safe and sound
13:08Sob a escuridão, botou as mãos no espaço dos seios. Inspirou, jogou o pescoço pra trás, como se estivesse entregando-se à presas. Esticou os dedos, alongou a clavícula, sentiu os nervos se incomodarem. Arranhou as costelas com força, posicionou entre o ponto mais simétrico de si e rasgou. Despiu-se de si mesma. Arrancou os cantos desafinados primeiro, depois desfiou os vasos e mergulhou em tinta. Saltou pra fora do cérebro, observou a arte naquilo. Padrões estranhos formaram se no chão plastificado. Piscou no vazios das órbitas, caminhou dissimuladamente. Fumaça caiu dos músculos, cansados, virando poeira. A pele tigrada mordeu-se em desgraça e revirou-se ironicamente. Compreensão nas próprias peças do quebra-cabeça ela não achava. Finalmente podia dizer o que era partir. O que vinha depois. Mas não existia ninguém para escutá-la.
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