de Hidra, aquela cobra maluca louca insana e estúpida de Hércules se não me engano, ele simplesmente a enfiou no meu peito. Eu sabia, claro que sabia. Mas é um jeito lindo e poético de partir. Seus olhos azuis ou verdes ou pretos não sei, não desgrudaram de mim nem quando meu corpo se retorcia de dor, com o veneno da Maldita correndo entre as veias, numa corrida ridícula de "quem-vai-matar-essa-criatura-primeiro". É. Fulano De Tal, que tenha piedade de mim, ó sim, ou não, que se foda. Descanso eterno, cortada aos pedaços no Tártaro. No fundo.. Bem no fundo, Ele sabe que um é pior que o outro. (...)
0 comentários