23:13

São 6:38 da manhã e eu apenas dormi das 11 até as 4. Meus olhos ardem e os óculos encostam na minha pele tão suavemente que mal sinto. Estou lendo sobre um tal de Grayson, um menina com um (ex?) namorado jogador de polo aquático e alguns palavrões. Aquela música que passava na MTV de 1 em uma hora está carregando agora e percebo que os direitos são de 2007 - infinitas coisas aconteceram em 2007 e isso é engraçado. Na verdade, é engraçado pensar que milhões de coisas acontecem com milhões de pessoas todos os segundos. "I'm gonna not write you a love song." E eu não sei porque eu gosto do jeito que essa frase soa, como se isso fosse tão foda-se e tão melodramático ao mesmo. Meus acentos estão indo para o lado errado e isso me irrita. "Cause' you ask for one, cause' you need it." Paro pra escutar o timbre da voz da garota (é doce, terrivelmente doce) e o som do piano e um "uuu" de fundo. Eu não vou te escrever um texto de amor, mas eu praticamente já estou fazendo isso. Juntando ideias diferentes e intercalando pensamentos insossos. In. So. Soss. "In so sos, s" e meu Deus, eu sou tão ruim em anagramas quanto em conseguir escrever alguma coisa poética. Um círculo cheio de bolinhas gira e forma um degradé, simbolizando que a maldita música está carregando e isso já faz  aproximadamente dois minutos. Um corvo idiota está gritando e o meu estômago está fazendo barulhos engraçados porém que indicam que a pizza apimentada com bacon e cogumelos que eu comi aproximadamente nove horas atrás já se dissolveu no meu suco gástrico. Agora uma nostalgia vai se abrandar no meu peito e eu realmente acho que quero chorar. Plins enchem os meu ouvidos. Fireflies. Voadores de fogo? Isso soa como o nome de uma distopia clichê mas ainda sim encantadora. A última vez que eu me lembro de ouvir essa música foi um ou dois anos atrás, quando eu mexia no meu Blackberry digitando rapidamente: "está tocando aquela música que você adora". Era o intervalo e depois de alguns lixos pops, um sentimento de preenchimento veio até mim, sabe, assim que ouvi a voz incrivelmente delicada desse cantor que eu não faço ideia do nome. Esse segundo você já é um você que não faz parte da minha vida mais. Agora esse você vai para aquele negócio de marinha ou náutica ou qualquer merda assim e você deixou de se esconder atrás de cabelos pretos e agora usa qualquer merda de rede social famosa. Não que eu me importe, sinceramente. É outra coisa engraçada: não se importar e mesmo assim se lembrar e acabar por sentir uma coisa tão banal quanto nostalgia. As coisas não eram muito melhores naquela época e mesmo assim, cá estou eu, me sentindo estranha por lembrar. Sorrio de um jeito meio nada sorridente. Percebo que mesmo que tudo tenha mudado, nada mudou, na verdade. (E sinceramente, isso está enchendo o saco. Anatomias tão diferentes nas últimas sei lá, 5 linhas. Me lembra aquele negócio do você, do primeiro você, falar que duas coisas totalmente opostas são a mesma, no fundo. E eu tenho andado sentindo isso perfeitamente.) Cá estou eu, digitando numa manhã qual eu supostamente deveria estar dormindo e fazendo isso porque estou apaixonada - palavra de merda, à propósito - e porque comecei a sentir ondas engraçadas e meio ácidas há 31 minutos quando você, o primeiro você, me deixou sozinha e depois por ler você proferindo palavras poéticas para a sua estrela. Graças a Deus, consegui. Minha necessidade absurda de colocar "ondas engraçadas" num contexto que combine com os meus sentimentos finalmente acabou. É isso. Dois anos se passaram desde o segundo você e eu ainda não sei porque diabos eu escrevo ou o que diabos eu deveria fazer ou como diabos as coisas conseguem sempre dar certo e em seguida errada. Deveria existir uma lei (digo, tipo de Newton) para isso, porque porra, que saco. Não sei também uma maneira de terminar isso. Eu sei que só uma pessoa vai ler isso e não é o 1° ou o 2° e acho que não é ninguém, porque agora esse ninguém também saiu da minha vida. As coisas nunca mudam. Nunca. Cuncan. Nuca, n. Cuca, n. Uncan. E são 7:12 da manhã.

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