não consigo pensar num título bom, é
13:07Sem tempo para piedade. Todos os ossos do meu corpo estalam e está frio a ponto de penetrar na minha carne e eu sinto dor tanta dor, uma dor incomunicável. Tudo acabou. Sinto os arrependimentos, os desejos, as coisas que eu não nunca vou poder fazer enquanto a vida escorrega entre meus dedos, igual areia - uma areia muito preciosa e cheia de esperança. Não tem porra de luz nenhuma, só o desespero te consumindo e roendo suas entranhas feito um cão faminto. Quero chorar, gritar e até mesmo rir, tudo ao mesmo tempo mas meu cérebro se recusa a mandar comandos. Eu sinto. Eu sinto tudo agora. Sinto e ouço as sinapses e seus pequenos choques, o sangue rastejando, cada osso se contraindo, cada ligamento se rompendo, cada merda de batimento cardíaco ficando lento lento lento e parando. Está demorando de mais.
Um cheiro metálico envolve ao meu redor, misturado com um pouco de suor, cenouras e esmaltes. Meus sentidos não estão aguçados, meus sentidos estão como deveriam realmente ser. Nossa capacidade - mental, espiritual, física e sei lá mais o que - é limitada de mais. É praticamente como se não tivéssemos nada disso, percebo, agora podendo "aproveitar" disso. Seria mais útil em outras horas, sabe, quando eu não estivesse morrendo. Para você ver, mesmo com a dor, com toda a informação nova, com a falta de conformação que eu estou realmente partindo (partindo para onde, droga?), eu ainda consigo fazer algumas conclusões inteligentes. Ou quase isso. Passa-se um minuto e quero enfiar a minha cabeça no triturador de lixo, só para acabar logo. Acabe, acabe, acabe, acabe, eu imploro silenciosamente. Mas não tem tempo para piedade.
ficou uma bosta, mas foda-se
0 comentários