03:13

A respiração é curta e aguda, soltando chiados quando o ar é soltado. Vias áreas entupidas e ardidas, fazendo ela se xingar por ter fumado quatro cigarros no dia interior. O rímel gruda as pálpebras e o cabelo está cheio de nós. As pernas descobertas e os seios tampados por uma camisa dois números maior, do super-herói favorito. Dormiu apenas algumas horas, porque a fungação constante a atrapalhava. As unhas estão sujas de maquiagem e as meias listradas, furadas. É um domingo daqueles nada, que talvez tivesse que estudar espanhol, mas o tédio parecia mais interessante. 

"Que inferno.", pensa.
Ouve o bater das portas e sussurros baixos, contemplados por barulhos de chuveiro. Lembra-se da menina deitada ao seu lado, então, qual está de lado, os cabelos negros espamarrados no colchão.  Os suspiros pesados, também. Sorri sozinha. Sente aquele cheiro de café e o estomâgo vibrou. Passa a mão na própria ruivice e desce as escadasque rangem mais do que os ossos de um covarde. Escuta um estrondo e acelera o passo. Uma brisa a atinge e ela esfrega  os braços. Entra. E o vê. Sua caneca favorita aos pedaços, manchas na blusa dele, a jarra caída na pia.
"Me desculpa.", o rapaz fala, o rosto marcado de roxo e lágrimas.
Ela revira os olhos.
"Que diabos você está fazendo aqui?", pergunta.
"Eu..."
"Aliás, como você entrou aqui?" 
"Ainda tenho a chave." 
Como sempre que está irritada, franze os lábios e levanta as sobrancelhas. 
"Vá embora, pelo amor. Eu não sou a porra da sua babá."
"Eu sei." 
"Não parece que sabe." 
"Você prometeu que ia cuidar de mim." 
"Quem prometeu isso foi você." 
Ele pensa. 
"E eu não posso te proteger de si mesmo, cara."  
  






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