far away

11:06

Mais um mês vem. Vejo lentamente o tempo passando, arrastando-se como alguém de pernas cortadas em busca de sua regeneração - lentamente e dolorosamente. Inutilmente, também, de certa forma. Esse alguém lamuria-se pelos "e se..", chora no próprio leito sua idiotice e questiona o poder das palavras.  Saudade lhe espanca. Lágrimas lhe engasgam. Arrependimentos cutucam seus feitos. Enjaulado em si mesmo, o alguém perdeu a chave. Ou a engoliu. Na verdade, não sabe muito bem. Feriu-se em combate - no qual, também, não sabe se o começou ou se apenas estava no fogo cruzado. O mês vem, e percebe que está morrendo.
Cada dia um pouco mais. Primeiro, perdendo detalhes de si (as risadas e o bom senso). Segundo, falhando internamente (a memória e os rins). Terceiro, tornando-se pálido (de alma e um pouco de corpo). E assim por diante, até ser um fantasma vagando pelo mundo. O pior disso, é, com certeza o alguém nunca morrer completamente. Existir como e com o tempo. Esse mês vem e é um terremoto. Destrói, colide as suas placas e deixa mil rupturas. E o mês passa. Mas os aftershocks continuam infinitamente.

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