welcome to the family

11:05

Tem um certo ponto da sua vida que você se sente alheio. À tudo, à todos. Fica de saco cheio da própria vida, enjoado da rotina, cansado dos problemas - sempre os mesmos problemas.  E então começa a se desinteressar pelos outros também. Você não aguenta nem a si mesmo, não se atuaria, se pudesse. As pessoas te contam sobre o quanto tudo está uma merda, querendo colocar para fora e acaba, não propositalmente, te fodendo. Principalmente se você gostar dessa pessoa. Te faz pensar se manter a ignorância não é uma boa opção. Você acaba carregando um pouco do fardo da pessoa. Um pouco que, se você junta os de todas as outras pessoas, vira um monte, vira vários e vários fardos. O sentimento de impotência te destrói lentamente.  Mas aí o seu amor próprio clama e "cara, que se foda". Então, deixa de se importar com o céu, pelo continuação de tal livro, pela dança. O término do namoro de um mês do seu amigo parece drama demais, notas baixas de Fulana se resolveriam se ela estudasse, insegurança de tal criatura em relação à sei-lá-o-quê é entendiante. O próximo passo é o isolamento. Festa? Por favor. Enche a mente com equações desiguais, plantações do século 16, frutas em espanhol. Mau humor constante. Se torna chato, imbecil e sozinho. Não culpa seus amigos - "eu me afastaria também", pensa. Mas isso tudo pode acabar, eventualmente, de alguma forma não explicada. Alguém pode te fazer ver algum sentido em tudo isso de novo, te despertar o interesse. Ou não. Ou você fica recluso até ficar tão tão recluso que entra em si mesmo. E nunca mais sai.

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