A minha história (a)normal

17:39

Cada um tem seu conceito de normal ou não, e na minha opinião, ninguém é exatamente normal. Normal é clichê, droga. Mas normal, às vezes, é só normal. Não faz porra de sentido nenhum pra você? Pois é. Acho que se eu reler, também não faz para mim. As palavras só fluem dos meus dedos, e eu não estou preocupada com o que isso significa. Essa coisa de normal tem feito a minha cabeça girar em sei-lá-quantos-graus. Na minha visão, normal é algo que não existe na minha vida. Eu sou uma merda de uma anormalidade, por fora. Quero dizer, tudo ao meu redor é fora do normal, mas algumas coisas (coisas, malditas algumas coisas) em mim internamente são tão erradas que eu tenho vontade de arrancar as minha entranhas pelos olhos. Por onde começar? (Sim, isso é um desabafo. E não estou preocupada com alguém lendo, quer dizer, uma pessoa sabe da existência disso. E se você estiver, que se foda.) Primeiro, talvez, seja a minha irmã. Louca, maconheira, tatuada. Egocêntrica, mãe, mimada. Ingrata, loira, bipolar. Ela é, sim, tão ruim quanto parece, mesmo tendo qualidades boas. Na maior parte do tempo, ela é uma vadia. Enfim, ela desrespeita todo mundo, fala mal de todo mundo, grita com todo mundo. Ela tem um filho que, ou é um amor, ou é uma peste. Sou meio suspeita pra falar, odeio crianças e etc, porém.. Ele é exatamente o que eu temo: mimado. Terrivelmente. É, literalmente, aquele tipinho idiota que você dá ordens, e ele faz o contrário. (É sério, é literalmente.) Minha mãe que os mima. Ela é tão paciente, mas tão.. Sei lá. Não escuta ninguém. Nem para conselhos, nem como foi o seu dia, nem as coisas que você gosta. Eu quero ser independente, porra, eu digo, mas ela não quer me ajudar. Quer que eu seja essa bosta que eu sou: inútil e atrapalhada. Meu padrasto foi uma das melhores coisas que me aconteceu. (Ele e a minha mãe são viciados em internet, principalmente ela, e foi onde se conheceram. Os dois traíram seus parceiros, para ficarem juntos.) Ele é português, fala umas 6 línguas e me ama de mais. Me escuta, me apoia e tudo. Não é uma pessoa fácil às vezes, e também me enche o saco até mesmo quando eu digo que não quero brincar. Mas ele é o meu pai de verdade. Não, o meu pai mesmo não morreu. Ele mora numa capital, cubano (minha mãe tem uma queda por estrangeiros), é pão-duro, desinteressado, preconceituoso, não me conhece nem um pouco, me pressiona que nem uma louca para estudar e estudar e estudar. E grita que oito não é suficiente. Bêbado, porém renomado professor de matemática de uma faculdade federal. Isso é irônico como o inferno. Minha cachorra morreu em fevereiro. Eu a amava, muito, e vi ela morrer. Horrível. Um mês depois, "M, vamos nos mudar para Irlanda. Em maio." Maio, caralho. Dois meses, porra! Porra! Foi uma puta correria, estresse, choro. Minha mãe tem uma amizade fortemente esquisita com a ex-mulher do meu padrasto, qual tem duas filhas, só que não realmente filhas. Ele as criou, apenas. Estou escrevendo um oceano de distância do meu país, mas foda-se. É uma merda mesmo. E tem eu. As minhas coisas internas. Já me apaixonei for fakes, menti para encontrar a minha melhor amiga que conheci pela internet, fumei com o meu pai há um quarteirão de distância, ando escrevendo uma porra de um livro que nem é mesmo um livro de tanta merda que tem escrito. Já beijei dois garotos e foi horrível. Logo, odeio beijar. (Isso me atormenta.)(Muito.)Prefiro escrever em inglês do que português, apesar de eu não falar direito. Vim pro país da chuva odiando a própria. Leio dezenas de livros de romances idiotas e vejo mil séries, passando 12 horas por dia no computador. Nessa cidade tem muito brasileiro. E eu conheci alguns. E NÃO GOSTEI DELES. Foda-se, eu me acho superior sim e FODA-SE. Eu não uso boné nem grito putaria nem ouço música sem fones. Não saio pela cidade me achando a rainha, não chamo atenção, sou bem informada sobre o mundo. Mas eu sou covarde. Só os evito e fujo agora. Estou aprendendo a dirigir, talvez com um pouco de sucesso. Tenho um gato preto. Não danço há anos (qual eu pratiquei por 7), não faço nenhuma atividade física desde dois anos atrás, mas estou tentando andar de bicicleta meia hora todo dia que o meu cabelo. Como pizza de dois em dois dias. Minha melhor amiga precisa de mim e eu não estou lá. Meu suposto melhor amigo (que eu não converso direito há um mês) é ex-namorado dela e ameaçou espalhar suas fotos comprometedoras. A PORRA DOS MEUS AMIGOS NEM SE QUER ME CHAMAM NO FACEBOOK. Quem disse que a porra da amizade duraria? ESSES CARALHOS. E o problema sou eu, sim, porra! Isso já aconteceu antes, quando eu me mudei de um lugar pra outro no Brasil. Sou uma porra de uma otária, pois mesmo sabendo o que ia acontecer, me decepcionei. Me martirizo e desprezo vendo fotos de pessoas mais bonitas e ricas e com namorados. Não sou exatamente bonita, mas sim cheia de estrias e algumas (várias) espinhas. Gosto de usar parênteses. Me imagino em Paris, na Torre Eiffel com um cara me pedindo namoro e cantando uma música, com pessoas gravando e eu poder dizer e mostrar que alguém gosta de mim, de verdade, nesse mundo. Participei de um grupo de teatro qual precisava de mim, e agora está com uma peça ridícula, que "todos gostam". Como aquela merda pode ser boa sem mim, porra? Como? Eu era a essência. Mas sabe o que é? O mundo não gira ao meu redor, mas eu queria que girasse. E talvez eu queira que alguém leia isso. Alguém me consolar, verdadeiramente. Por eu ser essa bagunça hipócrita e imbecil. (É. Piedade. Foda-se.)

You Might Also Like

0 comentários

Popular Posts

Like us on Facebook

Flickr Images