all this time i was finding myself and i didn't now i was lost
12:14E então eu mesma pus um limite. Ninguém o faria e acho que é algo que ninguém poderia. Depois que todo o martírio acabou, decidi criar um novo parágrafo, afinal enrolei de mais para sair daquele. Um parágrafo que seria um pouco complicado, um pouco confuso, mas que precisava ser escrito se eu quisesse continuar a escrever. Todo escritor passa por isso, não só em suas histórias como em sua vida. Na verdade, toda pessoa passa por isso em algum momento. Sei que sou do tipo que não aguenta a rotina, a normalidade, a constância. Sou mais que uma metamorfose diária, estou sempre pensando diferente e também sentindo diferente, como se aquilo que fiz um segundo atrás já não condissesse com o meu modo de pensar. E não condiz, porque eu realmente mudei. As pessoas dizem que é difícil alguém mudar de um dia pra noite, mas não é. Você muda cada dia um pouquinho mais sem nem perceber, até mudar completamente. Nem sempre essas mudanças são as melhores, mas na maioria das vezes são necessárias. Necessárias porque se você não mudar, nunca vai saber como é tal coisa ou se você não mudar, nunca vai ser quem precisa e quer ser. É assim. Você precisa aceitar as coisas ruins em si, também. Não só para reconhecer o defeito e tentar se livrar dele, mas para melhorá-lo, porque do mesmo jeito que as suas qualidades fazem parte de você, isso também faz. Nós temos que buscar isso se quisermos chegar onde queremos. Eu às vezes falo palavrão demais, enrolo-me em palavras, me distraio fora de hora, acho que sei de tudo, entro na defensiva muito rápido, fico irritada facilmente, meto-me em problemas que não são meus, choro por tudo e por nada, ajo diferente perto de certas pessoas.. Enfim. Eu tenho muitas coisas erradas. Faço muitas coisas erradas. Mas tenho procurado admiti-las e também não fazê-las. Quero ser uma pessoa melhor. Quero ser independente. Quero viajar para lugares legais, melhorar minhas habilidades fotográficas e escritas, aprender a desenhar, voltar a dançar. Ser mais organizada, ser honesta, menos estressada, aumentar meu nível literário (não me sentindo boba por gostar dos best-sellers), caminhar por aí duas vezes por semana, não odiar educação física. Mas também, continuar sendo a amiga boa que acho que sou, tentando ajudar todos que posso sempre de qualquer maneira. A pessoa sempre amistosa, que conhece muita gente, que paga micos, que não tem vergonha na cara, que sempre sabe de tudo que está acontecendo. Mas também que sabe ser o que deve ser com cada um e ser o que quiser com eles também. Eu sou um camaleão e não me faço menos verdadeira por isso. Adapto-me em situações e lugares e grupos. Com Fulano vou conversar sobre celebridades e sobre música, com Ciclano sobre o universo e livros. Porque você tem que escolher essas pessoas. Eu sou uma das raras que você consegue conversar absolutamente sobre tudo (ou quase), por isso talvez que eu conheça tantas pessoas por aí, mas nem todo mundo é assim. Muitas ficam no seu próprio mundinho, nunca aberta à novas possibilidades, pontos de vistas, assuntos. Eu irei buscar ter o maior conhecimento que preciso. Sou comunicativa e simpática, adoro falar e sempre vou. Gosto de rir mesmo quando as coisas estão ruins, mas me permito isolar às vezes também. Aprecio as companhias, mas sou fã da solidão também. Gosto do som pesado das guitarras, mas tenho todo o direito de parar e ouvir um violão também. Eu sou o meio-termo. Eu me enfio nele e me encaixo perfeitamente. Isso não é a pior das coisas; eu poderia ser nada. E acho que todas as coisas em excesso fazem mal em algum ponto. Não sou tão bonita nem tão inteligente nem tão talentosa assim. Mas sou. E também, busco ser mais sempre, assim aumentando o meu limite do meio-termo e crescendo. Se ajusta conforme eu sou. Gosto da internet mas não recuso um bate-papo. Amo meus amigos, mas me amo acima de tudo. Não sou nenhuma santa, porque peco e não escondo isso. Não quero me casar antes dos 25, muito menos ter filhos. Talvez eu volte para o Brasil algum dia, talvez se aquele alguém estiver na minha vida. Mas não conto com isso. Acho que construirei minha vida aqui, ou nos Estados Unidos, ou em Portugal. E é isso. Eu perdi o foco, mas não saí do jogo. E agora estou ganhando.
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