True blood

15:16

Era meia-noite e trinta e seis de um dia comum, porém, estava na hora do jantar. Levantei com a garganta seca e meus pés alcançaram o assoalho amadeirado, me dando um pequeno choque de frio. A casa está absurdamente silenciosa, mesmo com outras cinco pessoas morando comigo e sendo um fim de semana.Ou eles saíram ou  morreram. Das duas uma. Sou do tipo que fica dentro do quarto, coração ferido e olhos preenchidos com tristeza, já eles fodem e se alimentam feito loucos descontrolados. Na verdade, eles são loucos descontrolados. Desci as escadas e pulei o terceiro degrau, que range só de encostar. Atravessei o corredor, abri a geladeira e peguei uma garrafa do líquido espesso e vermelho, já dando um grande gole. É ruim pra caralho, porém, só um aquecimento. Dei alguns passos até chegar em uma porta revestida de prata, propositalmente feita para mim. É muito bom ter uma habilidade dessas e então, posso manter meu jantar longe dos imbecis viciados de casa. Abro a porta e desço mais escadas. Ela está lá, amordaçada e inconsciente. Pisco lentamente, absorvendo antecipadamente a visão do seu desespero. Abaixo-me e dou um leve tapa em sua têmpora, a acordando, e seus olhos já gritando por ajuda, porém, quando conecto nossas mentes, relaxa. Seu cabelo loiro desgranhado, sobrancelhas arqueadas e sardas salpicando todo o rosto me encantam, mesmo nas circunstâncias que se encontram. Porém, o que me interessa, é o que dança em suas raízes. Não devo fazer um som sequer, então, digo silenciosamente dentro de sua cabeça:
"Sabe, eu lembro da primeira vez que te vi. Quando você entrou, o ar foi embora e toda sombra se encheu de dúvida. Tenho querido você desde então. Eu não sei quem você pensa que é..  Mas antes da noite acabar, eu quero fazer coisas más com você. "
Ela assente, como se tivesse encontrado já a sua paz interior.
"Eu não sei o que você fez comigo, mas eu quero fazer realmente coisas más com você."
Meus caninos estão lutando para crescer desde o segundo que eu pisei no quarto, e quando as libero, é um alívio tão grande que sinto que vou explodir.
"Não grite."
 E um som afiado corta o ar um milissegundo antes de eu enterrar e afogar-me em sua jugular.  Só apenas eu consigo escutar o som do sangue correndo para a minha boca, descendo pela minha traqueia e afundando-se no meu estômago. É gratificante, estranhamente e deliciosamente prazeroso, como ter três orgasmos no mesmo corpo - mais, até. E o gosto.. Bom, o gosto é de vida. A vida que eu não tenho.
trechos de "Bad Things, by Jace Everett" e inspirado em True Blood.

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