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Eu vejo as suas asas. Vejo cada ponto cintilante, cada tecido corrompido, cada pena se sobressaindo. Sinto a sua dor. Deslizo as mãos pelo seu peito nu e macio e perfeitamente moldado. Eu te vejo. As sobrancelhas retas, as linhas da bochecha, os cílios grandes, toda a sua beleza encantadora e diferente e perfeita. E eu vejo o seu coração. Doído, amando, sorrindo. Um oceano de distância e te sinto aqui. Fecho os olhos. Nada está fazendo sentido. O sol bate nas costelas e faz cócegas. Nos entreolhamos. Você está machucado, amor, tão machucado. Encosto os lábios suavemente na sua clavícula e distribuo beijos, como se fosse uma cura. E com um lamurio preso na garganta, sussurra um agradecimento. A vida é tão injusta, não é? Ela te dá asas e depois as quebra. Te dá o céu e depois te expulsa de lá. Te dá o amor e depois o coloca há milhares de quilômetros. É oito ou oitenta, sempre. Mas nós.. Bom, nós somos 100. Você começa a cantar - deve saber que a minha maior inspiração é o seu som: é como se eu pudesse pintar o quadro mais complexo e belo do mundo, compor o som mais melódico e escrever um livro só sobre a sensação. Cada tom seu penetra lentamente no meu cérebro, cada vez mais fundo. Eu jamais vou conseguir colocar em palavras o que você está me fazendo sentir.  O máximo que eu consigo falar é que amor é pouco comparado à isso. Cada centímetro meu pertence à você. Externamente, internamente, tanto faz. Preciso de você de um jeito absurdo e quase ouso dizer que é tão a sua presença é tão vital como oxigênio. Respiro fundo e todos os meus sentidos gritam por você e você sabe e então seu toque me atinge. Em um segundo - nesse segundo -, você me destrói e então reconstrói, me fazendo ainda melhor. Mil e uma coisas me atravessam, me cortam, mas cada célula minha se contorce de prazer e é, você é a minha lâmina e o meu maior medo e o meu maior desejo e certamente, o meu maior prazer. Sorrio de novo e de novo e de novo. Só Ele sabe o número nada baixo de vezes que contrai os lábios e mostrei todos os dentes por sua causa. Envolvo meus braços ao redor do seu pescoço, com cuidado, encaixo minha cabeça no seu ombro e é tão tão tão bom, como todas as nossas partes fossem esculpidas para se juntar. É tanta loucura, você está me deixando insana, você está me pirando, você está me fazendo entrar nessa missão impossível e pular desse avião sem paraquedas, me fazendo contar que esteja lá em baixo para me segurar. E me fazendo ter o senso racional pifado, gradativamente. Posso ficar com você para sempre, seja quanto tempo dure. Posso viajar com você para o infinito, mergulhar nas águas mais profundas, descobrir outro universo. Posso e quero e vou. Espero que saiba que você é motivo, o porquê, a razão. O meu motivo, porquê, razão de tudo. Vamos construir as nossas vidas junto e então vamos lutar contra todo o mundo, contra o destino, contra cada obstáculo no nosso caminho. Noto que a música acabou há muito tempo e estamos no seu silêncio há mais tempo ainda. Ele nunca é vazio e quando quebro a sua tênue linha, é como se um vidro se estilhaça-se no vácuo. "Eu sei, eu sei.", digo me afastando e então beijando a sua têmpora, levantando apenas alguns centímetros do chão. Deixo a falta de som me preencher. Eu sinto a sua insegurança também e o seu temor e todo o resto. Estou tão assustada quanto você, amor, mas eu viveria cinquenta vidas com você e nunca ia bastar. Mesmo com a dor. Mesmo com a guerra. Mesmo com o medo. Nós somos maiores. A nossa ligação é inquebrável, palpável como o ar que respiramos, sentida como os nossos corações batem. E é assim. Sem se acolchoar mais nas entrelinhas, sem se esconder atrás de um mundo injusto, sem ser o que deveria ser. "Eu amo você." E é, eu amo você.

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